Michael Tilson Thomas |
Foi um tempo de mudança, mas sem perda de identidade (ou das suas marcas características) o que o último ano nos deu a ver e ouvir entre os palcos por onde passou a temporada de música da Gulbenkian, da qual não foram poucos os momentos de excepção entre os quais podemos apontar a estreia nacional da ópera A Flowering Tree de John Adams, um Passio de Arvo Pärt ou duas inesquecíveis noites com a Los Angeles Philharmonic, sob a direcção de Gustavo Dudamel. Isto sem esquecer a boa aposta que representou a programação de transmissões de óperas do Met com tecnologia de alta definição.
A espantosa interpretação da Sinfonia Nº 2 de Mahler pela San Francisco Symphony e por um irrepreensível Coro Gulbenkian, sob uma notável direcção de Michael Tilson Thomas (e as presenças das vozes de Laura Claycomb e Katarina Karnéus), representou o perfeito episódio final de um ano brilhante. Se esta obra de Mahler mora hoje entre os momentos maiores da história da música sinfónica (é como se todo um mundo de referências ali confluísse e todo um outro de heranças dali partisse), a direcção tranquila, atenta e sensível de Thilson Thomas teve em conta o acentuar de uma multidão de detalhes, dos instantes de intensidade maior às periferias do silêncio por onde esta música passa a dados instantes. Coro, vozes solistas e orquestra em perfeita comunhão de sentidos sob os gestos suaves, mas decididos, da direcção do maestro. E no final a certeza de termos visto uma interpretação de absoluta excelência.
Mahler |
>>> GULBENKIAN: temporada 2011/2012 (calendário).