>>> Obituário no New York Times.
>>> Site oficial de Elmore Leonard.
Manuel Cintra Ferreira [foto à esquerda], o mais antigo programador em actividade da Cinemateca Portuguesa (crítico do semanário Expresso), acaba de ter um singular gesto de amor pela casa em que trabalha: ofereceu, para a respectiva colecção, duas cópias de dois dos seus filmes de eleição. São eles The Searchers/A Desaparecida (1956), de John Ford, e The Thief of Bagdad/O Ladrão de Bagdad (1940), de Michael Powell, Ludwig Berger e Tim Whelan.
Foi um dos grandes cenógrafos, directores artísticos e designers da idade clássica de Hollywood — Robert Boyle (por vezes, assinava também Robert F. Boyle) faleceu no Cedars Sinai Hospital, de Los Angeles, contava 100 anos. A sua carreira é inseparável de alguns dos mais sofisticados conceitos visuais da obra de Alfred Hitchcock, tendo trabalhado com ele em cinco filmes, entre os quais o thriller político de 1959, Intriga Internacional (que lhe valeu uma das suas quatro nomeações para os Oscars, sem nunca ter vencido), e em 1963 a adaptação do conto de Daphne Du Maurier, Os Pássaros [imagem do genérico].
Desde os anos 40 até finais da década de 70, o seu nome ficou ligado a mais de uma centena de títulos, incluindo Sumatra, Terra de Paixões (1953), de Budd Boetticher, O Quimono Misterioso (1959), de Samuel Fuller, Barreira do Medo (1962), de J. Lee Thompson (o primeiro Cape Fear que seria refeito, em 1991, por Martin Scorsese) , A Sangue Frio (1967), de Richard Brooks, O Grande Mestre do Crime (1968) e Um Violino no Telhado (1971), ambos de Norman Jewinson, e O Atirador (1976), de Don Siegel (derradeiro filme de John Wayne). Em 2008 [foto], a Academia de Hollywood atribuíu-lhe um prémio honorário pela carreira.
Entre 1959 e 1965, interpretou a personagem de Adam Cartwright, um dos irmãos da popularíssima série do Oeste Bonanza — Pernell Roberts, actor e cantor americano, nascido a 18 de Maio de 1928, faleceu no dia 24 de Janeiro, vítima de cancro, na sua casa de Malibu, California.>>> O célebre tema de Bonanza, embora quase sempre utilizado na sua versão instrumental, era no original uma canção (composta por Jay Livingston e Ray Evans). Johnny Cash foi um dos que a gravou, incluindo-a no álbum Ring of Fire: The Best of Johhny Cash (1963) — neste primeiro video evocamos o genérico de Bonanza; a seguir, a versão de Cash, com uma montagem de imagens da série.
O nome de Budd Boetticher (1916-2001) é, por certo, um dos mais sistematicamente esquecidos na paisagem do grande cinema clássico americano e, muito em particular, nas memórias da sua produção de série B. Aliás, basta atentarmos nesta edição do seu filme A Marca do Terror/The Tall T (1957) para percebermos como a sua herança permanece mais ou menos ignorada — a capa do DVD nem sequer refere o seu nome.
A estreia de Histórias de Cabaret — no original, Go Go Tales — permite-nos reencontrar a festiva intransigência de Abel Ferrara e do seu cinema não alinhado — este texto foi publicado no Diário de Notícias (10 de Abril), com o título 'A nostalgia já não é o que era'.A notícia foi caindo discreta (em alguns meios, atrasada), mas o certo é que o património histórico da crítica de cinema perdeu uma das suas referências míticas — no passado dia 18 de Agosto, faleceu Emanuel Farber, para a história Manny Farber, um dos mais singulares críticos que o século XX, afinal o século do cinema, conheceu. Tinha 91 anos.
Tendo estudado e praticado pintura — por vezes homenageando através dos seus quadros os seus cineastas de eleição —, Manny Farber foi criador de uma escrita em que a deambulação formal e artística resistia a todas as hierarquias consagradas. O seu distan-ciamento em relação a cineastas de "peso" (chamou-lhes mesmo "búfalos de água") como Orson Welles ou Alfred Hitchcock era contrabalançado por uma admiração militante por "artesãos" como Anthony Mann, Raoul Walsh ou Budd Boetticher e, de um modo geral, pelo espírito de série B.
Começou por escrever em The New Republic, tendo passado, entre outras publicações, pela Time, Art Forum, Film Culture e Film Comment. De Farber persiste, assim, uma herança plural que celebra, acima de tudo, o cinema como fenómeno específico, exuberante, sempre em aberto. O seu derradeiro texto data de 1977, foi publicado na Film Comment e tinha como objecto o trabalho da cineasta belga Chantal Ackerman. Uma antologia do seu trabalho existe editada, pela Da Capo Press, com o título Negative Space.
>>> Obituário em The New York Times.
>>> Manny Faber por Paul Schrader.