Uma gigantesca exposição com memórias do "rei" do rock vai ganhar forma na O2 Arena, em Londres, a partir de 12 de dezembro, ali ficando até 31 de agosto de 2015. Mais de 300 objetos fazem parte deste percurso, do qual o Guardian avança uma notícia.
Depois de David Bowie - cuja exposição no Victoria & Albert Museum agora está em Chicago e, dia 19, será "visitada" em Lisboa e Porto nos ecrãs dos cinemas UCI - este é mais um exemplo de como a cultura pop começa a ganhar espaço nas salas de museus. Não apenas por ter algumas décadas de vida. Mas porque está a escrever a sua história.
Podem ler aqui a notícia.
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terça-feira, novembro 04, 2014
sábado, setembro 13, 2014
Pintura de David Lynch
em grande exposição em Filadélfia
Através do cinema descobrimos David Lynch e, com os seus filmes, uma voz absolutamente ímpar, que se projetou em títulos marcantes como o foram, por exemplo, Veludo Azul, Mulholland Drive ou Coração Selvagem, sem esquecer a série televisiva Twin Peaks, um dos momentos maiores do seu trabalho ou o muitas vezes injustamente secundarizado Dune, instante atípico na sua obra, mas um dos grandes exemplos da melhor ficção científica dos oitentas. Mas depois de Inland Empire o foco das suas atenções mudou de rumo, destacando sobretudo um interesse pela música e uma redescoberta de uma paixão antiga: a pintura.
E a assinalar esse reencontro fundador da sua personalidade artística, a Pennsylvania Academy of The Fine Arts, em Filadélfia, inaugura hoje ‘David Lynch: The Unified Field’, aquela que é a primeira grande exposição da obra de Lynch enquanto artista plástico.
Interessado na pintura desde cedo, um muito jovem David Lynch (então com 18 anos) inscreveu-se na School of The Museum of Fine Arts, em Boston com um futuro em vista nessa área. O lugar não o inspirou e saiu ao fim de um ano. Projetou com um amigo uma viagem de três anos pela Europa, com o sonho de estudar com o pintor austríaco Oskar Kokoshka. Com o sonho não concretizado regressou aos EUA, acabando por fazer a sua formação na Pennsylvania Academy of The Fine Arts, à qual se juntou em 1967. Seria ali que, em 1967, faria Six Men Getting Sick (Six Times), uma curta-metragem que se tornaria assim o primeiro passo da sua filmografia.
Num ensaio sobre a obra de David Lynch na pintura, que podemos ler no catálogo desta exposição, o seu curador, Roberto Cozzolino defende que estamos ali perante um artista que usou o cinema como parte da sua expressão. E por isso mesmo vê assim a sua obra cinematográfica como um corpo que se torna inseparável deste trabalho como artista plástico que agora ali está patente. Cozzolino fala mesmo dos filmes e pinturas como sendo obras que decorrem de uma sensibilidade comum e muito pessoal "sobre noções de composição, textura, relações formais" e nota no modo como os temas são amplificados a expressão de um estilo específico.
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| Lynch em foto recente no seu atelier |
A pintura foi, todavia, a paixão original de David Lynch. Uma paixão que nunca abandonou, apesar de ter levado muito tempo a torna-la pública. A sua primeira exposição individual teve lugar em Nova Iorque em 1989, na galeria de Leo Caselli, que tomou contacto com esta faceta da obra de Lynch através do entusiasmo com que Isabella Rosellini (que vimos em Veludo Azul) falara desses trabalhos a um amigo comum. Mesmo assim o cinema e, mais tarde, a música, prevaleceram como as suas expressões artísticas mais mediatizadas.
Num artigo recentemente publicado pelo New York Times o diretor do Drawing Centre (Nova Iorque) – que em 2013 organizou uma pequena mostra de desenhos e fotografias de Lynch em Los Angeles – reconhece que, através dos seus filmes, o autor de Mulholland Drive e Twin Peaks mudou a forma de pensar a cultura visual nos EUA, acrescentando que a sua obra como artista plástico “merece ser vista”. No mesmo artigo David Lynch referiu que vive neste momento um período de transição, deixando claro que o que era velho “morreu”. E explicou depois que é no experimentar de novas ideias que poderá vir a encontrar o que será novo para si.
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terça-feira, setembro 09, 2014
Raymond Depardon a cores
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| Edith Piaf 1959 |
Automaticamente associado a um certo olhar de "reportagem", o fotógrafo francês Raymond Depardon (n. 1942) será sobretudo conhecido através das suas imagens a preto e branco. O certo é que, desde o início da sua actividade profissional, nos primeiros anos da década de 60, Depardon sempre teve o gosto da película a cores, revelando uma sensibilidade que, de uma maneira ou de outra, se prolongaria através dos seus filmes (lembremos o exemplo de A Cativa do Deserto, produção de 1990 com Sandrine Bonnaire).
A exposição que o Grand Palais, em Paris, lhe dedicou (concluída há cerca de seis meses) dava a conhecer, justamente, o seu riquíssimo envolvimento com a cor, incluindo muitas imagens inéditas — chamou-se 'Un Moment Si Doux'. Agora, podemos descobrir mais de uma centena das fotografias a cores de Depardon no site da agência Magnum, admirando a delicada arquitectura de uma visão realista que não ignora as intensidades poéticas.
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| Auto-retrato 1959 |
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| Beirute, Líbano 1978 |
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domingo, agosto 17, 2014
Para ler: I Guerra Mundial em exposição
O Imperial War Museum, em Londres, tem patente uma exposição que evoca os 100 anos do início da I Guerra Mundial. O New York Times passou por lá e deixa uma opinião sobre o que ali viu.
Podem ler aqui o artigo.
E aqui podem aceder ao site do museu.
Podem ler aqui o artigo.
E aqui podem aceder ao site do museu.
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sábado, agosto 02, 2014
Um mês entre museus: Tate Modern
Algumas ideias para quem andar por aí sem a praia inevitavelmente na linha do horizonte. Em Londres a Tate Modern tem mais que um motivo a justificar uma visita por estes dias.
