[ solidões ]
Lembremos Catherine Deneuve na obra prima de Luis Buñuel,
Belle de Jour (1967). E perguntemos: será possível refazer esse filme nos nossos dias, por assim dizer substituindo a dimensão onírica, romanesca e agreste pelas relações voláteis, friamente impessoais, de um mundo de telemóveis e Internet? A resposta aí está: chama-se
Jeune & Jolie, tem assinatura de François Ozon e pode muito bem valer a Marine Vacth um merecido título de descendente simbólica de Deneuve. Aliás, a pose de Vacth utilizada no cartaz evoca uma outra, de Deneuve, com assinatura de Buñuel [ver imagens em baixo]. Ozon filma-a como uma jovem de 17 anos que se prostitui, num misto de solidão familiar e errância moral que, em última instância, expõe a muito contemporânea cegueira mútua das gerações — ou como a circulação do sexo se revela sempre insuficiente para dar conta da vastidão do país do desejo. Tudo isto com um suplemento narrativo cuja pertinência importa não menosprezar: Ozon organiza o seu filme como um ciclo de quatro estações, cada uma sinalizada por uma canção de Françoise Hardy.
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1967 |
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2013 |