As electrónicas e dissertações vocais de Julianna Barwick aliam-se à harpa de Mary Lattimore para um álbum que merece o seu título: Tragic Magic é uma cerimónia secreta de muitas cumplicidades, envolventes e sensuais, concretas e abstractas. Apetece dizer que o lirismo (rima com onirismo) do projecto não será estranho à herança de Badalamenti/Lynch. Seja como for, os resultados distinguem-se por uma postura muito própria, a meio caminho entre a nostalgia romântica da ópera e o gosto de uma experimentação que apela ao ambiente e, mais do que isso, à teatralidade de uma grande sala — exemplo: o tema de abertura, Perpetual Adoration, numa gravação no Lou Lou's Jungle Room, em San Diego.