Inaugurada em abril e ali patente ainda até 7 de setembro, a exposição Matisse: cut-outs reúne alguns dos trabalhos de Henri Matisse que usaram o recorte como técnica. A ideia de trabalhar com recortes surgiu nos anos 60 quando, impossibilitado de pintar, Matisse usou recortes para tentar dar forma a algumas obras que lhe estavam encomendadas, no processo descobrindo afinal uma técnica nova que então passou a usar.
Aqui podem ver uma galeria de imagens de obras de Matisse que integram as coleções da Tate.
E aqui a apresentação da exposição no site da Tate.
Inaugurada em meados de julho, e patente até 26 de outubro, a exposição Malevich: Revolutionary of Russian Art junta nas salas da Tate Modern obras de várias proveniências deste pintor russo que ainda conheceu o tempo dos czares, viveu a I Grande Guerra e a revolução de 1917. Esta retrospetiva assinala as suas importantes contribuições para a história da arte no século XX.
Podem ver aqui a apresentação desta exposição no site do museu.
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sexta-feira, agosto 01, 2014
Josef Koudelka em retrospectiva
Uma grande retrospectiva do mestre checo da fotografia, Josef Koudelka (n. 1938), chegará à Europa, mais precisamente à Fundação MAPFRE, em Madrid, a 15 Setembro de 2015. Para já, a exposição está nos EUA (em Chicago, até 14 Setembro; em Los Angeles, a partir de 11 de Novembro).
É uma oportunidade para redescobrir o notável trabalho de Koudelka — particularmente célebre pelas suas fotografias do povo cigano —, a par de um significativo lote de imagens inéditas, nomeadamente sobre o trabalho específico do teatro. Ficamos a perceber, em particular, que o realismo visceral de Koudelka evoluiu a par de um elaborado impulso abstraccionista.
Sugere-se uma visita ao site do Art Institute of Chicago ou, então, a notícia e portfolio da agência Magnum.
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| Polónia, 1958 |
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| Teatro Divadio Za Branou — Praga, 1968 |
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| Ciganos — Svinia, Eslováquia, 1966 |
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sábado, maio 03, 2014
O que procuramos nas ruinas? (2)
Este texto, sobre a exposição 'Ruin Lust' patente na Tate Britain, em Londres, foi originalmente publicado na edição de 19 de abril do suplemento Q. do DN, com o título 'Olhar o Passado e o Futuro Entre as Ruinas'.
Em Ruin Lust, o pequeno livro/catálogo que a Tate lançou juntamente com a exposição, Brian Dillon (1) descreve as ruínas como “uma memória da realidade universal do colapso e do apodrecimento; um aviso do passado sobre o nosso próprio destino e de qualquer outra civilização; um ideal de beleza que seduz precisamente pelas suas falhas e erros; o símbolo de um estado de alma melancólico e divagador; uma imagem de equilíbrio entre a natureza e a cultura; um monumento pelos que caíram em guerras recentes ou antigas; um retrato de uma economia desmedida e do declínio industrial; um terreno desolado (...) onde temos espaço e tempo para imaginar um futuro”. (2)
O percurso transporta-nos através do tempo, revelando uma maior presença de obras do século XX que de tempos mais antigos. As guerras, em particular as duas guerras mundiais do século passado, foram de resto um motivo de reencontro de artistas com a representação de ruínas. Como evidencia a expoisção nos textos que nos apresenta, perante a dimensão da destruição que estes dois conflitos geraram, “muitos artistas regressaram à ideia histórica da ruin lust para tentar compreender ou aprender a conviver com as consequências das modernas maquinarias de guerra”. O termo ruinenlust seria mesmo ressuscitado depois da guerra pela académica e escritora Rose Macaulay no estudo Pleasure of Ruins, de 1953. A escritora, que perdera a sua casa e biblioteca durante o blitz, desenvolveu ao longo da sua vida uma história detalhada da evolução do nosso relacionamento e do gosto pelas ruínas. Dillon defende que “a definição de ruína” foi de facto “testada pela guerra mas muitos artistas estavam menos ansiosos que Macuallay sobre se seria justificável evocar naquela altura as estéticas das ruínas de séculos anteriores”.
Na segunda metade do século XX muita da resposta artística à cidade estava preocupada com os sucessos e fracassos de projetos como o da visão de Le Corbusier para Paris ou a de Albert Speer para a Germania sonhada por Hitler, defendendo Brian Dillon que alguns artistas britânicos “regressaram a visões passadas da estética das ruínas como modelos para pensar sobre a cidade no presente”. Somos assim conduzidos às fotografias que John Savage tirou em Londres nos anos 1970, nas quais – aponta Dillion – parte da cidade parece ainda que foi bombardeada, ao mesmo tempo que noutros lugares vemos sinais já decadentes da reconstrução do pós-guerra.
Numa perspetiva diferente, o artista norte-americano Robert Smithson definiu em 1967 a expressão ruins in reverse para explicar de que modo a arquitetura contemporânea parecia “não cair em desuso, mas em erguer-se em ruínas”... Na mesma década, como refere a exposição, o escritor JG Ballard entendeu a arquitetura de betão do pós-guerra como uma premonição da sua própria ruína.
Ruin Lust apresenta ainda um conjunto de obras de Tacita Dean, em cujos filmes, fotografias, desenhos e instalações explora velhas estruturas e máquinas que nos recordam de formas como, no passado, se olhava o futuro.
No fim, o percurso sugere-nos que contemplamos de facto as ruínas com um ponto de vista que não se esgota num exercício mental de viagem no tempo. Porque a ruína que seremos um dia está, de certa forma, retratada em sinais, lugares e construções do presente que somos.
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| 'St Mary Le Port', de J Piper (1940) |
Na segunda metade do século XX muita da resposta artística à cidade estava preocupada com os sucessos e fracassos de projetos como o da visão de Le Corbusier para Paris ou a de Albert Speer para a Germania sonhada por Hitler, defendendo Brian Dillon que alguns artistas britânicos “regressaram a visões passadas da estética das ruínas como modelos para pensar sobre a cidade no presente”. Somos assim conduzidos às fotografias que John Savage tirou em Londres nos anos 1970, nas quais – aponta Dillion – parte da cidade parece ainda que foi bombardeada, ao mesmo tempo que noutros lugares vemos sinais já decadentes da reconstrução do pós-guerra.
