São 11 anos e 1801 episódios — o último foi emitido a 21 de maio de 2026. Como encerrar uma história tão especial da televisão made in USA, e também da televisão realmente sem fronteiras? O derradeiro episódio de The Late Show, com Stephen Colbert, poderia ir roubar o seu subtítulo a uma canção dos Beatles — porque não?
sound + vision
segunda-feira, maio 25, 2026
sábado, maio 23, 2026
A televisão contra o cinema
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| RENÉ MAGRITTE A Condição Humana (1935) |
Onde está uma política cinematográfica que saiba ter em conta (e lidar com) a presença da televisão no tecido social do país? Não existe, nunca existiu — ete texto foi publicado na revista Metropolis (nº 129, abril).
* Desafetação. A palavra entrou, ou reentrou, no domínio cinematográfico português, mais concretamente a expressão desafetação de salas de cinema. De que se trata? Pois bem, dos pedidos para que os espaços dessas salas deixem de exibir cinema. São (ou eram) 44 a 10 de abril, dia em que um comunicado do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto deu a conhecer novas regras para a avaliação de tais processos. A desafetação de salas de cinema passará a envolver, não apenas os municípios em que se localizam, mas também o Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), a Direção-Geral das Artes (DGARTES) e a Cinemateca Portuguesa.
* Segundo a ministra Margarida Balseiro Lopes, tornou-se urgente tomar decisões neste domínio, não desligando os factores económicos de todo um contexto social mais geral. São dela estas palavras: “O destino das salas de cinema não pode ser decidido sem a ponderação do seu impacto cultural nos territórios. O modelo que agora introduzimos assegura decisões mais informadas e abre espaço à identificação de alternativas, num diálogo institucional que também se estende aos autarcas”.
* O estudo agora divulgado reconhece também que importa combater os impasses burocráticos e "simplificar processos, evitar duplicações e, sobretudo, oferecer aos promotores e gestores de espaços culturais uma interlocução mais clara e eficiente com o Estado, tornando a rede mais robusta e mais capaz de cumprir a sua missão de democratização cultural". Sem esquecer que a ministra solicitou ao ICA um estudo aprofundado dos públicos, com o objetivo de "analisar as motivações, expectativas e constrangimentos associados à experiência cinematográfica e garantir informação estratégica ao desenho das políticas públicas para o setor".
* A boa vontade de tais propósitos suscita uma dúvida metódica que não decorre da acção do actual governo — em boa verdade, tem que ver com uma demissão (política e estrutural) que, de uma maneira ou de outra, foi contaminando as políticas culturais propostas por todas as forças políticas ao longo de décadas de democracia. A saber: não é possível conhecer e pensar o estado das coisas sem ter em conta as várias matrizes televisivas que, de modo perverso e continuado, têm ajudado a decompor os públicos de cinema.
* E não me refiro apenas à secundarização dos filmes nas programações dominantes de televisão e ao apagamento do cinema (e das actividades artísticas) de quase toda a informação jornalística do pequeno ecrã — em proveito, como bem sabemos, de uma obscena avalanche de futebol. Penso, em particular, no triunfo de modelos estereotipados e medíocres — telenovelas e Reality TV — cujos efeitos práticos não se confundem, com toda a certeza, com a formação de públicos de cinema. É aí que está a caixa negra do cinema em Portugal, aqui e agora.
quarta-feira, maio 20, 2026
terça-feira, maio 05, 2026
The Rolling Stones, In the Stars
Foreign Tongues, 25º álbum de estúdio dos Rolling Stones chega a 10 de julho. O primeiro single, In the Stars, garante-nos que não nos enganámos no caminho — para mais reinventando os modelos correntes do lyric video.
domingo, maio 03, 2026
Um pouco mais de Glass (Philip)
Da nossa sessão na FNAC, dedicada a Philip Glass, eis uma curiosa dicotomia. Ou seja: um extrato do filme de Geoffrey Reggio, Koyaanisqatsi, de 1982, com música de Glass, e o teledisco de Ray of Light, de Madonna, realizado por Jonas Akerlund em 1998.
Ou como a aliança música/imagens se reinventa, neste caso sob o signo de uma velocidade que gera a sua própria estética — para saborear e divertir.
sábado, maio 02, 2026
Philip Glass
SOUND + VISION Magazine [hoje, dia 2]
Celebramos os 50 anos da ópera Einstein on the Beach, ao mesmo tempo evocando a multifacetada obra de Philip Glass — são memórias musicais, teatrais e cinematográficas.
