Texto publicado na revista de te-levisão do Diário de Notícias (12 Out.), com o título 'Sonhos conjugais' >>> Segundo infor-mações disponíveis na página da Internet de
Casamento de Sonho (TVI), este é um pro-grama “ emocionante e ar-rebatador” em que “vamos poder seguir o destino destes noivos apaixonados e a sua luta para conseguir ganhar o Casamento com que sempre sonharam e 100.000 euros em dinheiro!”
São directrizes sobre as quais valeria a pena alargar o debate. De facto, sabemos bem que, dos protagonistas da cena política aos responsáveis pelas televisões, os discursos dominantes possuem a salutar virtude de defender o papel moralizador da família, recusando a perversão dos seus laços pela histeria consumista. Curiosamente, ninguém diz nada sobre esta mercantilização do espaço conjugal.
É mais fácil gritar que os filmes de Manoel de Oliveira duram horas intermináveis e... fazer “polémica”! Discutir os pressupostos éticos e estéticos que dominam a televisão em Portugal, eis o que quase ninguém quer fazer. Em todo o caso, lembremos que o mais recente filme de Oliveira dura 68 minutos, ironicamente menos que qualquer edição de
Casamento de Sonho.
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No site de
Casamento de Sonho, pode encontrar-se esta imagem, acompanhada do seguinte
texto:
Cansados do jogo do livro, os concorrentes inventaram outro divertimento: o jogo da pedrinha verde. Há uma pessoa que está de joelhos com os olhos vendados e tem que acertar em três perguntas inventadas por eles, a última fazem sempre questão que ninguém acerte. Como a pessoa perde tem que beijar a pedrinha... mas que na verdade é o braço de Paulo, só que quando tira a venda, a "vítima" pensa que beijou o cu do João, porque este está com ele à mostra. Na vez de Ana esta ficou reticente e pensou que beijo mesmo o rabo do João, Joana beijou mas acertou que era o braço do Bruno.Isto passa-se no mesmo país onde continua a ser de bom tom difamar qualquer reflexão séria sobre a responsabilidade social da televisão. Registemos.