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| Howard Hughes, aliás, Warren Beatty |
terça-feira, novembro 21, 2017
O sexo segundo Hollywood
sexta-feira, abril 28, 2017
A IMAGEM: Diane Arbus, c. 1970-1971
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| DIANE ARBUS Sem título c. 1970-1971 |
domingo, junho 19, 2016
Para ler: uma nova biografia
da fotógrafa Diane Arbus
Podem ler na New Yorker um artigo de Anthony Lane que apresenta o livro.
terça-feira, novembro 18, 2014
Malkovich por Malkovich (1/2)
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| Variações de Casanova |
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| Malkovich / Bette Davis |
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| Histoire de Ma Vie |
quarta-feira, maio 21, 2014
Novas edições:
Tori Amos, Unrepentant Grealdines
"Unrepentant Geraldines"
Unrepentant Geraldines surge depois de finalmente estreado o musical The Light Princess, composto pela própria Tori Amos e que, em 2015, terá edição em disco com o elenco que assegurou a sua vida em palco. Mas o mais importante estímulo que conduziu Tori Amos a estas canções foi o aprofundar da sua relação com as artes visuais. Um esboço de Daniel Maclise, uma fotografia de Diane Arbus ou uma ilustração de Dante Gabriel Rossetti inspiraram respetivamente canções como Unrepentant Geraldines, America ou Maids of Elfen-Mere.
Tori Amos faz contudo questão de sublinhar a importância que teve a sua relativamente recente descoberta de Paul Cézanne, que está na origem do tema 16 Shades of Blue. "Sei que levei tempo a chegar" a Cézanne, confessa na entrevista que podemos ver no DVD que acompanha o disco. "Há anos que me davam livros sobre o seu trabalho, mas eu não chegava lá... Só apanhamos as coisas quando estamos prontos para as compreender", reconhece, confessando que só recentemente conseguiu finalmente "escutar" a pintura de Cézanne. Leu então tudo o que encontrou sobre o pintor e a sua obra. E deixou-se maravilhar pela forma como "saía para a natureza", e como nela conseguia ver o corpo de uma mulher.
Muito estimulado por imagens, este disco é um álbum que, mesmo que musicalmente assente sobre a já "clássica" linha central da obra de Tori Amos, é um reflexo do nosso tempo. Na entrevista que acompanha a versão especial do álbum, Tori Amos explica que tanto juntou aqui uma forma de contar histórias ao jeito de um Johnny Cash como reflete sobre questões do presente, das esferas da política às da segurança (sendo bem evidente a sua preocupação sobre as revelações recentes sobre atos de espionagem e escutas em grande escala).
America, que abre o alinhamento, traduz uma relação consciente e crítica com a sua identidade americana. "Quando entro num lugar e me escutam o sotaque já têm uma ideia de mim, como se todos os americanos fossem iguais", comenta na mesma entrevista. Tori Amos explica que há ideias feitas, por vezes "por causa de um político" e defende que os americanos deviam pensar melhor a sua terra "e como tem sido usada" e que, por isso, os mais novos devem procurar saber que papel se espera para esta mesma América no futuro.
PS. Este texto foi originalmente publicado na edição de 19 de maio do DN com o título "Tori Amos regressa com disco inspirado pelas artes visuais"
terça-feira, setembro 11, 2007
A IMAGEM: Diane Arbus, 1970
Media / McCann (6)
Macbeth (1948), de Orson WellesConfesso a minha pertença a um clube infinitamente minoritário: ao contrário de muitos concidadãos, não passo a vida a especular se o pai e a mãe de Madeleine McCann são "inocentes" ou "culpados", não vivo para esse jogo obsceno de telenovela em que quase todos se condenam a encarar a existência (a sua e a dos outros) como se fosse um imenso bordel de jogos de
investigação policial. Conheço os factos e aguardo para saber — além do mais, a situação parece-me sufi-cientemente perturbante para não lhe acrescentar o gratuito da especulação e do moralismo. Inocentes ou culpados, os McCann devem ser respeitados na condição de presunção de inocência que a lei lhes garante.Em todo o caso, não consigo ficar indiferente a uma nova tendência, para mais expressa com a exuberância de quem, subitamente, se afirma confrontado com um mistério que a história da humanidade escondeu de tudo e de todos. Assim, passou a ser chic proclamar que, "se os McCann forem culpados", então a nossa crença na bondade humana ficará muito abalada...
Como? Importam-se de repetir? De repente, parece haver pessoas que julgam que os milénios de histórias das famílias são um paraíso de paz e harmonia, porventura com anjos castos a dormitar debaixo das camas e no topo dos armários. De repente, a herança da tragédia grega desvaneceu-se... E Shakespeare? Connaît pas... Parece-me até que os que celebraram a morte do “poeta” Bergman, nunca se deram ao trabalho de olhar para um dos seus filmes.
