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Apostando, uma vez mais, num fascinante equilíbrio entre a precisão realista e a sugestão alegórica, Helnwein produz aquilo que talvez pudéssemos chamar "frescos abstractos". Por um lado, a precisão do detalhe e a sua intensidade dramática aproximam-nos da matéria e da dor que nela se pode conter; por outro lado, a teatralidade das composições abre-nos as portas de um mundo quase utópico, ferido pela própria irrisão da sua humanidade. Raras vezes as imagens nos fazem sentir, assim, que olhar pode ser um gesto de consciente decomposição/recomposição das nossas certezas cognitivas, éticas e estéticas. Olhamos, em última instância, o nosso medo.
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