Um programa com música do século XXI. É a proposta para hoje (pelas 21.00 horas) e amanhã (às 19.00) na Fundação Gulbenkian, com a orquestra Gulbenkian, dirigida por Joana Carneiro, a apresentar Sidereus de Osvaldo Golijov, Wing on Wing de Esa-Pekka Salonen e City Noir, de John Adams. Esta última obra, que evoca memórias da Califórnia dos anos 40, teve estreia mundial na noite em que o maestro venezuelano Gustavo Dudamel assumiu a direcção artística da Los Angeles Philharmonic. O concerto conta aina com as presenças de Anu Komsi (soprano) e Piia Komsi (soprano).
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quinta-feira, novembro 17, 2011
Música do século XXI
Um programa com música do século XXI. É a proposta para hoje (pelas 21.00 horas) e amanhã (às 19.00) na Fundação Gulbenkian, com a orquestra Gulbenkian, dirigida por Joana Carneiro, a apresentar Sidereus de Osvaldo Golijov, Wing on Wing de Esa-Pekka Salonen e City Noir, de John Adams. Esta última obra, que evoca memórias da Califórnia dos anos 40, teve estreia mundial na noite em que o maestro venezuelano Gustavo Dudamel assumiu a direcção artística da Los Angeles Philharmonic. O concerto conta aina com as presenças de Anu Komsi (soprano) e Piia Komsi (soprano).
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domingo, junho 05, 2011
O filho da sinfonia
Estreada em 1992, a Chamber Symphony de John Adams revelou um interessante espaço de exploração de outras ideias numa altura em que muita da atenção do compositor se centrava no trabalho para o formato de uma grande orquestra. Longe de representar um espaço de protagonismo na soa obra, a sinfonia tem vindo contudo a ganhar alguma relevância para o compositor que, nos últimos tempos, viu duas a chegar a disco. Uma delas, a Doctor Atomic Symphony, decorreu directamente de uma adaptação de elementos da ópera Doctor Atomic. A outra, The Son Of Chamber Symphony, é editada já amanhã pela Nonesuch, em gravação pelo International Contemporary Ensemble, sob a direcção do próprio compositor. Criada para uma coreografia de Mark Morris (com o título Joyride), a sinfonia estabelece uma ligação directa com a Chamber Symphony, sobretudo pela forma como, trabalhando para um leque restrito de músicos e instrumentos, acaba por ceder um maior protagonismo a cada um. A diferença maior tem contudo a ver com uma expressão de personalidade. Se a Chamber Symphony resultara de um intenso estudo sobre Schoenberg, o seu “filho” traduz o fulgor de uma linguagem muito pessoal, e hoje profundamente sólida, que o compositor veio a talhar ao longo dos anos. A música sugere linhas melódicas, que integra numa rede complexa de acontecimentos, o viço rítmico que caracteriza alguma da escrita de Adams alicerçando então todo o edifício. O disco junta depois a esta curta e cativante sinfonia o Quarteto de Cordas (igualmente estreado em 2008) em interpretação pelo St Lawrence String Quartet.
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terça-feira, fevereiro 22, 2011
'Dr Atomic' em segundo DVD
John Adams, de quem o Met acaba de apresentar uma nova produção da ópera Nixon In China, vai ter uma outra ópera sua editada em DVD pela Sony Classics, resultado de uma outra produção apresentada no mesmo palco. Trata-se de Doctor Atomic, em versão dirigida por Alan Gilbert e com Gerald Finley no papel principal. Recorde-se que no mercado havia já uma edição anterior, igualmente com Finley como protagonista, em edição assegurada pela Opus Arte.
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domingo, fevereiro 20, 2011
Nixon (em alta definição)
Se alguém alguma vez teve dúvidas sobre se a ópera alguma vez deixou de ser um espaço de protagonismo na invenção de uma música do nosso tempo, nada como ver, para acabar com um qualquer eventual cepticismo, a mais recente produção de Nixon In China, de John Adams, que o Met levou a cena neste início de 2011 e que ontem a Gulbenkian apresentou naquela que foi a mais espantosa das propostas incluídas no programa de transmissões em alta definição a partir do palco nova iorquino. Se, em 1987, quando estreada, a ópera revelava as potencialidades de um compositor (que entretanto se fez um dos nomes maiores da história da música do presente), passados estes anos não só Nixon In China se afirmou como uma das obras centrais da música para palco do século XX, como revela ainda hoje um sentido de actualidade que tanto o espantoso libreto de Alice Goodman como a renovada reflexão da magnífica encenação de Peter Sellars continuam a vincar.