Numa perspetiva diferente, o artista norte-americano Robert Smithson definiu em 1967 a expressão ruins in reverse para explicar de que modo a arquitetura contemporânea parecia “não cair em desuso, mas em erguer-se em ruínas”... Na mesma década, como refere a exposição, o escritor JG Ballard entendeu a arquitetura de betão do pós-guerra como uma premonição da sua própria ruína.
Ruin Lust apresenta ainda um conjunto de obras de Tacita Dean, em cujos filmes, fotografias, desenhos e instalações explora velhas estruturas e máquinas que nos recordam de formas como, no passado, se olhava o futuro.
No fim, o percurso sugere-nos que contemplamos de facto as ruínas com um ponto de vista que não se esgota num exercício mental de viagem no tempo. Porque a ruína que seremos um dia está, de certa forma, retratada em sinais, lugares e construções do presente que somos.
(1) Brian Dillon é um escritor, crítico e curador de origem britânica. No seu trabalho explorou já por diversas vezes ruínas antigas e modernas, assim como estudou a história da sua representação na arte e na cultura. Entre os livros que editou contam-se Objects in this Mirror: Essays; Sanctuary; In the Dark Room; e Ruins, an anthology of artists and critics reflections on ruination. É o editor britânico da revista Cabinet e ensina no Royal College of Art.
(2) in Ruin Lust, de Brian Dillon (Tate, 2014), pag. 5
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domingo, abril 20, 2014
Há vikings em Londres! (parte 4)
Continuamos a publicação de um texto sobre a exposição ‘Vikings: Life and Legend’, patente no British Museum, que foi originalmente publicado no suplemento Q. do DN de 12 de abril com o título ‘Para acabar com a visão romântica dos vikings’.
A peça central (e sem surpresa a mais mediatizada) da exposição é um grande navio de guerra, que domina a sala que encerra o percurso. O navio hoje conhecido como Roskilde 6 foi construído por volta do ano 1025 e perdido talvez uns 30 anos depois num naufrágio. Foi redescoberto em 1996 por alturas da construção de uma estrutura museológica na área portuária de Roskilde, localidade costeira dinamarquesa (muitas vezes citada internacionalmente pelo festival de música que acolhe anualmente). Foi contudo ligeiramente danificado antes de se dar conta de que as madeiras ali estavam soterradas. Esta é a maior embarcação viking alguma vez descoberta, com uma extensão reconstruída de 37 metros, montada numa estrutura metálica. O Roskilde 6 corresponde às dimensões maiores historicamente esperadas para um navio viking. Do navio o que chegou aos nossos dias foi um fragmento de uma secção do fundo e quase 32 metros da sua longa quilha.
Usando várias técnicas, entre as quais as usadas em dendrocronologia (4), o navio foi não apenas datado, como deu a saber de onde provinham as árvores de cujas madeiras é feito. Calcula-se assim que as madeiras ali usadas tenham sido cortadas entre 1018 e 1032, o ano 1025 sendo a média que se entendeu assim usar, explica Jan Bill num pequeno subcapítulo sobre o navio em Vikings Life and Legend. Os padrões de crescimento dos troncos fazem supor que as origens destas madeiras estejam algures na região do fjord de Oslo.
Apenas um quinto do casco chegou aos nossos dias, ao contrário do mastro e vela, que desapareceram completamente. Os fragmentos permitiram mesmo assim uma reconstrução, que ganha materialidade na estrutura que domina a sala e nos vários desenhos e animações que podemos consultar em ecrãs que ali encontramos. A reconstituição do Roskilde 6 apresenta um navio de 37,27 metros de comprimento, boca (ou seja, a secção transversal) de 3,99 metros e uns meros 83,5 cm de calado (a profundidade do ponto mais baixo da quilha). As madeiras usadas são de carvalho.
Segundo explica Jan Bill, “fontes na era viking tardia raramente mencionam as dimensões dos vários tipos de navios”. Algumas sagas de reis, acrescenta, contam que a bordo dos grandes navios de guerra (como este) haveria entre 30 e 60 pares de remos. Bill observa contudo que, quando Snorri Sturluson (5) redigiu estas sagas (no século XIII), os “navios de guerra eram consideravelmente maiores que nos tempos dos vikings e que, talvez, Snorri exagere um pouco”.
O homem para quem este navio foi construído era muito possivelmente alguém da elite ou da Noruega ou Dinamarca. São conhecidos os nomes dos reis e dos nobres viking deste tempo. Mesmo assim, adverte o livro, “é dificil sugerir quem possa ter sido o seu proprietário”.
Na mesma altura em que a Dinamarca e as regiões meridionais da Suécia estavam sob a mão do rei Cnut (6) e a Noruega era governada por Olaf II Haraldsson (7) (que mais tarde seria canonizado). As forças militares dos dois estadistas foram protagonistas de um encontro determinante no rio Helge, algures entre os anos 1025 e 1026. Enfraquecido nesta batalha, Olaf seria derrorado por Cnut em 1028, fugindo o rei norueguês para as terras do seu irmão, o príncipe de Kiev e Novgorod. A incerteza quanto à data precisa em que o Roskilde 6 foi construído não permite, diz Jan Bill, saber ao certo se quem o mandou construir foi Cnut ou Olaf. “A reação às pretensões de Cnut sobre o trono norueguês foi a de conduzir uma guerra anfíbia contra a Dinamarca, o que seria mais que uma razão para construir um navio deste tipo”, explica o livro. Porém, se o navio foi construído depois de 1028, “facilmente terá sido mandado fazer por um dos aliados de Cnut ou por ele mesmo”. De resto, e neste último caso, “usar a madeira de florestas de reis conquistados para fazer um navio tão magnífico teria sido como uma mensagem cujo significado não teria passado despercebido pela elite da época, para quem a honra e o domínio das artes do mar eram tão importantes”, acrescenta o texto. Mas mais difícil que pensar quem terá sido aquele que mandou construir o navio será, lembra ainda em remate, calcular o que o terá levado a Roskilde, onde ficou desde então.
A escavação arqueológica em Roskilde, que decorreu entre 1996 e 97, recuperou cerca de 200 peças, muitas delas partidas, que entretanto foram recuperadas e justapostas depois para construir os fragmentos maiores que vemos na exposição. A reconstrução do navio foi feita sob a coordenação do arquiteto Morten Gothche, do Museu do Navio Viking em Roskilde (o Vikingeskibs Museet), que pensou também a estrutura sobre a qual os fragmentos que chegaram aos nossos dias estão agora apresentados. A estrutura, como descreve Kristiane Straetkven, “dá a melhor ideia possível de como teria sido a aparência do navio”.
