sexta-feira, março 04, 2011

Oscars: os velhos e os novos


Ainda os Oscars de 27 de Fevereiro de 2011: de um lado, a imagem de marca dos novos, James Franco e Anne Hathaway [foto]; do outro, as memórias decorrentes da presença de admiráveis veteranos como Kirk Douglas — este texto foi publicado no Diário de Notícias (1 de Março), com o título 'Elogio das belas senhoras'.

Como atrair para os Oscars os espectadores para quem o modo ideal de acesso ao cinema passou a ser o download de filmes e já não as salas escuras? A questão tornou-se uma prioridade na estratégia da Academia de Hollywood. E a resposta dada foi simples e eficaz: dar lugar à juventude. Não apenas em sentido literal, com dois jovens actores (James Franco e Anne Hathaway) como apresentadores, mas também no plano conceptual: desde as novas formas de montagem dos extractos dos nomeados até à inserção das canções, fomos presenteados com diversos modelos de transfiguração material e fragmentação narrativa, bem típicos da “idade digital” em que, melhor ou pior, vamos vivendo.
Tudo isto seria, por certo, demasiado frio e abstracto se não tivesse existido algum contraponto simbólico. Os novos coexistiram com os velhos, de acordo com uma lógica salutar que nos poupou à caricatura dos primeiros e ao paternalismo em relação aos segundos: esta foi, afinal, a cerimónia em que Kirk Douglas (94 anos!) veio ao palco apresentar as “belas senhoras” candidatas ao Óscar de melhor actriz secundária [video em baixo, omitindo a identificação das nomeadas]. Melissa Leo (a vencedora), Amy Adams, Helena Bonham Carter, Haille Steinfeld e Jacki Weaver conseguiram, assim, ser cortejadas ao estilo mais clássico de Hollywood. Em tempos de crise do cavalheirismo, esperemos que os mais jovens tenham aprendido a lição.