Sellars e Adams encaram esta ópera como uma entidade viva, que evolui e se transforma e assim não deixa nunca quer de reflectir a visão primordial que a definiu e os factos históricos que lhe servem de ponto de partida, como ao mesmo tempo permite o estabelecimento de pontes com um presente que assim da obra faz um objecto absolutamente contemporâneo. Na produção agora levada a cena no Met vinca-se o que terá sido um encontro de mundos que na verdade não se conheciam, um olhar crítico, por vezes sob coordenadas satíricas, pelas figuras do presidente e primeira dama e uma reflexão profunda sobre o fundamentalismo que vive junto de quem decide fazer os seus viver “segundo um livro”. A visão proposta aprofunda o fosso entre os pólos que ali se juntam, uma muralha deparando-se frente aos visitantes quando confrontados não apenas com o peso de tradições ancestrais como com as manifestações de uma revolução que entretanto impôs novas regras. A quase ausência de expressões de individualidade entre o povo visitado ganha depois particular força cénica através das secretárias de Mao, um trio de vozes-do-dono que expressam a carga opressiva do regime.
Se a encenação de Peter Sellars encontra novas formas de encarar a ópera e o libreto de Alice Goodman é ainda hoje um texto de impressionante actualidade, o trabalho em cena dos cantores e bailarinos junta mais argumentos em favor de uma produção notável. James Maddalena, que estreou o papel na produção original de 1987 (que podemos ouvir em gravação editada pela Nonesuch em 1988), é já um Nixon “veterano” e seguro no seu papel. Com ele contracenou uma espantosa Janis Kelly (Pat Nixon), não só brilhante no canto como revelando dotes de convincente interpretação (há aqui uma actriz a descobrir!). Igualmente notáveis foram o barítono Russel Braun (Chou En-Lai) e Kathleen Kim, mulher de Mao, a si cabendo o momento maior de toda a ópera no arrepiante I Am The Wife Of Mao Tse Tung.

Foi o próprio John Adams quem dirigiu, com fulgor, a orquestra do Met, da imponência cénica do momento que assinala a chegada do Air Force One ao mais discreto fundo que permite a introspecção das diversas figuras centrais no terceiro acto, sublinhando nos instantes certos as características de uma música que caminha entre as heranças directas do minimalismo norte-americano (espaço marcante na definição de alguns dos primeiros passos na obra de Adams) e ecos de tradições que ora passam por Wagner ou por alguma da música americana do século XX. Nota ainda para a espantosa captação de imagens e realização (a cargo de Sellars), que colocaram a plateia da Gulbenkian bem perto do palco do Met. Venha depois o DVD!
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sábado, fevereiro 19, 2011
Nixon in Lisboa

A Fundação Gulbenkian apresenta hoje pelas 18.00 horas, em transmissão em difereido do Met, em Nova Iorque, uma produção da ópera Nixon In China, de John Adams. Estreada em 1987, foi então a primeira ópera do compositor e também a sua primeira colaboração com o encenador Peter Sellars. Como o título sugere, somos transportados no tempo até a 1972, ano no qual ocorreu uma visita histórica do presidente norte-americano Richard Nixon à China de Mao, a ópera tomando assim como texto uma reflexão sobre os factos desse momento, por contexto o mapa político e social que traduzia o encontro e por personagens as figuras que, então, foram protagonistas da visita.
“Todas as minhas óperas lidaram, a níveis psicológicos profundos, com a nossa mitologia americana” afirma o próprio John Adams em palavras publicadas no site da Gulbenkian, acrescentando que “o encontro entre Nixon e Mao é um momento mitológico da história mundial e, em particular, da história americana.” É o próprio John Adams quem conduz a orquestra nesta produção que hoje a Gulbenkian apresenta em Lisboa e que representa um dos momentos maiores da presente temporada de transmissões em HD de óperas do Met.
JOHN ADAMS (maestro)
PETER SELLARS (produção)
Elenco:
KATHLEEN KIM
JANIS KELLY
ROBERT BRUBAKER
RUSSELL BRAUN
JAMES MADDALENA
RICHARD PAUL FINK

Nixon In China representou, em finais dos oitentas, a primeira incursão do compositor pelos espaços da política como ponto de partida para a construção de uma obra musical. A sua segunda ópera, The Death Of Klinghoffer (que data de 1991) recordaria depois o assalto ao navio italiano Achille Lauro por terroristas palestinianos. On The Transmigration Of Souls (obra de 2002) evoca as vítimas do 11 de Setembro. E a ópera Dr Atomic (2005), centra toda a sa atenção em volta de Oppenheimer nas horas que antecederam a primeira explosão atómica, em 1945.
Primeira ópera assinada por John Adams, Nixon In China representou, depois de Einstein On The Beach (1974), de Satyagraha (1980) e Akhnaten (1984), a trilogia-retrato de Philip Glass, a definitiva afirmação de uma renovada (e entusiasmada) relação do público dos nossos dias com o teatro musical. Afinal, a ópera estava viva, e de boa saúde! A música de Nixon In China reflecte ainda claramente sinais da etapa inicial da obra de John Adams, recorrendo ainda a formas e heranças directas do minimalismo, espaço ao qual podemos ligar a primeira etapa de uma obra que, com o tempo, mostrou depois saber caminhar adiante dessas primeiras linhas.

Podem ver aqui imagens de um excerto da ópera nesta sua nova produção apresentada pelo Met.
