sexta-feira, novembro 22, 2013

Novas edições:
Ultravox, The Albums 1980-2012


Ultravox

“The Albums 1980-2012”
Chrysalis
3 / 5

Formados em meados dos anos 70, procuravam espaços distantes do que então a revolução punk propagava. Trabalharam com Brian Eno num primeiro álbum, com Steve Lillywhite no primeiro e segundo, na faixa final desse HaHaHa (1977) – Hiroxima Mon Amour - encontrando no diálgo das guitarras com as (emergentes) electrónicas um rumo, que exploraram mais profundamente em Systems of Romance (1978), que gravam sob produção de Conny Plank, figura referencial do krautrock (com passagem por nomes como os Cluster ou Can). A falta de resultados fez com que a editora colocasse um ponto final no seu relacionamento, a saída do vocalista (John Foxx, que encetaria carreira a solo) e do guitarrista deixando o núcleo dos Ultravox – Billy Currie (teclas), Chris Cross (baixo) e Warren Cann (bateria) – sem um futuro nítido pela sua frente. Cann colaborou então em sessões dos Buggles, Cross participou em concertos de outros músicos e Currie foi chamado a estúdio por Gary Numan e também pelo projeto Visage (de Steve Strange e Rusty Egan, figuras da noite londrina que então teciam as ideias do que em breve seria a vaga new romantic). É nos Visage que conhece Midge Ure, que aceita juntar-se aos Ultravox encetando uma segunda etapa, aí nascendo a formação “clássica” do grupo. Os dois primeiros álbuns que gravam – Vienna (1980) e Rage in Eden (1981) – retomam o contacto com Conny Plank, aprofundando o trabalho de ligação de heranças pop/rock às potencialidades melódicas e cénicas (chamavam-lhe “atmosféricas”) dos sintelizadores. O contexto de época, a imagem que adotam e a eventual ligação aos Visage acaba por associá-los ao espaço new romantic, sendo que talvez tenham representado a banda com mais ambições arty do “movimento”, procurando um terreno ocasionalmente mais experimental (sem nunca sair das fronteiras da pop) que contemporâneos como os Spandau Ballet, Duran Duran ou Classix Nouveaux, que eram então, juntamente com os Visage, o núcleo “ideológico” do movimento. O sucesso, sobretudo de Vienna, lança-os para um patamar de grande visibilidade que continuam em álbuns posteriores como Quartet (de 1982, produzido pelo veterano George Martin), Monument (registo ao vivo de 1983) e Lament (de 1984, autoproduzido). No primeiro procuram um som mais grandioso, ensaiando mesmo a dimensão de hinos, no segundo reforçam a busca de cenografias mais atmosféricas, embora sem o sentido aventureiro dos álbuns de 80 e 81. U-Vox (de 1986, num reencontro pouco focado com Conny Plank) é valente equívoco que abre portas a um flirt com o sinfonismo e heranças célticas que acabam por definir um álbum medíocre e, finda a digressão que se sucedeu, a separação desta formação. Currie juntou outros músicos para gravar na primeira metade dos anos 90 dois novos álbuns de estúdio (musicalmente inconsequente e mediaticamente invisíveis). Mas em 2009 a formação “clássica” reuniu-se, primeiro para se fazer à estrada, depois para gravar um novo álbum. Desta nova etapa, ainda em curso, resultaram assim mais um álbum ao vivo – Return To Eden – Live At The Roundhouse (2012) e Brilliant (2012), o primeiro disco de inéditos que os quatro gravam desde 1984 (uma vez que o baterista Warren Cann não colaborara já em U-Vox). Algo assombrados pela memória evidente de Rage in Eden (a ligação é bem nítida no algo mimético Brilliant), este é um presente que vive claramente do peso das memórias. Pelo que faz sentido a presente reunião de todos estes álbuns sob uma caixa comum. É verdade que os dois títulos verdadeiramente interessantes desta etapa – Vienna e Rage in Eden – já tiveram edições com som remasterizado e com extras, o mesmo tendo já sucedido a Quartet e Monument. The Albums 1980-2012 permite uma visão panorâmica que se destina mais a admiradores e colecionadores. Porque, convenhamos, depois de 1982, a obra dos Ultravox nunca repetiu os instantes de consequente inspiração que deles fizeram referência pop/rock na alvorada dos oitentas, facto não apenas reconhecido por algumas bandas pop/rock indie pós-ano 2000 como junto dos pioneiros do techno (que encontraram em Mr X, do álbum Vienna, um momento de rara visão).