Terceira e última série de listas temáticas, hoje fazendo o levantamento dos melhores títulos editados em DVD ao longo do ano.
J.L._.jpg)
Foi o ano em que
Once/No Mesmo Tom, de John Carney, premiado com o Oscar de melhor canção, saíu... directamente em DVD. Que é como quem diz: está posta em causa a relação de equilíbrio e complementaridade entre salas e mercado de DVD. Não que seja possível "retroceder" a uma idade pré-video. Mas não é fácil perceber que vantagens tem o afunilamento da oferta nas salas, com o consequente lançamento de cada vez mais títulos em DVD, porventura acima daquilo que o mercado e o consumo conseguem integrar. Mas não simplifiquemos: o ano foi absolutamente frondoso nas áreas dos "clássicos" ou de outras obras que transcendem qualquer época — símbolo exemplar são as
História(s) do Cinema [foto], monumento godardiano de celebração do cinema
através do video. Sublinhe-se, em particular, que vários dos títulos a seguir nomeados são apenas um pequeno sintoma de uma (re)descoberta comercial do cinema europeu que merece a máxima atenção e incentivo — inclusive em termos de legislação.
1.
História(s) do Cinema, Jean-Luc Godard (Midas)
2.
Nos Lábios Não, de Alain Resnais (LNK)
3.
Não Toquem no Machado, de Jacques Rivette (Atalanta)
4.
Seis Contos Morais, Eric Rohmer (Atalanta)
5.
O Dinheiro, Robert Bresson (Midas)
6.
A Noite, Michelangelo Antonioni (Costa do Castelo)
7.
O Evangelho Segundo São Mateus, Pier Paolo Pasolini (Costa do Castelo)
8.
Moloch, Aleksandr Sokurov (Midas)
9.
O Poder da Arte, Simon Schama (Lusomundo)
10.
Eros, Michelangelo Antonioni, Steven Soderbergh e Wang Kar-Wai (LNK)
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Cada vez mais o DVD afirma uma lógica de complemento ao que os ecrãs não vêem (ou não revêem). Daí que, apesar da ginástica de extras e mais extras que acompanham muitos dos títulos novos (leia-se recentemente estreados) que chegam ao mercado, o mais interessante da produção em DVD se mostre noutros comprimentos de onda. O DVD como o cinema que não vemos no cinema (ou poucas vezes podemos ver). O DVD como a televisão que a televisão não mostra (ou lança em horários pouco práticos ou espaços secundários). O documentarismo, de que se falou já no balanço do cinema em sala, marca importante presença no lote de títulos que fizeram o melhor de 2008, destacando-se
The Promise Of Music, um filme sobre o “sistema” venezuelano de orquestras de que hoje é rosto maior Gustavo Dudamel, uma reflexão sobre ao Joy Division por Grant Gee (evocando a banda como um fruto da sua cidade no seu tempo), um retrato de Arthur Russell ou um historial do cenário que permitiu, na Alemanha de finais de 60 e inícios de 70, o florescimento de uma nova música electrónica. Breve referência para o bom momento que a ficção televisiva continua a conhecer. E, no departamento da memoria, assinale-se uma soberba edição do
Mishima de Paul Schrader e mais uma proposta de redescoberta do pioneirismo
sci-fi de Ray Harryhausen.
1.
The Promise Of Music, de Enrique Sánchez Lanson (Deutsche Grammophon)
2.
As Curtas da Pixar, de vários realizadores (Disney/Zon Lusomundo)
3.
Mishima, de Paul Schrader (Criterion)
4.
1984 (ópera de Lorin Maazel), de Brian Large (Decca)
5.
A Linha da Beleza (série), de Saul Dibb (BBC/Prisvídeo)
6.
Weeds 2 (série), de Jenji Kohan (Sony Pictures)
7.
Joy Divsion, de Grant Gee (Midas)
8.
Wild Combination: A Portrait Of Arthur Russell, de Chuck Russell (Plexi Film)
9.
Harryhausen Collection (Sony Pictures)
10.
Kraftwerk & The Electronic Revolution, de Thomas Arnold (Plastic Head)