>>> FNAC Chiado — 2 maio (17h00).
sexta-feira, maio 01, 2026
O Massacre de Gilles de Rais no YouTube
O Massacre de Gilles de Rais, de Juan Branco, está no YouTube. Filme de produção marginal, quanto mais não seja pela sua austeridade, prossegue, assim, a sua saga colocando-se no centro da corrente (de imagens e sons) em que vivemos — eis o link.
sexta-feira, abril 24, 2026
Piotr Anderszewski toca Brahms
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| [ Gramophone ] |
O pianista polaco Piotr Anderszewski encara as últimas composições de Johannes Brahms como acontecimentos que desafiam as certezas das estruturas e as nuances das melodias. Aí está a magnífica ilustração disso mesmo com Brahms: Late Piano Works [Warner] — das 6 Peças para Piano, Op. 118, eis o No. 2, Intermezzo.
quinta-feira, abril 23, 2026
segunda-feira, abril 20, 2026
Morreu Nathalie Baye,
actriz tão talentosa quanto discreta
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| [ Libération, 20 abril ] |
Actriz francesa de notável subtileza e versatilidade, Nathalie Baye trabalhou sob a direção de François Truffaut, Jean-Luc Godard e Steven Spielberg. Faleceu em Paris, contava 77 anos — este texto foi publicado no Diário de Notícias (18 abril).
A actriz francesa Nathalie Baye faleceu em Paris, na sexta-feira, dia 17 — contava 77 anos. A notícia foi divulgada pela sua filha, Laura Smet, também actriz, nascida da sua relação com Johnny Hallyday.
A sua formação artística foi fortemente influenciada pelos pais, Claude Baye and Denise Coustet, ambos pintores. Estudou bailado e, em boa verdade, a representação acabou por surgir como uma segunda opção que, em pouco tempo, se tornaria uma escolha irreversível — primeiro nos palcos, depois nos filmes. Começou por se desatacar em A Noite Americana (1973), de François Truffaut, um retrato dos bastidores da produção de um filme — Bayer surgia como a assistente do realizador, interpretado pelo próprio Truffaut.
O seu imenso talento foi-se afirmando através de papéis com componentes dramáticas muito contrastadas, fazendo valer a sua subtileza e versatilidade. Em termos mediáticos, manteve-se como uma figura relativamente discreta, embora muito conhecida e respeitada, como o provam os quatro Césares que ganhou. Eis cinco momentos emblemáticos da sua filmografia de mais uma centena de títulos.
A VIDA ÍNTIMA DE UM CASAL (1974)
Primeiro grande papel dramático de Nathalie Baye, contracenando com Philippe Léotard (na altura seu companheiro). Sob a direção de Maurice Pialat, somos projectados num universo familiar contaminado pela morte iminente da mãe da personagem de Léotard — exemplo extremo e fascinante de um realismo radical, sem tréguas.
O QUARTO VERDE (1978)
De novo sob a direção de François Truffaut, e também com Truffaut no papel central, Nathalie Baye interpreta uma figura incauta que descobre um homem que construiu um verdadeiro templo de adoração da sua falecida mulher — são fantasmas de vida, morte e desejo tratados numa “mise en scène” de infinito pudor, com a música sinfónica de Maurice Jaubert.
SALVE-SE QUEM PUDER (1980)
A partir de uma pequena galeria de personagens envolvidas em frágeis laços familiares e profissionais, Jean-Luc Godard assinava um filme genuinamente revolucionário, tanto pela visão depurada de novas relações humanas, como pela reinvenção das relações tradicionais entre imagem e som. Nathalie Baye arrebatou aqui o seu primeiro César, contracenando com Jacques Dutronc e Isabelle Huppert.
APANHA-ME SE PUDERES (2002)
A par de outras actrizes francesas, como Catherine Deneuve ou Isabelle Huppert, Nathalie Baye nunca "conquistou” Hollywood, mas bastaria este filme de Steven Spielberg para recordarmos o capítulo americano da sua carreira. Baye assume a personagem da mãe de um lendário vigarista, interpretado por Leonardo DiCaprio, num registo em que a crueza do drama se cruza com o absurdo do burlesco.
LAURENCE PARA SEMPRE (2012)
Foi um título decisivo na projeção internacional do jovem realizador canadiano Xavier Dolan (então com 23 anos). No seu centro descobrimos a personagem de Laurence, interpretado por Melvil Poupaud, protagonista de uma existência capaz de desafiar os padrões tradicionais da sexualidade — e também do romantismo. Nathalie Baye interpreta a mãe de Laurence.
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