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Os jornalistas e críticos de cinema vêem, normalmente, os filmes que estreiam com alguma antecedência, graças às sessões promovidas pelos respectivos distribuidores. É uma prática antiga, obviamente salutar, de colaboração entre diferentes instâncias profissionais. Ultimamente, tornou-se impossível, mesmo sendo selectivo, acompanhar o essencial dessas sessões. Porque são muitas e, muitas vezes, a horas sobrepostas? Sim, claro. Mas o problema não é esse. O problema é o facto de tal situação reflectir uma inflação de estreias que se tornou comercialmente irrealista.
Nos EUA, quando há uma semana com meia dúzia de estreias nacionais, os analistas discutem a eficácia dessa “acumulação”. Em Portugal, esta semana são lançados sete novos títulos [dia 17], para a semana [24] outros tantos e, por exemplo, para 8 de Outubro, está anunciada uma dezena de estreias. Como é óbvio, a dificuldade de acompanhamento de jornalistas e críticos é uma questão secundária. A pergunta é: qual é a capacidade de acompanhamento do espectador médio? Alguém está a pensar as relações entre oferta e procura?