quarta-feira, fevereiro 21, 2018

Viva "Will & Grace"!

O regresso da série Will & Grace constitui um delicioso evento televisivo — este texto foi publicado no Diário de Notícias (18 Fevereiro), com o título 'Cinefilia em tom televisivo'.

O regresso da série Will & Grace (TVCine & Séries) ilustra um momento feliz de uma cultura genuinamente popular, alheia a lugares-comuns populistas. Recorde-se que Will (Eric McCormack) é um advogado de sucesso, homossexual, obcecado pela ascensão profissional, que partilha a sua existência com Grace (Debra Messing), uma decoradora de interiores que continua a procurar o homem ideal, mantendo com Will uma relação que quase parece conjugal...
Na dinâmica da série são essenciais mais duas personagens. Karen (Megan Mullally), é uma predadora sexual, pelo menos na sua imaginação, empregada de Grace sem grande vocação para... trabalhar; Jack (Sean Hayes), o melhor amigo de Will, também homossexual, é um narcisista benigno que vai alimentando o sonho de ser uma grande figura do espectáculo, enquanto os outros lhe resolvem os seus problemas financeiros...
A série estava interrompida desde a oitava temporada, difundida em 2006. Tendo regressado em Setembro de 2017 (nos EUA), conservou o essencial do seu quarteto, explorando com inteligência um quadro de relações em que se reflectem os mais diversos temas sociais, desde a militância gay até à resistência aos avanços do politicamente correcto.
Em todo o caso, Will & Grace está muito longe de um qualquer discurso “profiláctico”. Criada por David Kohan e Max Mutchnick, a série contraria mesmo o pendor moralista de alguns modelos televisivos que se dizem “sociológicos”. Por delicioso paradoxo, a sua ligação ao presente (inventariando, por exemplo, os impulsos conservadores da América de Donald Trump), decorre de um tom festivamente artificioso, enraizado numa brilhante escrita de diálogos e também na mais nobre tradição burlesca de Hollywood.
Megan Mullally, Eric McCormack, Debra Messing e Sean Hayes (na foto, da esquerda para a direita) são todos notáveis nessa arte de compor personagens de contraditória energia: por um lado, vemo-los como bonecos animados de um humor abstracto e contagiante; por outro lado, descobrimos neles, e através deles, muitos sinais de um tempo em que está na ordem do dia a discussão das identidades sexuais e, mais do que isso, a paisagem dos possíveis e impossíveis das relações humanas.
Se quisermos ser cinéfilos, podemos mesmo dizer que as duas actrizes actualizam um modelo clássico de comédia que passa por Shirley MacLaine e Judy Holliday, sendo McCormack uma variação sarcástica de Cary Grant e Hayes um hiper-talentoso herdeiro do génio de Jerry Lewis — grande televisão, admirável arte da narrativa.

>>> Trailer da nova temporada de Will & Grace.

terça-feira, fevereiro 20, 2018

A caminho dos OSCARS
— "Três Cartazes à Beira da Estrada"
domina os BAFTA

[Governor Awards]  [Gotham Awards]  [críticos de Nova Iorque]  [críticos de Los Angeles]
[American Film Institute]  [National Society of Film Critics]  [Globos de Ouro]
[National Board of Film Review]  [Critics' Choice Awards]  [NAAPC]  [associação de produtores] [associação de actores]  [N O M E A Ç Õ E S]  [associação de montadores]  [associação de cenógrafos]
[associação de realizadores]  [associação de animadores]  [USC]  [associação de argumentistas]
[associação de directores de fotografia]


Com cinco distinções — incluindo melhor filme e melhor filme britânico —, Três Cartazes à Beira da Estrada dominou os prémios BAFTA (British Academy of Film and Television Arts). Em qualquer caso, o respectivo director, Martin McDonagh, não recebeu o prémio de realização, entregue a Guillermo del Toro, por A Forma da Água. Ridley Scott foi homenageado com um prémio de carreira — lista completa de prémios no site oficial.