Com o navio termina a visita e com ela um olhar novo e informado sobre a idade dos vikings. O fim deste período é apontado a uma altura em que os reinos da Dinamarca, da Noruega e da Suécia ganham uma individualidade mais evidente, e já sob o estabelecimento do cristianismo como a fé dominante na região. A batalha de Hastings, em 1066, é igualmente vista como um momento de derrota, a juntar ao fracasso do estabelecimento de um povoamento no Canadá e à disrupção de rotas comerciais no Médio Oriente. Mas mais que explicar como tudo começou e acabou, Vikings Life and Legend é a história do que aconteceu entre esses momentos. O durante, sem os ingredientes que o romantismo juntou à história. Mas sem esquecer que dele nasceu o fascínio que hoje leva a cada novo dia uma enchente àquelas salas do British Museum.
(4) Método de datação que usa os anéis dos troncos das árvores para saber a sua idade.
Usando várias técnicas, entre as quais as usadas em dendrocronologia (4), o navio foi não apenas datado, como deu a saber de onde provinham as árvores de cujas madeiras é feito. Calcula-se assim que as madeiras ali usadas tenham sido cortadas entre 1018 e 1032, o ano 1025 sendo a média que se entendeu assim usar, explica Jan Bill num pequeno subcapítulo sobre o navio em Vikings Life and Legend. Os padrões de crescimento dos troncos fazem supor que as origens destas madeiras estejam algures na região do fjord de Oslo.
Apenas um quinto do casco chegou aos nossos dias, ao contrário do mastro e vela, que desapareceram completamente. Os fragmentos permitiram mesmo assim uma reconstrução, que ganha materialidade na estrutura que domina a sala e nos vários desenhos e animações que podemos consultar em ecrãs que ali encontramos. A reconstituição do Roskilde 6 apresenta um navio de 37,27 metros de comprimento, boca (ou seja, a secção transversal) de 3,99 metros e uns meros 83,5 cm de calado (a profundidade do ponto mais baixo da quilha). As madeiras usadas são de carvalho.
Segundo explica Jan Bill, “fontes na era viking tardia raramente mencionam as dimensões dos vários tipos de navios”. Algumas sagas de reis, acrescenta, contam que a bordo dos grandes navios de guerra (como este) haveria entre 30 e 60 pares de remos. Bill observa contudo que, quando Snorri Sturluson (5) redigiu estas sagas (no século XIII), os “navios de guerra eram consideravelmente maiores que nos tempos dos vikings e que, talvez, Snorri exagere um pouco”.
O homem para quem este navio foi construído era muito possivelmente alguém da elite ou da Noruega ou Dinamarca. São conhecidos os nomes dos reis e dos nobres viking deste tempo. Mesmo assim, adverte o livro, “é dificil sugerir quem possa ter sido o seu proprietário”.
Na mesma altura em que a Dinamarca e as regiões meridionais da Suécia estavam sob a mão do rei Cnut (6) e a Noruega era governada por Olaf II Haraldsson (7) (que mais tarde seria canonizado). As forças militares dos dois estadistas foram protagonistas de um encontro determinante no rio Helge, algures entre os anos 1025 e 1026. Enfraquecido nesta batalha, Olaf seria derrorado por Cnut em 1028, fugindo o rei norueguês para as terras do seu irmão, o príncipe de Kiev e Novgorod. A incerteza quanto à data precisa em que o Roskilde 6 foi construído não permite, diz Jan Bill, saber ao certo se quem o mandou construir foi Cnut ou Olaf. “A reação às pretensões de Cnut sobre o trono norueguês foi a de conduzir uma guerra anfíbia contra a Dinamarca, o que seria mais que uma razão para construir um navio deste tipo”, explica o livro. Porém, se o navio foi construído depois de 1028, “facilmente terá sido mandado fazer por um dos aliados de Cnut ou por ele mesmo”. De resto, e neste último caso, “usar a madeira de florestas de reis conquistados para fazer um navio tão magnífico teria sido como uma mensagem cujo significado não teria passado despercebido pela elite da época, para quem a honra e o domínio das artes do mar eram tão importantes”, acrescenta o texto. Mas mais difícil que pensar quem terá sido aquele que mandou construir o navio será, lembra ainda em remate, calcular o que o terá levado a Roskilde, onde ficou desde então.
A escavação arqueológica em Roskilde, que decorreu entre 1996 e 97, recuperou cerca de 200 peças, muitas delas partidas, que entretanto foram recuperadas e justapostas depois para construir os fragmentos maiores que vemos na exposição. A reconstrução do navio foi feita sob a coordenação do arquiteto Morten Gothche, do Museu do Navio Viking em Roskilde (o Vikingeskibs Museet), que pensou também a estrutura sobre a qual os fragmentos que chegaram aos nossos dias estão agora apresentados. A estrutura, como descreve Kristiane Straetkven, “dá a melhor ideia possível de como teria sido a aparência do navio”.
Com o navio termina a visita e com ela um olhar novo e informado sobre a idade dos vikings. O fim deste período é apontado a uma altura em que os reinos da Dinamarca, da Noruega e da Suécia ganham uma individualidade mais evidente, e já sob o estabelecimento do cristianismo como a fé dominante na região. A batalha de Hastings, em 1066, é igualmente vista como um momento de derrota, a juntar ao fracasso do estabelecimento de um povoamento no Canadá e à disrupção de rotas comerciais no Médio Oriente. Mas mais que explicar como tudo começou e acabou, Vikings Life and Legend é a história do que aconteceu entre esses momentos. O durante, sem os ingredientes que o romantismo juntou à história. Mas sem esquecer que dele nasceu o fascínio que hoje leva a cada novo dia uma enchente àquelas salas do British Museum.
(4) Método de datação que usa os anéis dos troncos das árvores para saber a sua idade.
(5) Snorri Sturluson (1179-1241) Historiador, poeta e politico islandês. É o autor de alguns dos mais importantes textos de referência da mitologia nórdica. Crê-se que seja o autor da saga sobre a vida de Egill Skallagrímsson, um poeta e agricultor viking do século X, e que se pensa ter sido escrita em 1240.
