Porquê New Vienna? Porque já existia um Vienna Concert, gravado em 1991 e editado, também pela ECM, em 1992. Foi gravado em 2016, na Musikverein, e ilustra o génio de um pianista que, partindo das liberdades do improviso jazzístico (lembremos o emblemático Facing You, 1971), foi protagonizando uma trajectória em que a atração do chamado domínio clássico aconteceu, não exactamente como um salto qualitativo, antes como a abertura de uma fronteira em que as formas de comunicação musical vão diluindo as matrizes tradicionais de indexação cultural (ouça-se Carl Philipp Emanuel Bach’s Württemberg Sonatas, gravação de 1994 editada em 2023). O aparecimento de New Vienna corresponde também a uma forma de resistência, já que Jarrett não desistiu de organizar e dar a ouvir os seus registos, apesar dos efeitos dos dois AVC que sofreu em 2018, obrigando-o a caminhar com uma bengala e impossibilitando o uso da mão esquerda. Depois do Bordeaux Concert (2022), também da digressão de 2016, o lançamento de New Vienna serviu para comemorar o 80º aniversário de Jarrett (nascido a 8 de maio de 1945 em Allentown, Pensilvânia), levando-nos a redescobrir a amplitude dos seus dotes e a magia da relação solitária com o piano — se é necessário haver um álbum a que damos a designação de "disco do ano", será este.
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[ Jonny Greenwood ] [ Bruce Springsteen ] [ Alice Sara Ott ]
