I Knew It, I Knew You, a canção de Taylor Swift para a banda sonora de Toy Story 5 surge como uma peça indissociável da afirmação da personagem de Jessie, uma cowgirl com a voz de Joan Cusack, como a verdadeira figura central do novo filme com chancela da Pixar — daí o teledisco feito a partir de imagens de Jessie ao longo das aventuras dos filmes anteriores, com Swift a reencontrar a energia das suas raízes country.
sound + vision
quinta-feira, junho 18, 2026
terça-feira, junho 16, 2026
Ambrose Akinmusire / Mary Halvorson
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| [ jazzwise ] |
No jazz contemporâneo, Ambrose Akinmusire é um dos fenómenos do trompete, muitfacetado e surpreendente. Compreende-se, por isso, a sua disponibilidade criativa para trabalhar com a guitarrista Mary Halvorson — e tanto mais que ela é também um caso invulgar de permanente desafio aos "limites" do seu instrumento. Desde 2009, a sua amizade tem-se expressado em muitos concertos, originando agora, finalmente, um álbum de originais, com chancela Nonesuch — aí está Slo-Mo Neon Luminate Hoverings.
domingo, junho 14, 2026
Festivais da Primavera
* SOUND + VISION Magazine [20 junho]
Depois dos mês de maio de cada ano, um balanço das canções da Eurovisão e dos filmes de Cannes já faz parte da tradição das sessões Sound+Vision — cumpriremos a tradição, recordando imagens e sons que ficam na memória.
>>> FNAC / Chiado — 20 de junho (17h00).
sábado, junho 13, 2026
Ryan Adams, novo álbum
Eterno marginal da indústria e dos media, sempre fiel fiel à mais primitiva sensibilidade rock, o americano Ryan Adams (nascido em Jacksonville, Carolina do Norte, em 1974) continua a editar álbuns em que a nostalgia se oferece na sua pureza formal, evitando "modernizações" pretensiosas ou "mensagens" para satisfazer a mediocridade do politicamente correcto.
The Suicide Handbook, o seu álbum mais recente, aí está com a amargura, e também a ironia, de um coleccionador de pequenos contos morais apostados em lidar com o desarranjo das nossas emoções — prudentemente, o seu derradeiro tema, Idiots Rule the World, deixa um aviso pedagógico.
Oh, when you go, you make me sad
You said, "No tricks up your sleeve"
Now there's no one else left to leave
And idiots rule the world
And idiots rule the world
But got no gal
And I wanna go home and never leave
Wanna go home and never leave
Motherless and unclean
Motherless and unclean
And idiots rule the world
And idiots rule the world
I got not gal
Got no gal
I got no gal
I got no gal
Madonna, Confessions II - The Film
Ao longo destes anos 20, Madonna surgiu associada a vários registos audiovisuais, sempre como "convidada" de outros artistas (de Dua Lipa a Weeknd). O certo é que o último verdadeiro teledisco com a sua assinatura, Batuka, realizado por Emmanuel Adjei, data de 2019.
Agora, o seu 15º álbum de estúdio — Confessions II (ou Confessions on a Dance Floor: Part II, remetendo para o primeiro Confessions, de 2005), com lançamento marcado para 3 de julho — parece envolver um afirmativo regresso ao universo tão particular dos videoclips.
Assim, no dia 5 de junho, no Beacon Theatre (Nova Iorque), no âmbito do Festival de Tribeca, Madonna lançou Confessions II - The Film. Trata-se, de facto, de um filme com a duração de 14 minutos, assinado por TORSO (a dupla David Toro/Solomon Chase), ou seja, uma colagem de fragmentos de seis (dos dezasseis) temas do novo álbum.
Teledisco(s) ou cinema? Talvez um inusitado cruzamento de formas e conceitos — já está no YouTube.
Aaron Sorkin, The Social Reckoning
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| [ Kodak Theatre, 27 fev. 2011 ] |
Oscarizado pelo argumento de A Rede Social (David Fincher, 2010), Aaron Sorkin volta a abordar as atribulações éticas do Facebook com The Social Reckoning. Baseando-se no livro em que Frances Haugen denunciou as práticas abusivas do Facebook, Sorkin assume também, desta vez, a realização, dirigindo um elenco liderado por Mikey Madison, no papel de Haugen, e Jeremy Strong, como Zuckerberg — chega em outubro.
quarta-feira, junho 10, 2026
Steven Spielberg não trabalha para a Netflix
Já sabíamos que Steven Spielberg não trabalha para a Netflix — "I'm a movie maker". Não é, por isso, supresa que ele defenda, com peculiar energia e inabalável entusiasmo, a experiência de um filme numa sala, com um grande ecrã, no interior de uma comunidade de espectadores que só pode existir num espaço com aquelas características. Na companhia de Josh O'Connor, protagonista de O Dia da Revelação, eis uma bela conversa na ITV News.
terça-feira, junho 09, 2026
Nouvelle Vague — um renascimento
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| Jacqueline Vandal: memórias cinéfilas de 1964 |
Visto numa cópia restaurada na secção de clásicos do Festival de Cannes, La Dérive ajuda-nos a revalorizar a herança do cinema francês da década de 1960 — este texto foi publicado no Diário de Notícias (29 maio).
