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quinta-feira, abril 24, 2014

Novas edições:
Bill Pritchard, A Trip To The Coast

Bill Britchard
“A Trip To The Coast”
Tapete Records
3 / 5 

Se falarmos de Bill Pritchard a um inglês de trinta e tal ou quarenta anos é muito natural que encolha os ombros. Pelo contrário, teremos mais sorte em França, na Bélgica ou Canadá... Tal como Lloyd Cole ou Paddy MacAloon ele foi um dos mais interessantes cantautores britânicos nascidos nos oitentas, expressando os seus discos um tranquilo diálogo entre uma voz algo melancólica e uma música mais dada à luz do dia. O seu segundo álbum, Three Months, Three Weeks & Two Days (de 1989) foi produzido por Etienne Daho, o seguinte Jolie (1991), contando com a presença de Ian Broudie (dos Lightning Seeds) no mesmo lugar. Entre ambos Bill Pritchard definiou uma linguagem pop conduzida pela voz e pelas guitarras, feita de canções de recorte “clássico” e sem vontade em embarcar nos sabores das modas do momento. Depois fez-se silêncio. E talvez a (injustificada) exposição maior do belíssimo Jolie o possa ter explicado. Em 1995 formou uma banda. Em 1998 lançou novo disco. E em 2005 houve um regresso pontual a solo, feito entre inesperadas eletrónicas. Agora, depois de novo e longo silêncio, eis que inesperadamente regressa com A Trip To The Coast, um álbum que parece em tudo procurar um reencontro com a linha que a música que fazia em finais dos oitentas e inícios dos noventas. Depois de ter residido em França, regressou a Inglaterra e, da colaboração com o velho parceiro Tim Bradshaw surgiram as canções que agora apresenta. Este é um disco de indie pop essencialmente acústica feita de linhas simples e claramente marcada pela presença protagonista da voz de Bill Pritchard. Não vai mudar o rumo de 2014 e talvez chame apenas a atenção dos velhos admiradores de Bill Pritchard. Não tem o brilho da produção de Broudie em Jolie. Mas devolve-nos um belo cantautor (e num terreno quem que sabe o que está a fazer).

sábado, novembro 26, 2011

Bill Pritchard, 1989


Um nome algo esquecido da pop com travo menos mainstream (e com gosto pelas guitarras e por uma certa postura classicista), Bill Pritchard cativou maiores atenções entre finais de oitentas e inícios dos noventas. Recordamos hoje o teledisco que, em 1989, acompanhou o lançamento de Romance Sans Paroles, um single extraído do alinhamento do álbum Three Months, Three Weeks & Two Days, editado nesse mesmo ano e que contou com Etienne Daho na produção.

quinta-feira, novembro 24, 2011

Discos Pe(r)didos:
Bill Pritchard, Jolie



Bill Pritchard
“Jolie”
Play It Again Sam
(1991)

Nem sempre somos conhecidos no lugar onde nascemos. Bill Pritchard é dessa realidade um exemplo. Cidadão britânico, nunca foi contudo um “caso” de popularidade ou mesmo de reconhecimento crítico entre os seus. Já em França a sua obra representou, sobretudo em finais dos anos 80 e inícios dos noventas, um verdadeiro caso de culto. O fenómeno (local, entenda-se) nasceu em 1989 com o seu álbum Three Months, Three Weeks & Two Days, que contava com produção de Etienne Daho e, no tema Tommy & Co (extraído como single de apresentação), com a colaboração vocal de Françoise hardy. Jolie foi o passo seguinte. Editado em 1991 o disco seguia os caminhos indiciados pelo álbum de 1989, investindo numa luminosidade pop (que não ofusca nunca o tom naturalmente melancólico da sua voz, que na altura chegou a ser comparada à de um Lloyd Cole), ao que não será estranha a presença de Ian Broudie na produção. Recorde-se aqui que, por essa altura, Broudie lançava o segundo álbum do seu projecto pessoal (os Lightning Seeds) através do qual desenhava uma linguagem pop essencialmente sustentada pelas guitarras, que de certa forma sugere caminhos semelhantes aos que Bill Pritchard toma em Jolie. Com a presença de algumas marcas de vivências francesas (um dos temas temas apresenta o Gustave Gafe, outro fala das lágrimas de Maxime, e o próprio álbum tem por título uma palavra em francês), Jolie é um disco pop feito de canções bem construídas, moldadas sob uma ideia de produção firme que garante um rumo concreto ao longo das dez faixas que apresenta. Temas mais solarengos (como Number Five, Pretty Emily ou Violet Lee) ou instantes com sabor a fim de tarde (I’m In Love Forever ou In The Summer) fazem a história de um disco que transporta uma ideia tranquila de Verão. Não como expressão dos dias quentes como o fazem aquelas canções tolinhas que todos os anos são eleitas por uma estação, são cantaroladas à exaustão e depois acabam para lá do limiar da paciência, mas antes uma visão ciente de que há histórias com gente dentro também nesses dias de maior calor.