E aqui um post antigo sobre John Adams, Nixon In China e o interesse pelas questões políticas do compositor.
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sexta-feira, fevereiro 18, 2011
Na semana de 'Nixon In China' (4)

Ao longo desta semana o Sound + Vision recordou aqui alguns episódios ligados à história em disco de Nixon In China, ópera de John Adams que a Gulbenkian apresenta amanhã no Grande Auditório da Fundação, em transmissão (em diferido) do Met, de Nova Iorque. Hoje recordamos a capa de The Chariman Dances, disco de 1987 no qual era integrada uma peça para orquestra (que dá título ao disco) que o compositor compôs antes mesmo de trabalhar na ópera mas que, temática e esteticamente a antecede. Segundo as palavras do próprio John Adams, a obra foi um “aquecimento para depois embarcar na composição” de Nixon In China.
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quarta-feira, fevereiro 16, 2011
Na semana de 'Nixon In China' (3)

Contiunamos a contagem decrescente para a apresentação da ópera Nixon In China, de John Adams, no Grande Auditório da Gulbenkian, na tarde de sábado, dia 19. Hoje recordamos a capa de uma segunda gravação de Nixon In China, que chegou a disco em 2009 através de uma edição pela Naxos. Sob direcção de Marin Alsop, a gravação sublinha o valor histórico que a obra conquistou entre a produção operática de finais do século XX, sendo das raras obras da sua “geração” que já conheceram uma segunda gravação.
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terça-feira, fevereiro 15, 2011
Na semana de 'Nixon In China' (2)

Em contagem decrescente para a apresentação, na Gulbenkian (dia 19) da ópera Nixon In China, de John Adams, mais uma capa de uma edição discográfica relacionada com esta obra. Editado em 1990, Music From Nixon In China é uma selecção, reunida num CD único, de momentos da ópera, usando como ponto de partida a edição, em triplo CD, lançada pela Nonesuch em 1987.
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segunda-feira, fevereiro 14, 2011
Na semana de 'Nixon In China' (1)

Antecipando a apresentação, no quadro do programa Met Opera Live in HD, da ópera Nixon In China, de John Adams (passa na Gulbenkian, em transmissão em diferido de Nova Iorque na tarde do próximo sábado, dia 19), o Sound + Vision recupera esta semana capas de discos que representaram momentos relevantes da discografia relacionada com esta obra do compositor norte-americano (que ainda recentemente viu a sua música ser magnificamente integrada no filme Eu Sou o Amor, de Luca Guadagnino). Esta é precisamente a capa da gravação da produção original da ópera, editada em 1987 pela Nonesuch.
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segunda-feira, outubro 18, 2010
'Nixon in China' live in HD!
Mais uma boa notícia para os apreciadores de ópera. O programa Met Opera Live in HD, que integra a presente temporada de música da Gulbenkian, vai ter mais uma data acrescentada ao calendário. Trata-se, a 19 de Fevereiro, pelas 18.00 horas, de uma transmissão (em diferido) de uma produção de Nixon In China, de John Adams, contando com assinatura de Peter Sellars.
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domingo, setembro 12, 2010
E a árvore floriu
N.G.: A história da arte mostra-nos como frequentemente a invenção se alia à reinvenção para, olhando em frente e assimilando o que vem de trás, assim dar novos passos. John Adams, talvez o mais interessante (e um dos mais prolíficos) compositores de ópera do nosso tempo, concebeu em A Flowering Tree uma das mais belas criações de uma obra de absoluta referência na música de um presente em permanente construção. Escutou ecos da memória d’A Flauta Mágica de Mozart, contextualizou-os no cenário de um conto tradicional indiano. E compondo uma música incrivelmente rica em invenção melódica (cada vez mais distante da matriz minimalista do absolutamente marcante Nixon in China, de finais dos oitentas), fez de A Flowering Tree uma das mais belas óperas nascidas na década dos zeros.