Apresentado na secção de clássicos do Festival de Cannes, o filme La Dérive (1964), da escritora e realizadora Paula Delsol (1923-2015), é uma preciosa raridade (assinado como “Paule”). O filme convida-nos a revisitar os tempos heróicos da Nova Vaga francesa com o espírito aberto — entenda-se: evitando considerar que a história desse período está encerrada em canônes mais ou menos imutáveis e inquestionáveis.
Não se trata, de qualquer modo, de um filme “desaparecido”. Não creio que, em anos recentes, a sua difusão possa ter acontecido numa cópia impecavelmente restaurada (como a que foi projectada em Cannes), mas é um facto que, em 2022, em Nova Iorque, no MoMa, a sua exibição já tinha sido um acontecimento especial, integrado num ciclo de “Cineastas esquecidos da Nova Vaga francesa”. Também entre nós, em 2024, La Dérive foi apresentado na Casa do Comum, no Festival Internacional de Arte Contemporânea Sète Lisboa.
Dito isto, importa sublinhar o essencial: a memória do cinema francês da década de 1960, com a galeria de nomes que simbolizam a sua perene energia — Jean-Luc Godard, François Truffaut, Jacques Demy, Eric Rohmer, Jacques Rivette, etc. —, continua a renascer como um território dinâmico, eminentemente criativo, cujas significações não estão fechadas. Aliás, em Cannes, a passagem de um filme com mais de 60 anos como La Dérive teve como sugestivo contraponto a exibição de Merci d’Être Venu, na Quinzena dos Cineastas, novíssimo trabalho de Alain Cavalier (a poucos meses de completar 95 anos), outro nome algo “esquecido” da Nova Vaga.
Como outros títulos da mesma época, com especial destaque para Duas Horas na Vida de uma Mulher (1962), de Agnès Varda, La Dérive é aquilo que o seu título já sugere. A saber: a deambulação de uma mulher, Jacqueline (Jacqueline Vandal), a viver uma solidão paradoxal que envolve uma obstinada pesquisa de satisfação e prazer.
Em termos “sociológicos”, La Dérive talvez possa ser indexado num conjunto de filmes, franceses ou não, que na época ajudaram a reconverter, não exactamente a representação das personagens de mulheres, mas a própria ideia de feminino. Para nos ficarmos por um exemplo emblemático da produção francesa da época, lembremos o misto de interrogação existencial e distanciamento irónico que Godard encenou em 1961 no bem chamado Uma Mulher É uma Mulher — sem esquecer, já agora, que no mesmo ano, na Suécia, Ingmar Bergman realizava Em Busca da Verdade.
Muito longe dos lugares-comuns “feministas” de algum cinema do presente, La Dérive segue uma envolvente lógica anarquizante — se é que, em termos estéticos, o impulso anarquista pode equivaler a algum tipo de lógica. Da alegria dos gestos quotidianos à transparência dos impulsos sexuais, Jacqueline não surge como “mensageira” do que quer que seja, existindo antes como entidade viva de um desejo de descoberta e transformação que nunca se aquieta.
Paula Delsol filma como quem confirma e sublinha os movimentos (a deriva, justamente) de Jacqueline, explorando as hipóteses de um cinema alheio a qualquer divisão académica entre o primado realista dos corpos e os artifícios da ficção. Em Cannes, algumas cenas de La Dérive na orla marítima suscitaram paralelos com o cinema de Truffaut e, em particular, Os 400 Golpes (1959) — claro que a herança de Truffaut possui uma dimensão incomparável, mas isso não invalida que estejamos perante um filme que continua a dizer-nos que, no jogo de imagens e sons do cinema, tudo é possível.
segunda-feira, junho 08, 2026
sexta-feira, junho 05, 2026
Taylor Swift / Toy Story 5
Na árvore genealógica de Taylor Swift, o country é, continua a ser, uma componente fundamental. Aí está (mais) uma prova, subtil e elegante, com a canção I Knew It, I Knew You — vamos ouvi-la, brevemente, na banda sonora de Toy Story 5.
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