(6) Cnut, o Grande (ca. 985 – 1035) De origem dinamarquesa e eslávica, foi rei da Dinamarca, Noruega, Inglaterra e parte da Suécia. O seu vasto império desmoronou-se e acabou divido depois da sua morte.
(7) Olaf II Haraldsson (também conhecido como Olavo II, da Noruega) (995-1030). Foi canonizado como Santo Olavo dez anos depois da sua morte, na baltalha de Stikle
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sábado, abril 19, 2014
Há vikings em Londres! (parte 3)
Continuamos a publicação de um texto sobre a exposição ‘Vikings: Life and Legend’, patente no British Museum, que foi originalmente publicado no suplemento Q. do DN de 12 de abril com o título ‘Para acabar com a visão romântica dos vikings’.
Os achados mais recentes, que dão conta da vasta dispersão do mapa de contactos e de influências da idade viking permitem criar uma nova perspetiva global da sua época. O conhecimento que hoje temos dos vikings é baseado numa série de evidências “que diferem em qualidade e quantidade por razões ligadas a tradições culturais e estados de preservação”. As poucas inscrições rúnicas (3) que chegaram aos nossos dias (muitas delas encontradas em pedaços de madeira, representando ora o equivalente a cartas ora a anotações) permitem mesmo assim abrir algumas frestas sobre uma série de assuntos, como por exemplo o relato de viagens. Estas inscrições não servem contudo nunca, explica Gareth Williams, para a narração de uma história da idade viking de um ponto de vista escandinavo. O completar da informação provém assim das sagas (muitas delas redigidas em norueguês antigo e reunidas na Islândia), assim como de relatos em latim. Estes registos datam contudo dos séculos XII e posteriores. Ou seja, são posteriores à chamada idade viking. Anacronismos e a “inserção de elementos fantásticos no seio de outros acontecimentos aparentemente históricos, assim como o desejo dos autores de contar uma grande história, refletindo ainda agendas políticas ou culturais, em muitos casos introduzindo mesmo padrões e motivos estabelecidos” não ajudam a uma definição mais clara das verdades que a história naturalmente procura, explica Williams em Vikings Life and Legend. O autor reconhece que é difícil definir até que ponto os acontecimentos são distorcidos entre a data em que ocorreram e aquela em que foram descritos em sagas redigidas algumas gerações depois, pelo que defende que não devem ser tomadas como fontes credíveis para a construção de uma narrativa histórica sobre a idade dos vikings, ressalvando contudo que “não podem ser ignoradas”.
Muitas das evidências mais recentes provêm de sociedades com as quais os vikings contactaram, os dados colhidos pela arqueologia (e têm sido achadas povoações inteiras, fortes e quintas) e, com algum peso, o estudo das moedas aqui e ali encontradas, sendo fundamentais na construção do conhecimento que hoje temos sobre estes povos e este tempo. Gareth Williams aponta ainda algumas “fontes tangíveis” como a história da linguagem e até mesmo a toponímia como importantes elementos a ter em conta.
Apesar de serem sobretudo referidos os feitos navais (de comércio ou militares) dos vikings, o grosso da população escandinava do seu tempo vivia essencialmente da agricultura ou trabalhando como artífices. A sua expansão além do espaço escandinavo fez-se contudo pelo mar. E levou-os longe. A primeira sala da exposição revela-nos a imensidão do mapa de relacionamentos dos vikings. Naturalmente com o foco central na Escandinávia e Norte da Europa, mas com uma extensão de rotas que os levou tanto a terras canadianas como às fronteiras do antigo império romano, chegando mesmo a espaços na Ásia Central.
No capítulo Contacts & Exchange, Gareth Williams e Sunhild Kleingärtner descrevem as populações viking como cultural e etnicamente mais diversificadas que aquilo que muitas vezes se crê (sublinhando que “as terras escandinavas eram elas mesmas diversas geográfica, política, ecomómica e culturalmente”). Os contactos que estabeleceram com populações por vezes tão distantes não se limitavam ao plano económico das trocas comerciais ou das mais violentas incursões pela força. Houve trocas sociais, incluindo alianças, trocas de presentes, casamentos políticos.
Um dos principais motores para a expansão viking para lá da Escandinávia nasceu de uma vontade de gerar riqueza. Já havia contactos externos destes povos antes da “idade viking”, mas é no final do século VIII que as suas fronteiras se alargam a outras latitudes. Há, por exemplo, vestígios de um antigo interposto comercial em Statraya Ladoga, na Rússia, em meados do século VIII, tendo os achados arqueológicos sugerido que ali vivessem escandinavos, eslavos e gentes do báltico. Bem longe dali, o mundo árabe conheceu um contacto direto com os vikings em duas regiões distintas: na (atual) Espanha muçulmana e Marrocos – há, por exemplo, relatos de um raide viking no Sul da Península Ibérica em 844 naquele que é o mais antigo dos registos de incursões pelo Mediterrâneo – e, mais distante ainda, no Médio Oriente e Ásia Central.
A idade dos vikings é contemporânea de uma época de florescimento dos reinos escandinavos da Noruega, Dinamarca e Suécia. Anne Pedersen caracteriza, no capítulo Power & Aristocracy, como eram os centros de poder numa época em que nestes territórios “não havia capitais nem instituições centrais de governo e administração como hoje as conhecemos” e que os reis desse período viajavam entre as suas diversas residências, “reforçando a sua autoridade através dos monumentos” que iam erigindo. A rivalidade entre governantes e as grandes famílias poderosas de então motivaram alguns conflitos militares e têm hoje evidência material em objetos pessoais que definiam aparências e comportamentos. Os navios, as construções monumentais e o “uso deliberado da paisagem” eram elementos de uma “linguagem do poder” da realeza escandinava da época. A escala das construções que as escavações arqueológicas evidenciam, e o tipo de objetos que nos chegaram ao presente, todos eles expressões materiais dessas afirmações de poder, dão também conta do conhecimento técnico alcançado e de um patamar de controlo sobre recursos humanos e naturais que ali foi atingido. Fivelas, esporas e peças de joalharia provenientes de sítios arqueológicos na Alemanha, Dinamarca, Inglaterra, Dinamarca ou Rússia materializam nas vitrinas da exposição este saber de artífices, a prata, o cobre e o ouro ostentando evidentes sinais de riqueza e poder.
