Memórias germânicas de Thelonious Monk — lançado nos dias finais de 2025, eis uma das preciosidades a considerar, desde já, para o balanço musical de 2026. Gravado a 8 de março de 1965 nos estúdios da Rádio Bremen, é o primeiro álbum de Thelonious Monk com a Columbia, depois de quatro anos ligado à Riverside, agora com a novidade de Larry Gales (contrabaixo) e Ben Riley (bateria), mantendo-se Charlie Rose (saxofone), acompanhante de Monk desde 1959.
Exibindo a mestria do bop, dir-se-ia que há sinais — nomeadamente no solo de Don't Blame Me [aqui em baixo] — de um pressentimento das linguagens vanguardistas que estavam a germinar. Pianista de gestos geométricos, firmes, por vezes como se fossem derivações da percussão, Monk possui a paradoxal energia poética de quem se mantém aberto a um diálogo íntimo e produtivo, em especial com o saxofone de Rose — a comparar com os ziguezagues criativos, de alguma maneira complementares, do notável Solo Monk, outra edição de 1965.
