quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Berlim 2011 — no coração da história


O actor: Alexander Fehling. A personagem: Andreas Baader. Ou como os traumas herdados da violência do Grupo Baader-Meinhof continuam a percorrer o corpo vivo do cinema alemão. O filme, Wer Wenn Nicht Wir (Se Não Formos Nós, Quem), nem sempre consegue escapar ao enquadramento "documental" mais típico de alguns filmes e telefilmes ditos de "reconstituição" — seja como for, esta estreia na ficção do documentarista Andres Veiel reflecte uma vontade obstinada de não virar as costas às convulsões da história, na certeza de que procurar o espectador que está do outro lado passa sempre pela necessidade de partilhar essa história. Eis algo que não se mede apenas pela "quantidade" de bilhetes vendidos e que, sobretudo em países de produção mais fragilizada, valia a pena pensar de forma sistemática. Como? Começando por não pactuar com o moralismo historicista de muitas linguagens ditas audiovisuais.