* Filme — TRÊS CARTAZES À BEIRA DA ESTRADA, de Martin McDonagh
* Filme britânico — TRÊS CARTAZES À BEIRA DA ESTRADA, de Martin McDonagh
* Realizador — Guillermo del Toro, por A FORMA DA ÁGUA
* Actor — Gary Oldman, A HORA MAIS NEGRA
* Actriz — Frances McDormand, TRÊS CARTAZES À BEIRA DA ESTRADA
* Actor secundário — Sam Rockwell, TRÊS CARTAZES À BEIRA DA ESTRADA
* Actriz secundária — Allison Janney, EU, TONYA
* Revelação realizador britânico — Rungano Nyoni, por I AM NOT A WITCH [trailer]

A IMAGEM: Inez & Vinoodh, 2018

INEZ & VINOODH
Yves Saint Laurent
Primavera/Verão, 2018

segunda-feira, fevereiro 19, 2018

Françoise Hardy, opus 28

Com 74 anos celebrados no passado dia 17 de Janeiro, Françoise Hardy anunciou o seu 28º álbum de estúdio (o anterior, L'Amour Fou, surgiu em 2012): chama-se Personne d'Autre e estará nas lojas no dia 6 de Abril. O cartão de visita é belíssimo e intitula-se Le Large — pequena utopia em tom de balanço secreto.

Aucune histoire banale gravée dans ma mémoire
Aucun bateau pirate ne prendra le pouvoir
Aucune étoile filante me laissera dans le noir
Aucun trac, aucun...

Et demain tout ira bien, tout sera loin
Là au final quand je prendrai le large
Tout sera loin, donne moi la main
Là au final quand je prendrai le large

Aucune larme aucune viendra m'étrangler
Aucun nuage de brume dans mes yeux délavés
Aucun sable ni la dune n'arrête le sablier
Aucun quartier de lune, aucun...

Et demain tout ira bien, tout sera loin
[...]

Aucun autre décor, aucun autre que toi
Aucune clef à bord, aucune chance pour moi

Et demain tout ira bien, tout sera loin
[...]

Aucun requin, aucun air triste
Aucun regret, aucun séisme
Aucune langue de bois
Aucun chaos, aucun, aucun...

Et demain tout ira bien, tout sera loin
[...]

A caminho dos OSCARS
— directores de fotografia
dão prémio a "Blade Runner"

[Governor Awards]  [Gotham Awards]  [críticos de Nova Iorque]  [críticos de Los Angeles]
[American Film Institute]  [National Society of Film Critics]  [Globos de Ouro]
[National Board of Film Review]  [Critics' Choice Awards]  [NAAPC]  [associação de produtores] [associação de actores]  [N O M E A Ç Õ E S]  [associação de montadores]  [associação de cenógrafos]
[associação de realizadores]  [associação de animadores]  [USC]  [associação de argumentistas]


A American Society of Cinematograhers entregou os seus 32ºs prémios anuais, incluindo algumas distinções honorárias — Angelina Jolie foi, este ano, uma das personalidades homenageadas. Com Blade Runner 2049, o inglês Roger Deakins arrebatou o seu quinto prémio atribuído pela associação de directores de fotografia — lista integral de vencedores no site da ASC. Este video, apresentado na cerimónia, evoca as figuras de alguns directores de fotografia falecidos ao longo de 2017.

Kissin + Kopelman Quartet

Evgeny Kissin
* Evgeny Kissin
* Kopelman Quartet
- Gulbenkian [16-02-2018]

Convenhamos que os quartetos (ou quintetos) para piano e cordas não constituem um formato dominante no circuito dos concertos. Daí a expectativa gerada pelo regresso de Evgeny Kissin à Fundação Gulbenkian, acompanhado pelo Kopelman Quartet. Para mais com um programa sedutor, dir-se-ia empenhado em resumir um século de história dos sons musicais:

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
> Quarteto com Piano n.º 1, em Sol menor, K. 478

Gabriel Fauré (1845-1924)
> Quarteto com Piano n.º 1, em Dó menor, op. 15

Antonin Dvořák
(1841-1904)

> Quinteto com Piano n.º 2, em Lá maior, op. 81

Viajámos, assim, da unidade ideal da composição mozartiana para as clivagens e novas complementaridades que Dvořák impõe aos seus instrumentos, passando através da ambivalência melódica e estrutural da espantosa composição de Fauré [video aqui em baixo de uma interpretação da mesma obra, em 1998, por Marc-André Hamelin e o Leopold Trio]. O terceiro andamento de Fauré, Adagio, é um daqueles momentos em que parecemos encontrar o cruzamento exemplar de passado e futuro, de alguma maneira ajudando-nos a compreender como o século XIX parece integrar a premonição de todas as convulsões estéticas e civilizacionais que vivemos no século XX. Enfim, Kissin é, continua a ser, uma personagem exemplar desse ziguezague, cada vez mais austero, e também mais tocante, na sua arte de reinvenção das partituras.

