François Truffaut (1932-1984) está de volta aos ecrãs portugueses, para já em Lisboa (Nimas) e Porto (Trindade): o ciclo "Ao Sol da Nouvelle Vague" (2/15 julho) apresenta uma coleção (quase integral) das suas longas-metragens, reabrindo uma perspectiva de conhecimento e análise que importa reter. Na verdade, a descrição de Truffaut como contador de histórias "ligeiras", porventura líricas, em contraste com as abordagens "sérias" de um compagnon de route como Jean-Luc Godard corresponde a uma visão sem fundamento — a sua filmografa, mesmo nos momentos mais irónicos (lembremos o título final, Finalmente Domingo!), integra sempre um assombramento trágico cujas raízes pertencem às ambivalências e contradições da pulsão amorosa.
A descobrir para muitos espectadores será, por certo, o maravilhoso La Peau Douce/Angústia (1964), com Françoise Dorléac, em parte rodado em Lisboa, com António da Cunha Telles como coprodutor — eis o trailer original.