Felizmente não foi preciso esperar muito tempo para ouvir (e ver) A Flowering Tree em Lisboa. E no concerto de sábado, aquele que se apresentava logo à partida como um dos episódios centrais do Festival Mozart (que abre a temporada da Gulbenkian este ano) resultou numa das melhores noites de música em palco que o ano lisboeta ouviu. Já com um triunfo parisiense com esta mesma ópera assinalado há alguns meses, a maestrina Joana Carneiro (assistente de John Adams à altura da estreia mundial de A Flowering Tree em 2006) a orquestra e coro Gulbenkian foram magistrais, devidamente acompanhados por três vozes igualmente espantosas, juntos corporizando história e música, sublinhando as suas qualidades narrativas e emotivas. A solução cénica encontrada para dar vida à versão de concerto que se anunciava foi valor acrescentado numa noite em que todos os elementos convocados somaram importante contribuição. A movimentação em palco, a opção por maximizar o minimalismo do elenco através de gestos que fizeram os cantores vestir ocasionalmente as peles de outras personagens e o belíssimo trabalho em vídeo (e as legendas liam-se tão bem!) ajudaram a árvore a florir. Com casa cheia a aplaudir em pé no final… E com vontade (assim espero) de ver, num futuro próximo, mais ópera de John Adams neste palco, seja com o já histórico Nixon in China ou o mais recente Doctor Atomic, em ambos os casos ainda sem estreia por estes lados…
J.L.: Será que existe, ou pode existir, um novo espaço de expressão susceptível de reintegrar o apelo do sagrado? Tendo em conta tendências várias da mais recente produção artística, não será arriscado considerar que A Flowering Tree constitui uma resposta muito especial — e também moralmente preciosa. Isto porque John Adams [foto] repõe a possibilidade de uma transcendência que está longe de se esgotar no mero ritual religioso (com toda a problemática da crença que, necessariamente, o envolve): esta é uma obra em que o impulso do sagrado nasce de uma transcendência paradoxal, em tudo e por tudo ligada à sensualidade da Natureza e das suas formas — seguimos, afinal, a história de uma terra de mel e elefantes... O que vimos e ouvimos no Grande Auditório foi a celebração modelar desse sentimento de pertença a um desígnio imenso, luminoso ou maligno, mas sem deuses castigadores. Apenas a maravilhosa pluralidade do factor humano, incluindo a bondade e o seu terrível contrário.
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sábado, setembro 11, 2010
'A Flowering Tree' hoje na Gulbenkian

A maestrina Joana Carneiro dirige hoje (pelas 19.00 no Grande Auditório da Gulbenkian) a Orquestra Gulbenkian, um elenco de três vozes - Ana Maria Pinto (Kumudha), Noah Stewart (príncipe) e Job Arantes Tomé (narrador) - e um coro numa versão de concerto da ópera de John Adams A Flowering Tree. A ópera conta ainda com encenação assinada por Rui Horta e trabalho em vídeo de Guilherme Martins.
A ópera A Flowering Tree surge integrada no programa do Festival Mozart uma vez que na raiz da ideia que a viu nascer está não mais senão A Flauta Mágica de Mozart. Encomendada para um festival que em 2006 pretendia assinalar os 250 anos do nascimento de Mozart, A Flowering Tree segue algumas das sugestões temáticas d’A Flauta Mágica (nomeadamente a magia e a transfiguração), projectadas contudo num conto tradicional indiano que assim assegura a medula narrativa da história. A Flowering Tree teve já uma edição em disco pela Nonesuch, em 2008.
PS. Sim, John Adams é o compositor da banda sonora de Io Sono L’Amore.
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domingo, junho 20, 2010
John Adams no cinema

Apesar de resultar da reunião de uma série de gravações de obras de John Adams já editadas em disco, a banda sonora de Eu Sou o Amor, acaba de chegar ao formato de CD. O álbum, tal como a banda sonora do filme, junta, entre outros, fragmentos de obras-chave do repertório de Adams como The Chairman Dances, Shaker Loops ou Harmonielehre, e tem edição pela Nonesuch (que desde meados de 80 edita em primeira mão a nova música do compositor norte-americano.
Eu Sou o Amor não é, contudo, a primeira experiência de Adams no cinema, embora represente a sua estreia num filme com semelhante projecção. Antes, John Adams tinha já composto música para os filmes Matter Of The Heart (1982), um documentário de Mark Whitney sobre C.G. Jung, e An American Tapestry (1999), de Gregory Nava.
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segunda-feira, maio 24, 2010
Uma obra-prima
Este texto foi publicado na edição de 20 de Maio do DN com o título ‘Quando a tradição deixa de ser o que era’.Em tempos, já lá vão uns 20 anos, Tilda Swinton tornou-se numa das presenças centrais na obra do realizador britânico Derek Jarman. Na última década, um outro cineasta ganhou um lugar destacado na carreira da actriz inglesa. Trata-se do italiano Luca Guadagnino, que, depois de The Protagonists (1999) e do documentário Tilda Swinton: The Love Factory (de 2002), a teve este ano como protagonista (e co-produtora) em Eu Sou o Amor (Io Sono L'Amore, no original), onde veste a pele da matriarca, de ascendência russa, de uma família da alta burguesia milanesa na viragem do milénio.
