
Vale a pena ler a entrevista do produtor Paulo Branco a Eurico de Barros, no
Diário de Notícias (
11 de Agosto). Os pretextos imediatos para o diálogo são as suas participações em próximos festivais internacionais de cinema — como membro de júri, em
Veneza, e ainda através de dois filmes que produziu:
Body Rice, primeira longa-metragem de Hugo Vieira da Silva, a competir em
Locarno, e
Transe, de Teresa Villaverde, agendado para
Toronto. Paulo Branco tece algumas contundentes considerações sobre a evolução/involução cultural do país, por um lado referindo a secundarização política (ou uma política de secundarização) de áreas como a produção de filmes, por outro lado apontando
"a subordinação do poder político à força das televisões". Citação (
entre a ironia e a esperança, como sublinha Eurico de Barros):
"Espero que este seja só o lado paranóico da minha análise. É que o facto de se terem sempre conseguido fazer filmes em Portugal é heróico, mas agora já atinge dimensões épicas. Felizmente, é das dificuldades que muitas vezes nasce a qualidade. Não duvido que o cinema português continue a existir. Há 30 anos que o faz, no meio das maiores dificuldades."
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