domingo, fevereiro 18, 2018

Para além de Foucault [citação]

>>> Estamos longe do universo disciplinar que Foucault descreveu. Segundo ele, a bio-política consiste em produzir corpos dóceis em relação a normas cuja existência lhes é anterior. A governamentalidade algorítmica parece muito emancipadora em relação a este modelo, uma vez que se trata, ao invés, de produzir normas dóceis para o corpo. É, por exemplo, a "magia" do deep learning e do feed-back look, processos pelos quais a máquina é ela própria capaz de modificar os seus modelos por retroacção: se o vosso comportamento concreto não corresponde à modelização que dele se fez, isso não será considerado como um erro, mas antes como uma ocasião de reconverter a máquina de modo a afinar o sistema de perfis. Trata-se, assim, de um sistema de normas eminentemente plástico, fluido, que se cola aos comportamentos de cada indivíduo como uma segunda pele.

ANTOINETTE ROUVROY
'Da vigilância ao sistema de perfis'
entrevista de Catherine Portevin
Philosophie, número especial, 2018

Clint Eastwood, cineasta realista (1/2)

Anthony Sadler, Spencer Stone, Clint Eastwood e Alek Skarlatos
[MovieWeb]
O novo filme de Clint Eastwood, 15:17 Destino Paris, transforma figuras verídicas em actores das suas personagens — este texto foi publicado no Diário de Notícias (16 Fevereiro), com o título 'Os soldados de Clint Eastwood são actores da sua própria história'.

Vivemos num tempo de proliferação de imagens, muitas delas empenhadas em mostrar-nos o que é, e como é, o mundo à nossa volta. Em particular na televisão, somos todos os dias bombardeados pelas transmissões em directo, apostadas em construir uma visão dos acontecimentos “em tempo real”. Dito de outro modo: no audiovisual contemporâneo, directa ou indirectamente, a questão da verdade está sempre presente. Com uma pergunta obsessiva: que grau de verdade podemos, ou devemos, atribuir àquilo que nos é dado ver?
Com o seu novo filme, 15:17 Destino Paris, Clint Eastwood apresenta uma singularíssima resposta a tal pergunta. Dir-se-ia que o veterano realizador (87 anos) quis baralhar e voltar a distribuir as cartas estéticas e éticas de um jogo tão delicado quanto complexo: para dar conta da experiência verídica de três jovens soldados americanos que impediram um ataque terrorista num comboio, Eastwood escolheu os próprios soldados como intérpretes das suas personagens.
São eles Spencer Stone, Anthony Sadler e Alek Skarlatos, com 22-23 anos no Verão de 2015. Em férias na Europa, depois de um périplo por vários países, saíram de Amsterdão para Paris no dia 21 de Agosto, tomando o comboio de alta velocidade Thalys, com partida às 15h17. A certa altura, um jovem marroquino de nome Ayoub El Khazzani, depois de muitos minutos fechado numa casa de banho, irrompeu nos corredores do comboio ameaçando os passageiros com uma espingarda e uma pistola (na sua mochila transportava uma grande quantidade de munições e uma lata de petróleo).
No misto de confusão e pânico que se instalou, El Khazzani ainda feriu um passageiro, mas graças à acção de Stone, Sadler e Skarlatos, o atacante seria neutralizado. Poucos dias mais tarde, os três jovens americanos (e ainda Chris Norman, britânico que teve também um papel determinante nos acontecimentos) receberiam a Legião de Honra do estado francês das mãos do presidente François Hollande.

