segunda-feira, julho 27, 2026

Pedro Costa distinguido com o Prémio Robert Bresson

Pedro Costa

Na sua 27º edição, o Prémio Robert Bresson foi atribuído ao cineasta português Pedro Costa. A sua entrega está agendada para o dia 5 de setembro, no Lido de Veneza, durante a 83ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza.
Promovido pela Fondazione Ente dello Spettacolo e pela Rivista del Cinematografo, após consulta ao Dicastério para a Cultura e Educação e ao Dicastério para a Comunicação, trata-se do único prémio de cinema do mundo concedido pela Santa Sé. Criado em 1999, o Prémio Robert Bresson é atribuído anualmente a um cineasta “que tenha testemunhado, com sinceridade e intensidade, a difícil jornada em busca do sentido espiritual das nossas vidas.” É também um dos prémios paralelos oficiais do Festival de Veneza.
O Prémio Robert Bresson foi entregue pela primeira vez, no ano 2000, ao cineasta italiano Giuseppe Tornatore. Na lista dos distinguidos encontramos também, por exemplo, os nomes do alemão Wim Wenders (2002), o português Manoel de Oliveira (2004), o russo Aleksandr Sokurov (2007), o brasileiro Walter Salles (2009) e o iraniano Mohsen Makhmalbaf (2015).
A par de outros festivais de cinema, como Cannes ou Locarno, a obra de Pedro Costa tem encontrado em Veneza, ao longo das décadas, uma montra importante de divulgação. Foi lá que se estrearam os seus filmes O Sangue (Semana da Crítica, 1989) Ossos (competição oficial, 1997), e Onde Jaz o Teu Sorriso? (secção Nuovi Orizzonti, 2001). A sua mais recente longa-metragem, Vitalina Varela, recebeu o Leopardo de Ouro na edição de 2019 do Festival de Locarno — a protagonista, Vitalina Varela, foi também distinguida com o prémio de melhor actriz; o filme recebeu ainda uma menção especial do prémio do Júri Ecuménico.


Robert Bresson (1901-1999) é um dos nomes grandes da história do cinema francês, com uma filmografia que inclui clássicos como Fugiu um Condenado à Morte (1956), O Carteirista (1959) ou Mouchette/Amor e Morte (1967). Tocada por um radical desejo de espiritualidade, a obra de Bresson evolui, ao mesmo tempo, como a procura material da imagem capaz de conter os enigmas da dimensão humana, sempre através de uma montagem apostada em discutir os conceitos tradicionais de espaço e tempo.
Os conceitos e aforismos de Bresson sobre a prática do cinema estão condensados num pequeno livro, Notes sur le Cinématographe, publicado em 1975, cerca de um ano depois do lançamento do seu filme Lancelot du Lac. Inspirada em Tolstoi, a derradeira longa-metragem de Bresson, O Dinheiro, surgiu em 1983.