Não se trata de demonizar a instituição família. E também não é um problema de enciclopedismo. Longe disso (já basta os “enciclopedis-
tas” internéticos que por aí andam). É um problema, isso sim, de aculturação, no sentido mais fundo e dramático que a palavra pode envolver: a cultura foi esvaziada do seu peso ancestral, da sua função de cimento colectivo e o mundo passou a ser pensado (?) como algo que começou neste preciso instante. “Os McCann podem ser culpados? Que horror! Ao longo de milénios, não é a família um espaço de radiosa harmonia e palpitante redenção?”
Como viver no meio deste infantilismo? Porque, de facto, é disso que se trata: uma suposta purificação do nosso olhar — e da nossa vontade de ver e saber — que nos fragiliza face à complexidade do mundo e às contradições da natureza humana. E tudo isso, insisto, independentemente de os McCann serem culpados ou inocentes. Como viver no meio desta recusa de ser adulto?
A Child Crying (1967), foto de Diane Arbusquarta-feira, junho 20, 2007
40 anos
A última vez que a vimos nos ecrãs foi no filme Fur, sobre Diane Arbus. Depois, não a vimos, mas pudemos ouvi-la a dar voz à mãe de Mumble, em Happy Feet. Entretanto, já concluíu The Invasion, sob a direcção de Olivier Hirschbiegel, contracenando com Daniel Craig (estreia portuguesa anunciada para 13 de Setembro). Está a rodar Australia, reencontrando Baz Luhrmann (que a filmou em Moulin Rouge), incluindo-se entre os seus projectos o título Need, com realização de Ryan Murphy, o criador da série Nip/Tuck. Provavelmente, imaginamo-la assim, como uma dama vinda directamente do século XIX, sempre um pouco fora deste nosso mundo acelerado. O certo é que ela é um pouco menos idosa que isso — de seu nome completo Nicole Mary Kidman, faz hoje 40 anos.quarta-feira, fevereiro 28, 2007
Corpo e alma
Gostamos de Diane Arbus (1923-1971). Falámos dela, em Novembro de 2005, a propósito de uma exposição, em Londres, no Victoria & Albert, desde logo chamando a atenção para o filme "biográfico" que sobre ela se anunciava, com Nicole Kidman sob a direcção de Steven Shainberg. Em Setembro de 2006, recordámos as suas espantosas fotografias, avançando com as primeiras notícias sobre a estreia do filme nos EUA. Ainda no mesmo mês, comentámos o livro de Patricia Bosworth em que Shainberg se baseou, voltando a remeter para o filme. Finalmente, em Novembro de 2006, dávamos conta de mais alguns ecos em torno do filme, perguntando se os distribuidores portugueses se iam dar ao luxo de ignorar um filme, à partida, tão motivador e, para mais, com a actriz mais popular do mundo?Pois bem, a resposta a esta pergunta é, felizmente, negativa. Com chancela da Lusomundo, Fur - Um Retrato Imaginário de Diane Arbus tem estreia portuguesa marcada para 15 de Março. E já podemos acrescentar que se confirmam as melhores expectativas: estamos perante um encantatório retrato de um processo criativo, por dentro, com uma Nicole Kidman prodigiosa, tendo a seu lado o genial Robert Downey Jr., num papel com tanto de ingrato (por razões de figuração do corpo) quanto de subtilmente emocional. Fur é um exemplo esclarecedor de como, se há um realismo do corpo, pode haver também um naturalismo da alma.
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Diane Arbus (3/3)
Diane Arbus (1923-1971) permanece como um dos mais fascinantes enigmas da história da fotografia no século XX: o seu trabalho possui a evidência de um realismo cru, à flor da pele, a par de um apelo para outra dimensão, porventura transcendental, sem dúvida trágica. Patricia Bosworth abordou-a numa notável biografia, acumulando factos, cruzando depoimentos, tentando seguir a vertigem suicida de Arbus. A partir do livro de Bosworth, o realizador Steven Shainberg (A Secretária) dedicou-lhe um filme que, embora longe de suscitar unanimidades, se conta entre os títulos mais estimulantes da época pré-Oscars nos EUA (onde estreou a 10 de Novembro) — chama-se Fur: An Imaginary Portrait of Diane Arbus e tem Nicole Kidman como protagonista, contracenando, entre outros, com Robert Downey Jr., Ty Burrell e Jane Alexander. 
Com estreia prevista para Janeiro/Fevereiro em vários países europeus, Fur continua a não constar das listas dos distribuidores portugueses. Será que as salas portuguesas, onde continuam a ser lançados muitos títulos irrelevantes (mesmo em termos comerciais), se vão dar ao luxo de ignorar um filme destes, por mero acaso com a actriz mais popular do mundo? Esperemos para ver (ou não ver...). Entretanto, aqui está o trailer.