Com heranças do cinema de Luchino Visconti ou de Douglas Sirk, esta é uma saga familiar com a figura de Emma Recchi (Tilda Swinton) como centro de gravidade, ao seu redor evoluindo a transição dos negócios da família do velho patriarca para o seu marido e filho primogénito, a libertação da filha (que em Londres vive abertamente uma relação homossexual) e o projecto da abertura de um restaurante nascido do entusiasmo de um dos seus filhos e de um grande amigo seu, um chef. Este último desperta em Emma um desejo que, de certa forma, representa a primeira pedra a cair num processo de derrocada iminente que vai ameaçar os pilares da tradição que suportam a família
O argumento, assinado pelo próprio Guadagnino, com Barbara Alberti, vive na essência da magnitude que pode atingir um confronto entre a força revigorante do amor e a lógica ditada pela razão (que aqui suporta a tradição). A narrativa, assim como o trabalho dos actores (leia-se Tilda Swinton e competente leque de satélites), é a força que suporta o filme. O olhar, com gosto pelo detalhe, da câmara, a cuidada direcção artística e a música de John Adams (na verdade usando extractos de obras suas, entre as quais a ópera Nixon in China) conferem depois ao filme um valioso leque de valores acrescentados. A vivenda art déco onde vivem os Recchi é, mais que um simples cenário, um espaço vivo que molda as vidas e comportamentos que por ali circulam. As cores dos tecidos (seja nos estofos dos sofás seja nos vestidos das figuras femininas) é a fuga possível a uma ordem que traduz estabilidade antiga.O desejo de liberdade que o amor desencadeia na figura protagonista entra em cena como uma ameaça à velha ordem que durante anos suportou a tradição dos Recchi. Com o fôlego dramático de uma ópera (e convenhamos que a música de John Adams ajuda), Eu Sou o Amor é um retrato pungente de uma mulher que recusa dizer não a si mesma.
Imagens do trailer de Eu Sou o Amor
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sábado, janeiro 09, 2010
Uma primeira obra sinfónica
Iniciamos hoje a publicação de uma série de olhares sobre a obra gravada de John Adams, um dos mais importantes compositores do nosso tempo, com carreira pública desde início dos anos 70.
E começamos com Harmonium, a primeira obra sinfónica que compôs, sob pedido da San Francisco Orchestra em inícios dos anos 80, estreada em 1981 sob direcção de Edo de Waart, que recentemente havia assumido o cargo de maestro residente da orquestra. Coube a esta orquestra e ao maestro a primeira gravação de Harmonium, editada pouco depois pela ECM (capa da edição original ao lado).Obra sinfónica coral, usa dois poemas de Emily Dickinson e um de John Donne e representou, segundo o próprio compositor afirmaria mais tarde, o seu primeiro exemplo “maduro” de uma obra resultante da sua exposição ao minimalismo.
Apesar de, como reconhece na sua auto-biografia Hallelujah Juncion, ter notado, na estreia de Harmonium, que a obra “estava cheia de dificuldades nada razoáveis”, resultado “talvez” da sua “inexperiência na escrita para coro”, a verdade é que com o tempo esta acabou transformada numa das suas obras de referência, contando já com diversas gravações em disco. Além da gravação original, na ECM, foram editadas duas outras leituras, uma pela Atlantic Symphony Orchestra, dirigida por Robert Shaw (Telarc, 2007), a outra, sob direcção do próprio compositor, novamente com a San Francisco Orchestra em disco editado em 2005 no catálogo da Naxos.
Imagens de um excerto de Harmonium, em interpretação pela Brirmingham Simphony Orchestra, dirigida por Simon Rattle (que gravou um disco com obras de John Adams onde esta, contudo, não foi incluída).
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domingo, dezembro 27, 2009
Um olhar político
Esta é a versão editada de um conjunto de textos originalmente publicados na ewdição do DN Gente de 12 de Dezembro sob o título ‘Ópera com alma política’.
“Richard Nixon tinha sido o papão da minha juventude”, recorda John Adams na sua autobiografia Hallelujah Junction (editada pela Faber & Faber em 2008). Era, como acrescenta logo depois, uma figura que associava às memórias dos “arrepios malignos da Guerra Fria, de televisores a preto e branco (...), da propaganda anticomunista e do conservadorismo nervoso e penetrante” que também lembra desses tempos. Mal imaginava nesses dias que, anos depois, tomaria o mesmo Richard Nixon como protagonista da sua primeira ópera. Chamou-lhe Nixon In China, evocando em concreto a viagem presidencial à China em 1972, levando para a sua música, além do então presidente norte-americano, a sua mulher Pat Nixon, Henry Kissinger, Mao Tsé-Tung, sua a mulher Chiang Ch’ing e Chou En-lai. A ópera representou o primeiro grande triunfo internacionalmente reconhecido para John Adams, lançando as bases de uma carreira hoje globalmente reconhecida como uma das mais marcantes da música dos dias em que vivemos.Nascido em 1947 no Massachusetts, foi educado em ambiente liberal. Filho de uma voluntária em frequentes acções locais do Partido Democrata, viveu de perto uma série de campanhas eleitorais numa etapa em que residia em New Hampshire. O Estado, com reconhecido peso nas primárias (que elegem depois os candidatos de cada partido), é sempre alvo de atenção mediática. Daí que, entre as memórias de Adams mora bem claro, e numa altura em que tinha apenas 13 anos, o confronto eleitoral entre Nixon e Kennedy em 1960 (no qual este último ganhou a Casa Branca). Todavia, quando completa a sua educação, o cenário havia mudado. “Nixon, teimoso e tenaz (...) tinha regressado era agora presidente”, acrescenta o compositor no seu livro. Descreve-se então como “um daqueles jovens punks de quem Nixon dizia mal quando falava da sua imaginária ‘maioria silenciosa’, queixando-se da falta de patriotismo dos movimentos pacifistas”.