À flor da pele

A envolvente energia do filme está longe de se esgotar nos minutos do ataque, afinal tão breves quanto perturbantes. Aliás, a obsessão realista de 15:17 Destino Paris produz um efeito francamente fora de moda. Escusado será sublinhar que o olhar de Eastwood nada tem a ver com as convenções mil vezes repetidas das aventuras de super-heróis. Mas também não se pode dizer que o heroísmo das suas três personagens centrais seja, para ele, um tema épico.
15:17 Destino Paris não é uma epopeia, antes uma crónica marcada pelos contrastes mais extremos da condição humana. Assim, as fascinantes cenas de Stone, Sadler e Skarlatos ainda crianças relembram-nos que os respectivos perfis mentais e emocionais se enraízam em estruturas familiares específicas e modos muito particulares de educação; no caso de Stone e Skarlatos é particularmente importante o facto de serem filhos de mães solteiras e também a sua passagem por um liceu de inspiração cristã (na visão de Eastwood, os respectivos métodos educacionais não serão um modelo de atenção às subtilezas da infância e adolescência).
Mais tarde, quando os vemos a deambular por cenários europeus, não há nenhum determinismo heróico no seu comportamento; somos mesmo levados a observá-los como protótipos do cliché do turista americano, mais ou menos indiferente aos cenários que vai registando no seu telemóvel (observe-se o seu enfado perante as maravilhas de Veneza).
Quando irrompe a cena brutal do comboio, o que mais conta é esse contraste entre a condição vulgar das personagens e o carácter excepcional do seu comportamento naquele momento tão dramático. Eastwood continua a ser um retratista de um paradoxo visceralmente humano: os heróis não protagonizam uma “missão”, são apenas figuras anónimas do comboio que partiu 17 minutos depois das três da tarde.

sábado, fevereiro 17, 2018

Moda em castanho e vermelho

Excelente porfolio protagonizado por Ina Maribo com assinatura de Jens Ingvarsson: testemunhos de uma solidão ruiva e acastanhada, com rimas de vermelho — a ver em The Fashionography.

Nas margens do Disney World

* THE FLORIDA PROJECT, de Sean Baker
[ DN, 15-02-2018 ]

Nomeado para o Oscar de melhor actor secundário, Willem Dafoe surge a interpretar o gerente de um motel na Florida, próximo do Disney World (o título The Florida Project retoma a designação do local durante o período da sua construção). Para além do tom auto-complacente de algumas cenas e da exploração de efeitos dramáticos algo simplistas, o mais interessante resulta do modo como vamos descobrindo aquele motel como uma espécie de cenário de sobrevivência, ora cómico, ora à beira da tragédia, habitado por “marginais” da vida social.
Particularmente importante é a presença das crianças, com destaque para a pequena e enérgica Brooklynn Prince, interpretando uma menina de 6 anos enredada na teia da sua mãe toxicodependente — aliás, no papel da mãe, Bria Vinaite é a grande revelação do filme.

Os clichés da Marvel

* BLACK PANTHER, de Ryan Coogler
[ DN, 15-02-2018 ]

Eis um filme que tem sido celebrado nos EUA como uma aventura de super-heróis “diferente”. Porquê? Porque no seu centro está uma figura de pele negra: o rei de Wakanda (país africano fictício), interpretado por Chadwick Boseman. É uma leitura contaminada por todo um contexto de afirmação da identidade afro-americana, cujo dramatismo tem sido agravado por posições, no mínimo, ambíguas do presidente Donald Trump.
Resta saber se a contínua repetição de clichés da produção dos estúdios Marvel pode, ou deve, ser encarada em função das características raciais dos seus protagonistas. É verdade que o filme tenta, pelo menos, alguma originalidade na concepção cenográfica de Wakanda, mas cedo se limita a prolongar os lugares-comuns de um estilo que se satisfaz com a cópia da agitação visual de um qualquer jogo de video.

sexta-feira, fevereiro 16, 2018

De 2001 a 2018: notícias do futuro

Os ecrãs do futuro vão ser cada vez maiores. Aliás, esse futuro já é presente — este texto foi publicado no Diário de Notícias (11 Fevereiro), com o título 'Um mundo feito de ecrãs'.