A estas peças as histórias do quotidiano viking que aqui presenciamos juntam objetos “estrangeiros” que, por razões essencialmente pragmáticas, eram usados (alguns depois de transformados) em algumas comunidades não necessariamente para o executar de tarefas do dia-a-dia mas, sobretudo, como outra forma de expor riqueza e estatuto. Sunhild Kleingartner assinala como exemplo algumas peças de joalharia feminina que não são mais senão reutilizações de elementos de cintos carolíngios, acrescentando mesmo que “a joalharia da idade viking incorporava objetos que tinham sido usados como forma de pagamento nas regiões de onde provinham”. A descoberta, por exemplo, de moedas de origem árabe em escavações em Scania, no Sul da Suécia, evidencia este modelo de relacionamento. O texto vinca que a utilização deste tipo de elementos em colares e pulseiras era também uma marca de afirmação ou reconhecimento de “alianças sociais”, o que “enfatizava o valor destes objetos e sublinhava a sua função como símbolos de status”.
Muitas das evidências mais recentes provêm de sociedades com as quais os vikings contactaram, os dados colhidos pela arqueologia (e têm sido achadas povoações inteiras, fortes e quintas) e, com algum peso, o estudo das moedas aqui e ali encontradas, sendo fundamentais na construção do conhecimento que hoje temos sobre estes povos e este tempo. Gareth Williams aponta ainda algumas “fontes tangíveis” como a história da linguagem e até mesmo a toponímia como importantes elementos a ter em conta.
Apesar de serem sobretudo referidos os feitos navais (de comércio ou militares) dos vikings, o grosso da população escandinava do seu tempo vivia essencialmente da agricultura ou trabalhando como artífices. A sua expansão além do espaço escandinavo fez-se contudo pelo mar. E levou-os longe. A primeira sala da exposição revela-nos a imensidão do mapa de relacionamentos dos vikings. Naturalmente com o foco central na Escandinávia e Norte da Europa, mas com uma extensão de rotas que os levou tanto a terras canadianas como às fronteiras do antigo império romano, chegando mesmo a espaços na Ásia Central.
No capítulo Contacts & Exchange, Gareth Williams e Sunhild Kleingärtner descrevem as populações viking como cultural e etnicamente mais diversificadas que aquilo que muitas vezes se crê (sublinhando que “as terras escandinavas eram elas mesmas diversas geográfica, política, ecomómica e culturalmente”). Os contactos que estabeleceram com populações por vezes tão distantes não se limitavam ao plano económico das trocas comerciais ou das mais violentas incursões pela força. Houve trocas sociais, incluindo alianças, trocas de presentes, casamentos políticos.
Um dos principais motores para a expansão viking para lá da Escandinávia nasceu de uma vontade de gerar riqueza. Já havia contactos externos destes povos antes da “idade viking”, mas é no final do século VIII que as suas fronteiras se alargam a outras latitudes. Há, por exemplo, vestígios de um antigo interposto comercial em Statraya Ladoga, na Rússia, em meados do século VIII, tendo os achados arqueológicos sugerido que ali vivessem escandinavos, eslavos e gentes do báltico. Bem longe dali, o mundo árabe conheceu um contacto direto com os vikings em duas regiões distintas: na (atual) Espanha muçulmana e Marrocos – há, por exemplo, relatos de um raide viking no Sul da Península Ibérica em 844 naquele que é o mais antigo dos registos de incursões pelo Mediterrâneo – e, mais distante ainda, no Médio Oriente e Ásia Central.
A idade dos vikings é contemporânea de uma época de florescimento dos reinos escandinavos da Noruega, Dinamarca e Suécia. Anne Pedersen caracteriza, no capítulo Power & Aristocracy, como eram os centros de poder numa época em que nestes territórios “não havia capitais nem instituições centrais de governo e administração como hoje as conhecemos” e que os reis desse período viajavam entre as suas diversas residências, “reforçando a sua autoridade através dos monumentos” que iam erigindo. A rivalidade entre governantes e as grandes famílias poderosas de então motivaram alguns conflitos militares e têm hoje evidência material em objetos pessoais que definiam aparências e comportamentos. Os navios, as construções monumentais e o “uso deliberado da paisagem” eram elementos de uma “linguagem do poder” da realeza escandinava da época. A escala das construções que as escavações arqueológicas evidenciam, e o tipo de objetos que nos chegaram ao presente, todos eles expressões materiais dessas afirmações de poder, dão também conta do conhecimento técnico alcançado e de um patamar de controlo sobre recursos humanos e naturais que ali foi atingido. Fivelas, esporas e peças de joalharia provenientes de sítios arqueológicos na Alemanha, Dinamarca, Inglaterra, Dinamarca ou Rússia materializam nas vitrinas da exposição este saber de artífices, a prata, o cobre e o ouro ostentando evidentes sinais de riqueza e poder.
A estas peças as histórias do quotidiano viking que aqui presenciamos juntam objetos “estrangeiros” que, por razões essencialmente pragmáticas, eram usados (alguns depois de transformados) em algumas comunidades não necessariamente para o executar de tarefas do dia-a-dia mas, sobretudo, como outra forma de expor riqueza e estatuto. Sunhild Kleingartner assinala como exemplo algumas peças de joalharia feminina que não são mais senão reutilizações de elementos de cintos carolíngios, acrescentando mesmo que “a joalharia da idade viking incorporava objetos que tinham sido usados como forma de pagamento nas regiões de onde provinham”. A descoberta, por exemplo, de moedas de origem árabe em escavações em Scania, no Sul da Suécia, evidencia este modelo de relacionamento. O texto vinca que a utilização deste tipo de elementos em colares e pulseiras era também uma marca de afirmação ou reconhecimento de “alianças sociais”, o que “enfatizava o valor destes objetos e sublinhava a sua função como símbolos de status”.