Determinante para a criação de Nixon In China são contudo outras recordações do antigo presidente, já em inícios dos anos 70. No Inverno de 1972, John Adams trabalhava numa loja de roupas. Vivia então em Berkley e, numa noite, frente ao seu pequeno televisor, viu o Air Force One a aterrar em Pequim, com Nixon, a sua mulher e o secretário de Estado Kissinger a ser recebidos por Chou En-lai. Onze anos depois, já com obras escritas e algum reconhecimento entre os mais atentos seguidores dos caminhos da música contemporânea, John Adams dava por si a revisitar esses momentos na sua primeira ópera, juntamente com Alice Goodman (autora do libreto) e Peter Sellars, que ia assinar a produção. Este último (nascido em 1957) havia sido recentemente nomeado director artístico do American National Theatre, tendo a sua juventude gerado alguma controvérsia. “O clima cultural na capital reflectia o gosto dos Reagan e a escassez de um público realmente sofisticado estava longe de fazer daquele o lugar indicado para o estilo de teatro do Peter. Mas poder projectar Nixon In China dentro das paredes de uma das sedes do poder nacional era inegavelmente um prazer subversivo”, confessa Adams em Hallelujah Junction.
Havia muito por onde escolher entre os factos e protagonistas da visita oficial que servia de base à ópera. O próprio Adams reconhece que o encontro entre Nixon e Mao traduzia uma espécie de “choque de titãs”. Cada um representava modelos política e socialmente antagónicos. Justificando o facto de a visita ter sido “encenada como um acontecimento mediático” e tendo em conta o carácter “vivo” de personagens que “literalmente pediam um tratamento operático”, compositor e libretista acabaram por ter as escolhas facilitadas. Estreada na Houston Grand Opera em Outubro de 1987, a ópera Nixon In China transformou-se rapidamente num caso de sucesso. A produção original passou pouco depois por Nova Iorque (concretamente em Brooklyn), Amesterdão, Edimburgo, Los Angeles, Paris e Frankfurt. Em 1988, uma primeira gravação chegava a disco na Nonesuch, sob direcção de Edo de Waart, à frente da Orchestra of St. Luke’s.
Musicalmente a ópera traduz uma influência visível dos modelos do minimalismo norte-americano, abrindo contudo frestas de atenção para outros interesses e destinos que, depois, a música de John Adams acabaria por tomar. As personagens centrais da ópera não são mais que os visitantes e os principais anfitriões que os acolhem. O primeiro acto abre com a expectativa antes da chegada do Air Force One. Segue-se a aterragem e os encontros oficiais entre Nixon, Kissinger, Chou En-lai e Mao Tse Tung que se lhe seguem. No segundo acto Pat Nixon e a mulher de Mao tomam algum protagonismo, entre cenas de visita a paisagens rurais e uma reflexão sobre propaganda. No terceiro acto, na última noite da viagem, os protagonistas visitam memórias dos respectivos passados.A primeira gravação de Nixon In China chegou pela Nonesuch em 1988. 21 anos depois, a Naxos apresenta agora uma segunda gravação, com a Colorado Symphony Orchestra, dirigida por Marin Alsop. Entre as vozes contam-se Robert Orth (Nixon), Maria Kanyova (Pat Nixon), Thomas Hammons (Kissinger, que retoma o papel da gravação original), Marc Heller (Mao) e Tracy Dahl (Chiang Ch’ing). Esta é uma leitura intensa, com a orquestra tomada a pulso, todavía nas vozes perdendo em alguns casos na comparação com a leitura de 1988. Mesmo assim, e depois de uma soberda Missa de Bernstein, mais um feito notável num ano de grande forma para Marin Alsop.
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domingo, outubro 25, 2009
O medo em ópera (e numa sinfonia)
O compositor norte-americano John Adams (n. 1947) levou já por diversas vezes figuras e grandes questões políticas do nosso tempo aos palcos da ópera. É de resto o autor contemporâneo com mais exemplos de abordagens musicais a situações do mundo real e político no presente, ora encontrando cenário a explorar na histórica visita de Richard Nixon à China em 1972 (Nixon In China, de 1987) ou no sequestro do Achillie Lauro (em The Death Of Klinghoffer, 1991). Doctor Atomic é a sua mais recente “ópera-política”. E toma como centro da acção os instantes que antecederam a detonação do primeiro teste para uma bomba atómica, em Los Alamos, em Julho de 1945.