quarta-feira, setembro 13, 2006
Diane Arbus (2/3)
A biografia de Diane Arbus, escrita por Patricia Bosworth, é um espantoso trabalho de recolha de informações sobre uma vida convusiva, fascinante, trágica. Inseparavelmente, trata-se de uma narrativa metódica, quase austera, capaz de nos dar uma visão íntima dessa mulher genial da fotografia contemporânea que se suicidou, em 1971, aos 48 anos de idade. Na capa da edição do livro de Bosworth (Vintage/Random House) surge uma espantosa imagem assinada por Eva Rubinstein, outra fotógrafa, nascida em 1933, cujo destino profissional se chegou a cruzar com o de Arbus, nomeadamente quando Rubinstein frequentou um dos seus cursos. A imagem resulta de um mútuo desafio: Arbus exigia aos seus alunos que fotografassem alguém ou alguma coisa que nunca tivessem fotografado antes; Rubinstein pediu para fotografar a própria professora. Embora surpreendida, Arbus aceitou, apenas impondo que a sessão de retratos fosse num determinado dia, às oito horas da manhã. A camisola preta e as calças de pele preta eram uma indumentária normal em Arbus; em todo o caso, foi assim que ela apareceu a Rubinstein, colocando-se na sala, tendo como fundo um conjunto de fotografias dispostas de forma mais ou menso aleatória, algumas delas, segundo Rubinstein, de conteúdo explicitamente sexual — a imagem data de 1970 ou 71, poucos meses antes da morte de Arbus.
O livro de Patricia Bosworth — que já escreveu biografias de Montgomery Clift e Marlon Brando — é o ponto de partida para o filme Fur: An Imaginary Portrait of Diane Arbus, muito provavelmente um dos títulos de que vamos ouvir falar a propósito dos Oscars referentes à produção de 2006. Dirigido por Steven Shainberg (A Secretária), o filme tem Nicole Kidman no papel de Diane Arbus; no elenco incluem-se ainda, entre outros, Robert Downey Jr., Ty Burrell e Jane Alexander. A fotografia é de Bill Pope e a música de Carter Burwell. A adaptação da biografia escrita por Bosworth esteve a cargo de Erin Cressida Wilson.sábado, setembro 09, 2006
Diane Arbus (1/3)
DIANE ARBUS Identical twins, Roselle, N.J. 1967
As gémeas de Roselle, New Jersey (1967), são uma das fotografias mais conhecidas de Diane Arbus (1923-1971). Mais do que isso: esta imagem transformou-se em símbolo da sua vocação de fotógrafa de seres mais ou menos "marginais", por vezes freaks, classificação que ela própria tinha consciência de ter gerado, mas contra cujo sentido redutor muitas vezes se re
voltou. Em The Shining (1980), Stanley Kubrick (1928-1999), que foi fotógrafo antes de realizar filmes — e, enquanto fotógrafo da revista Look, conviveu com Arbus —, citava ex-plicitamente a imagem das gémeas através das duas meninas que apareciam nos corredores do Overlook Hotel, quando o pequeno Danny (Danny Lloyd) dava os seus passeios de triciclo.
Mais de três décadas decorridas sobre o suicídio de Arbus, os seus "monstros" — travestis, gigantes, prostitutas, mas também crianças, estrelas de cinema ou incautos namorados — devolvem-nos uma paradoxal, por vezes comovente, dimensão humana. Ela foi, afinal, um emblema de um realismo cru, sempre revoltado contra o culto das aparências e a mera reprodução de clichés sociais ou afectivos. Está concluído um filme sobre ela: começou por se intitular Fur (chama-se agora Fur: An Imaginary Portrait of Diane Arbus) e estreia-se a 10 de Novembro nos EUA — a realização é de Steven Shainberg (A Secretária); Nicole Kidman interpreta a personagem de Diane Arbus.
MAIL
segunda-feira, novembro 28, 2005
Londres 05: rever Diane Arbus
Diane Arbus (1923-1971) é uma referência mágica na história da fotografia do século XX — mágica porque o maravilhoso pode nascer, nas suas imagens, dos extremos mais opostos, incluindo a monstruosidade; mágica porque a sua vida breve, concluída pelo suicídio aos 48 anos, é também um romance vivido na verdade, e pela verdade, da arte como reapropriação festiva do mundo. Discípula de Richard Avedon, formada no fotojornalismo (New York Times, Esquire, Harper's Bazaar, etc.), as suas imagens mais célebres, quase sempre no clássico formato quadrado, são de personagens marginalizadas pela pobreza ou pela doença, personagens a que ela reconhece uma grandiosidade tocante, tecida de ternura e fragilidade. Disse ela, uma vez: "A maior parte das pessoas atravessam a vida receando ter uma experiência traumática. Os 'freaks' já nasceram com o seu trauma. Já passaram o seu teste na vida. São aristocratas."
2006 vai ser, seguramente, um ano de revisitação e redescoberta da espantosa obra de Arbus, uma vez que se anuncia (EUA, Outubro) o lançamento do filme Fur, de Steven Shainberg (A Secretária), com Nicole Kidman a assumir a personagem da fotógrafa — Fur baseia-se no livro Diane Arbus: A Biography, escrito por Patricia Bosworth. Para já, algumas das suas imagens estão expostas em Londres — Nuno Galopim passou por lá.
* Quem passar por esta exposição pode aproveitar o momento para entrar na sala ao lado, onde se mostra uma espantosa selecção de nova fotografia e video da China actual. Imagens de corpos, figuras e espaços que desconstroem velhos ícones (dos mais tradicionais aos motivos da revolução cultural), num espantoso olhar por imagens de uma China nova, ainda por descobrir.







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