A exposição (e o catálogo) assinalam também um relacionamento entre os vikings e as noções de crença e religião. Mas, como observa Neil Price no capítulo Belief & Ritual, estes povos “não tinham uma palavra para religião”, lembrando que “o mais próximo equivalente seria uma identificação com a mais lata terminologia dos ‘costumes’ no sentido de práticas tradicionais que se considerava apropriado seguir”. Gestos e hábitos que, assim, mostravam um relacionamento mais próximo com comportamentos sociais do que com os tipos de relacionamento do homem com o divino que caracterizam as fés do nosso tempo, como aqui se explica. A espiritualidade dos vikings estava, na verdade, mais ligada a interações com o mundo natural (mesmo quando nele se procuravam poderes maiores e, como diríamos hoje, sobrenaturais).
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sexta-feira, abril 18, 2014
Paris por Martin Parr
Membro da agência Magnum, fotógrafo militante de todos os quotidianos — e também do realismo que se transfigura em envolvente estranheza —, o inglês Martin Parr elegeu a cidade de Paris como cenário de uma nova e fascinante deambulação. O resultado é um livro, Grand Paris, a par de uma exposição na Maison Européenne de la Photographie — ou como o realismo é a arte de registar o que conhecemos, pressentindo a amplitude do nosso desconhecimento.
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Há vikings em Londres! (parte 2)
Continuamos a publicação de um texto sobre a exposição ‘Vikings: Life and Legend’, patente no British Museum, que foi originalmente publicado no suplemento Q. do DN de 12 de abril com o título ‘Para acabar com a visão romântica dos vikings’.
A história da palavra viking não tem um sentido único nem é precisa. No norueguês antigo, explica Gareth Williams, as palavras víkingr e viking tinham significados associados a ideias de assaltos e de pirataria. Hoje, como adverte no texto de introdução ao catálogo, a expressão é usada para referir a cultura de origem escandinava que floresceu aproximadamente entre o ano 800 e 1050. As origens da palavra são “obscuras”, diz, reparando uma possível relação com a palavra vik (baía ou recanto na costa), que ainda hoje observamos em nomes como, por exemplo, o da capital islandesa: Reykjavik. Há assim a hipótese de esta designação decorrer diretamente de piratas que usavam esses recantos para se esconder, daí saindo para atacar navios que passassem perto. O texto aponta também como possível origem uma ligação ao fjord frente a Oslo, que ainda hoje é conhecido pelo nome alternativo de viken (ou seja, a baía). O autor refere uma terceira possibilidade com uma explicação mais do foro comercial, apontando a designação latina de vicus (ou wic em inglês arcaico), designando centros de trocas nas regiões costeiras do mar do Norte, muitos deles em rios navegáveis, como Wijk bij Duurstede (Holanda), Ipswich (Reino Unido) ou até mesmo nomes antigos de cidades como Eofirwic (York) ou Lundenwic (Londres).
Não há contudo uma resposta definitiva. Gareth Williams lança mesmo hipóteses de interpretação diferentes a partir de uma possível origem a partir de uma derivação da palavra wic: “Seria o wicing original o mercado pacífico dos estudos viking posteriores a 1970” ou antes o “arquétipo do pirata” ou ainda “um estrangeiro de origem indeterminada” que visitava estes centros populacionais costeiros “para fins pacíficos ou violentos”. O autor lembra que as fronteiras entre assaltar e fazer comércio por vezes são pouco nítidas ao longo da história, como recorda por exemplo com o caso do tráfico de escravos.
A construção mais “tradicional” de uma imagem dos vikings surgiu no século XIX e passa essencialmente através de histórias de guerreiros e de incursões navais. Esta noção, explica Gareth Williams em Warefare & Military Expansion, terá as suas origens em relatos da época de origem anglo-saxónica, franca ou irlandesa, juntamente com as narrativas das sagas islandesas de finais do século XIII, contando ainda com “um elemento substancial do romantismo do século XIX”. Os estereótipos dos marinheiros violentos, com armas superiores e capazes de feitos incríveis a bordo dos seus navios, como descreve, tem na verdade um pouco de verdade e de ficção. “Os vikings nem eram invulgarmente atrozes nem universalmente bem-sucedidos em batalha” e desde os anos 1960 os historiadores interpretam as sagas de um ponto de vista mais crítico, os achados arqueológicos mais recentes tendo também contribuído para um conhecimento mais abrangente dos povos e seus comportamentos. Por isso mesmo, acrescenta o autor, o retrato exclusivamente violento dos vikings foi parcialmente derrubado por uma visão mais pacífica da sua idade dos vikings. Isto não apaga todavia a importância de aspetos militares fundamentais na caracterização das sociedades escandinavas entre os séculos IX e XI. A profusão de armas expostas no Museu Britânico evidencia, de resto, a presença clara de uma produção de objetos de ataque e defesa entre machados, espadas, arcos e flechas e escudos (um deles, particularmente raro e robusto, achado em Gokstad, na Noruega, data do século IX, é feito em madeira de pinho e tem 94 centímetros de diâmetro). O seu empunhar sublinha, naturalmente, a imagem romântica do viking guerreiro.
A idade dos vikings não se explica nem esgota apenas num contexto escandinavo nem no mapa do Norte da Europa. Na introdução do catálogo que o British Museum apresenta com esta exposição, Gareth Williams (um dos seus três principais autores) observa que os vikings criaram uma rede de contactos pelos quais exerceram influências distintas junto dos diversos povos com os quais interagiam. É celebre, de resto, o exemplo da Guarda Varegue, um corpo de elite de origem viking que esteve ao serviço pessoal dos imperadores de Bizâncio entre os séculos IX e XIV. (2)
Esse mapa de trocas e contactos representa assim o primeiro módulo da exposição que, sob a designação Contacts & Exchange (contactos e trocas), dá conta da impressionante abrangência cultural e geográfica da esfera de influência viking. Os módulos seguintes, focam questões militares e a sua expansão como conquistadores, os modelos de poder (e caracterização da aristocracia que o detinha) e ainda os espaços das crenças e rituais que caracterizavam o comportamento social das comunidades escandinavas deste tempo.
Esse mapa de trocas e contactos representa assim o primeiro módulo da exposição que, sob a designação Contacts & Exchange (contactos e trocas), dá conta da impressionante abrangência cultural e geográfica da esfera de influência viking. Os módulos seguintes, focam questões militares e a sua expansão como conquistadores, os modelos de poder (e caracterização da aristocracia que o detinha) e ainda os espaços das crenças e rituais que caracterizavam o comportamento social das comunidades escandinavas deste tempo.