Lembram-se de 2001: Odisseia no Espaço? Acredito que sim. O filme de Stanley Kubrick completa este ano meio século de existência, sendo um daqueles objectos há muito inscrito, não apenas na arqueologia cinéfila, mas também no imaginário colectivo — atrevo-me mesmo a supor que os leitores que nunca tiveram oportunidade de ver o filme sabem do que estamos a falar.
Há dias, lembrei-me desta imagem do astronauta Dave Bowman (Keir Dullea) no seu posto de comando, enfrentando os problemas trágicos, afinal muito humanos, colocados pelo hiper-inteligente computador que responde pelo nome Hal 9000... e não quero retirar o prazer da descoberta a quem não conhece o filme. Dir-se-ia que Bowman continua a ser uma personagem dos nossos dias, de tal modo está assombrado pelos muitos ecrãs que o rodeiam. Pode dizer-se, aliás, que a nave Discovery One, a caminho de Júpiter, existe como uma imensa galeria de ecrãs, aplicados desde a gestão técnica até à escolha das refeições.
A imagem surgiu por associação a notícias recentes, ligadas às novidades reveladas, em Janeiro, no Consumer Electronics Show, um misto de exposição e feira, em Las Vegas, dedicado aos objectos electrónicos do nosso dia a dia. Das suas novidades, parece poder extrair-se uma conclusão muito básica: os ecrãs caseiros de televisão, agora contaminados pelas funções tradicionais de um computador, vão ser cada vez maiores.
Surpresa? Nenhuma, como é óbvio — o aumento das medidas dos ecrãs há muito que faz parte da oferta regular do mercado. Seja como for, não deixa de ser interessante citar o estado dessa oferta. Por exemplo, os ecrãs com mais de 1,4 metros de diagonal passaram a constituir um terço das vendas da Samsung contra apenas 20% há um ano, enquanto a marca chinesa Hisense apresentou em Las Vegas um ecrã de 3,8 metros de diagonal (definido como um produto híbrido entre televisor e retroprojector).
Eis um curioso problema arquitectónico e, claro, financeiro: a concepção do espaço caseiro vai estar cada vez mais ligada aos ecrãs que lá queremos ou podemos colocar. Em todo o caso, a conjuntura leva-nos também a reconhecer que assim se vai agravar uma pergunta cândida que, há várias décadas, assombra a indústria cinematográfica: com a crescente sofisticação das condições privadas de acesso às imagens (e sons), como mobilizar os cidadãos para as salas de cinema? Em jogo está algo mais do que a evolução tecnológica — trata-se de saber se o cinema pode acabar como experiência colectiva e, nessa medida, social.

quinta-feira, fevereiro 15, 2018

OSCARS, passado e presente
— SOUND + VISION Magazine, FNAC
[adiado para 10 de Março]

* Questões particulares de última hora impediram a realização desta sessão no dia 10 de Fevereiro, facto pelo qual apresentamos as nossas desculpas — o SOUND + VISION Magazine terá lugar a 10 de Março.

É altura de falarmos de Oscars. Mas não apenas da aritmética das nomeações e dos prémios. No próximo SOUND + VISION Magazine, na FNAC, propomos uma reflexão sobre as linhas de força dos prémios deste ano da Academia de Hollywood e também uma viagem a alguns momentos emblemáticos dos mais célebres prémios de cinema do mundo.

* FNAC: Chiado, 10 Março (18h30)

Mercedes... ou isto não é futebol!

Tendo arrebatado pela quarta vez consecutiva o título mundial de Fórmula 1, a Mercedes achou por bem comemorar o feito celebrando a excelência do seu principal adversário. A saber: a Ferrari. Ou com o diz o anúncio criado pela agência italiana Grupo Roncaglia, "o valor de uma vitória pode ser encontrado na grandeza do oponente" — eis uma boa lição pedagógica contra a gritaria do futebol.

Varda & JR

* OLHARES LUGARES, de Agnès Varda & JR
[ DN, 08-02-2018 ]

Eis uma aliança criativa tão insólita quanto feliz: Agnès Varda, nome emblemático da Nova Vaga francesa (autora de Duas Horas da Vida de uma Mulher, 1962), continua a mostrar-se disponível para um cinema documental carregado de afectos e nostalgia poética; o artista que assina com as iniciais JR é alguém que gosta de fotografar pessoas anónimas, produzindo retratos gigantescos que depois cola, literalmente, nas fachadas das respectivas casas. Olhares Lugares nasce da sua deambulação por uma França esquecida, de espírito rural, conservando valores e vivências bem diferentes dos padrões dos grandes centros urbanos. É também um sério candidato ao Oscar de melhor documentário, isto depois de a própria Varda, em Novembro de 2017, nos Governor Awards, já ter sido distinguida com um Oscar honorário.