Depois de abordar George Martin, que declinou o convite para produzir o novo álbum de Bowie, Ken Pitt aproximou-se de Tony Visconti que aceitou o desafio, não se mostrando contudo muito entusiasmado pela canção que seria o seu cartão de visita e que já havia conhecido uma primeira versão – mais minimalista nos arranjos – para o filme promocional Love You Till Tuesday (essencialmente feito com canções do álbum de 1967). Explica-se assim a presença de Gus Dudgeon nos créditos daquele que, em julho de 1969, se apresentou como o décimo single de David Bowie e, pouco depois, lhe daria o seu primeiro êxito, ascendendo ao número 5 na tabela de vendas do Reino Unido. Com o título Space Oddity, tornar-se-ia, com o tempo, numa canção-assinatura de Bowie e é, ainda hoje, o seu single com maiores vendas no seu país de origem.
Inspirada pelo impacte que o filme 2001: Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, teve sobre si, a canção ganhou forma definitiva (embora tenha conhecido outras versões mais tarde) em sessões de estúdio registadas a 20 de junho de 1969, o single surgindo nas lojas de discos cerca de três semanas depois. Apesar de inicialmente ignorado pela BBC, Space Oddity foi escolhido pela estação para servir de banda sonora aos programas de cobertura da missão Apollo XI que, em julho de 1969, levaria pela primeira vez o homem à Lua. Essa foi de resto a primeira janela de grande exposição de uma canção que teria outras vidas em disco numa delas, por ocasião de uma reedição em 1975, tendo dado a David Bowie o seu primeiro número um no Reino Unido.
No lado B do single surgiu Wild Eyed Boy From Freecloud canção que, sem os arranjos de maior arrojo cénico que definiram Space Oddity, reforça de forma mais clara os interesses pela exploração de ecos da cultura folk que, nesta fase, caracterizou alguma da música de David Bowie.
Podem ver aqui imagens de uma atuação televisiva em 1970, ao som de Space Oddity.

