sexta-feira, junho 11, 2010

Viajar no tempo ou a morte suspensa

Com Rachel McAdams e Eric Bana, A Mulher do Viajante no Tempo é uma bela variação sobre o modelo clássico das aventuras-no-tempo — com uma componente (ainda mais) insólita: o viajante não controla as suas deslocações nem escolhe a data do seu destino... Resultado: a deriva romanesca integra a imponderabilidade romântica e, em última instância, a certeza difusa da proximidade da morte.
Realizado por Robert Schwentke — a partir do magnífico livro de Audrey Niffenegger —, este é mais um caso de um filme penalizado, no nosso mercado, pelo facto de ter tido uma performance discreta nas salas dos EUA. Ou como se confirma que a distribuição/exibição passou a ser dominada por uma lógica economicista que despreza qualquer relação criativa com outros universos (o livro, neste caso, e a sua condição de best-seller) e até, por vezes, os mais básicos efeitos de actualidade. Que o nome de Brad Pitt esteja associado a A Mulher do Viajante no Tempo, na condição de produtor executivo, eis o que também não lhe trouxe especial vantagem na sua promoção...
Daí a dúvida: têm algum interesse pelo(s) público(s) ou já só querem estrear filmes para cumprir contratos e poder libertá-los para os circuitos do cabo e do DVD?... That is the question.