quinta-feira, Julho 04, 2013

Novas edições:
Julian Cope, Revolutionary Suicide

Julian Cope 
“Revolutionary Suicide” 
Head Heritage 
4 / 5

Passaram quase 20 anos sobre Autogeddon (1995) e 20 Mothers (1995) talvez os últimos álbuns de relativa visibilidade de Julian Cope, um dos nomes mais interessantes nascidos do pós-punk britânico em finais dos anos 70. Começou por chamar atenções quando militou na “santíssima trindade” pós-punk de Liverpool quando, a bordo dos Crucial Three partilhou espaço de trabalho com Ian McCulloch (que pouco depois formaria os Echo & The Bunnymen) e Pete Wylie (que formaria os Wah!). Ele mesmo começou por afirmar a sua personalidade numa banda, os belíssimos Teardrop Explodes que cedo abandonou para uma carreira a solo encetada em 1984 com dois primeiros álbuns de carreira algo discreta ao que sucedeu o monumento indie pop a que chamou Saint Julian (1987), disco que sublinharia expressões formalmente apuradas de visões que continuaria a explorar nos subsequentes My nation Undreground (1989), Peggy Suicide (1991) e Jehovahkill (1992)... Com o tempo, e sobretudo depois de encontrar na sua própria editora – a Head Heritage, que fundaria em 1996 - um espaço para seguir demandas menos consensuais que o levaram a ensaiar ideias com drones, ecos do krautrock ou marcas de uma admiração pelas fundações históricas do rock "alternativo" (ler Stooges e afins), Julian Cope alargou o seu espaço de ação a outros interesses pessoais, da história da própria música popular a olhares mais distantes no tempo sobre a cultura megalítica na Europa, chegando mesmo a assinar vários livros sobre ambos os temas... Contudo nunca deixou de fazer música, os discos sucedendo-se a um ritmo invulgarmente rápido para os modelos do nosso tempo, muitos deles caminhando algo afastados das atenções, apesar do teor atual (e interventivo) de olhares que lança sobre focos de tensão do nosso tempo, a noção de revolução habitando frequentemente entre as suas canções. Revolutionary Suicide não será necessariamente uma súmula ou mesmo tese definitiva sobre temas caros a Julian Cope. Mas num álbum em que “arruma” geografias e reflexões sobre a ideia de revolução, Julian Cope concebe também não só a sua melhor coleção de canções em mais de 20 anos mas também aquela em que mais parece aberto à escuta de heranças de si mesmo, revisitando formas e registos que tanto recuam à alma pop dos Teardrop Explodes como revisita os flirts com eletrónicas dos dias da breve aventura que editou como Droolian em inícios dos noventas. Álbum duplo, guarda no primeiro disco um tríptico essencialmente acústico e lança pelo segundo uma coleção de canções com o viço conjunto que não escutávamos num álbum seu desde a alvorada dos noventas. Sabe tão bem ver um veterano a regressar ao seu melhor!