Como em experiências anteriores focadas sobre o real, John Adams – acompanhado por Peter Sellars, que assina o libreto e a encenação da primeira produção – procura figuras reais para recriar uma história que, no palco, corre entre o desenrolar dos factos e frequentes olhares interiores dos protagonistas. Musicalmente esta á uma herdeira natural de uma série de preocupações centrais à obra do compositor, justapondo traços herdados de uma tradição americana que remonta a Ives e Copland, não abdicando de marcas assimiladas de experiências mais próximas do minimalismo, ambos os terrenos contribuindo para a definição de climas de contemplação e ansiedade entre uma verdadeira colecção de medos. O primeiro acto leva-nos à base em Los Alamos, já em contagem decrescente para o ensaio, debatendo-se questões estratégicas, técnicas e éticas. O tempo avança e a explosão está cada vez mais próxima, a música e o jogo de personagens traduzindo uma tensão que se acumula e assombra todos os envolvidos. Estreada em São Francisco, em 2005, Doctor Atomic teve primeira apresentação europeia em Amesterdão em Junho de 2007, propondo o DVD recentemente editado um filme dessa produção holandesa, sob captação televisiva dirigida pelo próprio encenador. O barítono Gerald Finley veste aqui a pele de Robert Oppenheimer, o “pai” da bomba atómica, papel que entretanto retomou já este ano numa outra produção em Londres.
Mais recentemente John Adams retomou a música composta para Doctor Atomic, a partir dela criando uma sinfonia sem qualquer participação vocal. Chamou-lhe simplesmente Doctor Atomic Symphony, reorganizando em três andamentos (The Laboratory, Panic e Trinity) a essência das características narrativas e emocionais da ópera. A ausência das personagens e das palavras em nada compromete o retrato que a versão sinfónica traduz. Os motivos de algumas das sequências-chave da ópera são retomados. Todavia, mesmo sem a experiência de palco (ou do DVD), a evolução dos climas e situações correm claramente entre esta sinfonia com intenções descritivas. O medo, que mora em todos os cantos da ópera, ganha aqui contudo uma amplitude que transcende a da narrativa tomada como ponto de partida. Como que a reflectir sobre aquele momento de 1945 como não apenas um facto, mas antes o abrir de uma era cujas consequências a história ainda não pode hoje relatar. A Doctor Atomic Symphony surge agora em disco, na Nonesuch, através de uma gravação pela Saint Louis Symphony Orchestra, dirigida por David Robertson. O disco junta à sinfonia uma outra peça orquestral, Guide To Strange Places, de 2001, onde reencontramos o interesse reconhecido de John Adams pela exploração de padrões rítmicos.Imagens do trailer que anunciou a recente produção de Doctor Atomic em Londres. A encenação é distinta da que vemos no DVD. O protagonista é, contudo, o mesmo cantor.
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domingo, setembro 20, 2009
A ópera como espaço político
Um dos filmes que integra a programação do Queer Lisboa 13 pode levar-nos a uma reflexão sobre o aprofundar de uma relação entre o mundo político e os caminhos da ópera contemporânea. O filme, Fig Trees (na imagem acima), do canadiano John Greyson (passa quinta feira, dia 25, pelas 21.30, na Sala 3 do Cinema São Jorge) é um documentário em forma de… ópera. Trata-se de um olhar sobre situações e figuras que nos dão retratos de episódios políticos na história da luta contra a sida, com palavras, ideias e factos depois transformadas num libreto, musicado por David Wall e apresentado com cantores. Este filme/ópera não só se pode relacionar com ideias de teatro musical mutimedia que Steve Reich tem apresentado nos últimos anos (aos quais, contudo, o compositor norte-americano não gosta de aplicar o termo “ópera”), como demonstra afinidades com uma ideia de obra com corpo político (olhando factos e figuras reais) que tem habitado em alguns exemplos na ópera contemporânea, nomeadamente através de trabalhos de John Adams, Philip Glass ou Osvaldo Golijov (cuja ópera Ainadamar tem por protagonista a figura de Garcia Lorca e a guerra civil espanhola). Ou, mesmo partindo da adaptação de uma ficção (assinada por George Orwell), mas reflectindo sobre o totalitarismo, está também no tutano do recente 1984 de Lorin Maazel.Aqui ficam três exemplos de ligações directas entre o mundo político e a ópera dos nossos dias, em obras que aproximam assim a criação artística do universo que corre, no mundo real, à nossa volta. Distante, portanto, dos contos feitos de mitologias, heróis e tragédias que em tempo dominavam os palcos.
Steve Reich - ‘Three Tales’ (2002)
Three Tales, de Steve Reich e Beryl Kotot é um espectáculo multimedia no qual a música e a imagem (em vídeo) têm igual protagonismo. O compositor não lhe chama ópera, mas há aqui afinidades com a forma como esta forma musical hoje é encarada. Na berlinda está uma série de reflexões sobre grandes acontecimentos do século XX, nomeadamente o acidente do zeppelin Hidenburg (nas imagens), as experiências atómicas no atol de Bikini e a ovelha Dolly. Não é a primeira obra política de Steve Reich, devendo trabalhos seus sobre o Holocausto (Different Trains) ou a memória de Daniel Pearl (Daniel Variations) ser igualmente tidos em contas no retrato desta importante faceta do seu trabalho.
John Adams - ‘Dr. Atomic’ (2005)
O compositor John Adams tem levado a várias das suas óperas questões políticas do nosso tempo. Quando se estreou, com Nixon In China, em 1987, evocou através da ópera (hoje apontada entre as referências maiores da música do final do século XX) a histórica viagem de Nixon à China em 1972, fazendo do presidente Nixon e de Mao Tse Tung os seus protagonistas. Adams voltou a explorar outros instantes da história do século XX em The Death Of Klinghoffer (1991), onde recorda o sequestro do navio Achille Lauro e o mais recente Dr. Atomic (2005), sobre os dias que antecederam o teste da primeira explosão atómica.
Philip Glass - ‘Satyagraha’ (1980)
A segunda das óperas-retrato de Philip Glass (as restantes sendo Einstein On The Beach e Akhnaten) centra-se na figura de Ghandi, numa etapa da sua vida na qual viveu na África do Sul. A obra de Philip Glass apresenta mais exemplos de uma identidade política quer em observações várias sobre o ambiente (em peças como, por exemplo, Itaipu) ou, usando um romance de Coetzee como base, na ópera Waiting For The Barbarians. Mais distante no tempo, o cenário que acolhe a sua ópera Appomattox (de 2007) evoca o final da guerra civil americana.
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domingo, fevereiro 01, 2009
Entre memórias e tradições
John Adams, cuja afirmação como compositor surgiu directamente associada a sinais de primeira descendência da geração que definiu o minimalismo norte-americano (La Monte Young, Terry Riley, Philip Glass e Steve Reich), viu entretanto a sua obra ser animada pela curiosidade da experiência de novos caminhos e ideias. Sem a necessidade de ruptura com as suas “origens”, a música foi juntando novos rumos aos velhos caminhos. E frequentemente, como na sua mais recente ópera, A Flowering Tree, ecos da medula minimalista que se mantém (embora sem a mesma visibilidade) na sua personalidade cruzam-se com outras rotas e destinos. Esta é a sua sexta obra criada para o palco, sucessora de Nixon In China (1987), The Dearh Of Klinghoffer (1991), I Was Looking At The Ceiling And Then I Saw The Sky (1995), El Niño (2000, na verdade uma oratória e não uma ópera) e Doctor Atomic (2005). A primeira “novidade” que a obra apresenta mora na narrativa que lhe serve de ponto de partida. Distante das histórias do mundo do século XX, muitas delas empregando figuras reais e tramas políticas, A Floweing Tree nasce de um conto tradicional indiano, que relata a história de uma jovem que tem o dom de se transformar numa árvore florida, do príncipe que com ela se casa e da irmã deste que tenta destruír a felicidade do casal. Criada sob algumas analogias com A Flauta Mágica de Mozart (na verdade a ópera foi encomendada para encerrar um festival mozartiano), a música revela, além de marcas habituais em Adams, algumas afinidades wagnerianas (sobretudo apontadas à tetralogia do Anel). Estreada em Viena (Áustria) em 2006, a ópera em dois actos volta a reunir John Adams a Peter Sellars, que assina o libreto. Em disco, um CD duplo em edição pela Nonesuch, A Flowering Treee surge numa gravação dirigida pelo próprio compositor, à frente da London Symphony Orchestra, contando com as vozes de Jessica Rivera, Russel Thomas e Eric Owens.
Ao mesmo tempo que chega aos escaparates a edição de A Flowering Tree é lançado entre nós uma compilação (também em dois CD) que serve de companhia áudio ao livro de memórias que John Adams publicou em finais de 2008. Tem por título Hallelujah Jukebox (A Nonesuch Retrospective), e, sem a ambição antológica da caixa de dez CD Earbox, recolhe excertos de algumas obras que gravou para a Nonesuch desde os anos 80, deste os basilares Harmonielehre, Harmonium, Shaker Loops ou Nixon In China aos mais recentes The Dharma at Big Sur ou mesmo o novo A Flowering Tree. No livro, John Adams junta memórias de vida a reflexões sobre o processo criativo que conduziu à escrita de algumas das mais marcantes obras da música americana dos últimos 30 anos. Nascido em 1947 em Worcester (Massachusetts), evoca recordações das big bands que ouviu na juventude, da sala de bailes do seu avô, assim como histórias do seu pai, um clarinetista e da sua mãe, que foi cantora de jazz. A sua obra musical reflecte frequentemente o ponto de vista político de um espírito liberal. A sua mãe trabalhou sempre como voluntária nas campanhas para as primárias do Partido Democrata no seu estado. E num dos textos do seu site oficial, recorda como apertou a mão a John Kennedy antes deste vencer a primárias no estado onde então vivia. Experiências e ideias que marcam uma vivência que se materializa na música, numa carreira que soma já perto de 40 anos de actividade.
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quarta-feira, outubro 08, 2008
John Adams edita memórias
O compositor norte-americano John Adams acaba de lançar, nos EUA, o livro de memórias Hallelujah Junction. Ao mesmo tempo é lançada uma antologia com o mesmo título em CD duplo, que assinala os mais de 20 anos de ligação do compositor à editora Nonesuch.
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