A história da palavra viking não tem um sentido único nem é precisa. No norueguês antigo, explica Gareth Williams, as palavras víkingr e viking tinham significados associados a ideias de assaltos e de pirataria. Hoje, como adverte no texto de introdução ao catálogo, a expressão é usada para referir a cultura de origem escandinava que floresceu aproximadamente entre o ano 800 e 1050. As origens da palavra são “obscuras”, diz, reparando uma possível relação com a palavra vik (baía ou recanto na costa), que ainda hoje observamos em nomes como, por exemplo, o da capital islandesa: Reykjavik. Há assim a hipótese de esta designação decorrer diretamente de piratas que usavam esses recantos para se esconder, daí saindo para atacar navios que passassem perto. O texto aponta também como possível origem uma ligação ao fjord frente a Oslo, que ainda hoje é conhecido pelo nome alternativo de viken (ou seja, a baía). O autor refere uma terceira possibilidade com uma explicação mais do foro comercial, apontando a designação latina de vicus (ou wic em inglês arcaico), designando centros de trocas nas regiões costeiras do mar do Norte, muitos deles em rios navegáveis, como Wijk bij Duurstede (Holanda), Ipswich (Reino Unido) ou até mesmo nomes antigos de cidades como Eofirwic (York) ou Lundenwic (Londres).
Não há contudo uma resposta definitiva. Gareth Williams lança mesmo hipóteses de interpretação diferentes a partir de uma possível origem a partir de uma derivação da palavra wic: “Seria o wicing original o mercado pacífico dos estudos viking posteriores a 1970” ou antes o “arquétipo do pirata” ou ainda “um estrangeiro de origem indeterminada” que visitava estes centros populacionais costeiros “para fins pacíficos ou violentos”. O autor lembra que as fronteiras entre assaltar e fazer comércio por vezes são pouco nítidas ao longo da história, como recorda por exemplo com o caso do tráfico de escravos.
A construção mais “tradicional” de uma imagem dos vikings surgiu no século XIX e passa essencialmente através de histórias de guerreiros e de incursões navais. Esta noção, explica Gareth Williams em Warefare & Military Expansion, terá as suas origens em relatos da época de origem anglo-saxónica, franca ou irlandesa, juntamente com as narrativas das sagas islandesas de finais do século XIII, contando ainda com “um elemento substancial do romantismo do século XIX”. Os estereótipos dos marinheiros violentos, com armas superiores e capazes de feitos incríveis a bordo dos seus navios, como descreve, tem na verdade um pouco de verdade e de ficção. “Os vikings nem eram invulgarmente atrozes nem universalmente bem-sucedidos em batalha” e desde os anos 1960 os historiadores interpretam as sagas de um ponto de vista mais crítico, os achados arqueológicos mais recentes tendo também contribuído para um conhecimento mais abrangente dos povos e seus comportamentos. Por isso mesmo, acrescenta o autor, o retrato exclusivamente violento dos vikings foi parcialmente derrubado por uma visão mais pacífica da sua idade dos vikings. Isto não apaga todavia a importância de aspetos militares fundamentais na caracterização das sociedades escandinavas entre os séculos IX e XI. A profusão de armas expostas no Museu Britânico evidencia, de resto, a presença clara de uma produção de objetos de ataque e defesa entre machados, espadas, arcos e flechas e escudos (um deles, particularmente raro e robusto, achado em Gokstad, na Noruega, data do século IX, é feito em madeira de pinho e tem 94 centímetros de diâmetro). O seu empunhar sublinha, naturalmente, a imagem romântica do viking guerreiro.
(2) Varegue era a designação usada pelos gregos e os eslavos de leste para referir os vikings.
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quarta-feira, abril 16, 2014
Há vikings em Londres! (parte 1)
Iniciamos hoje a publicação de um texto sobre a exposição ‘Vikings: Life and Legend’, patente no British Museum, que foi originalmente publicado no suplemento Q. do DN de 12 de abril com o título ‘Para acabar com a visão romântica dos vikings’.
Vikings: Life and Legend é a primeira grande exposição sobre os vikings que o British Museum apresenta em mais de 30 anos e nasce de uma parceria entre o National Museum of Denmark and the Staatliche Museen zu Berlin, em conjunto as três instituições propondo-nos um olhar sobre a idade viking (que se define num intervalo entre os séculos VIII e XI). A exposição, adverte o catálogo, não procura ser um olhar panorâmico sobre o tempo dos vikings, mas antes um reflexo do que têm sido as mais recentes descobertas arqueológicas sobre a sua presença e o seu tempo, assim como traduz o conhecimento revelado por alguns dos últimos trabalhos académicos nesta área do conhecimento. O achado recente em Weymouth (Dorset, Reino Unido) de uma vala com corpos de homens executados (1) abriu, por exemplo, novas luzes sobre os “vikings reais” (como descreve um dos press releases da exposição). O espólio achado no vale de York (com a ajuda de detetores de metais), e que corresponde ao maior achado viking desde 1840, está ali representado na íntegra, este conjunto de moedas, pulseiras e pratas sendo um exemplo da abordagem aos mais recentes trabalhos de arqueologia que a exposição traduz. Tematicamente arrumada numa sucessão de salas, a mostra tem como principais focos de atenção precisamente os achados arqueológicos, recorrendo a mapas, reconstituições e novas tecnologias ao serviço da imagem e da informação para, das peças, fazer nascer um discurso narrativo. A joia da coroa de Vikings: Life and Legend é um navio de guerra, o maior alguma vez encontrado, que domina a sala final do percurso expositivo
Não podia ter sido mais bem escolhido caso se tratasse de um casting para um filme. Alto, robusto e de barbas claras, um funcionário do British Museum controlava as chegadas às bilheteiras daqueles que tinham feito inscrições prévias, via internet, à porta de uma nova exposição temporária sobre a idade dos vikings que, até 22 de junho, estará patente numa nova área agora inaugurada na ala Sainsbury do conjunto de edifícios que fazem a sede do museu e que assim o volta a colocar no mapa das grandes exposições mundiais, um ano depois de ali ter feito enorme sucesso uma outra dedicada ao quotidiano de Pompeia e Herculano, duas cidades romanas soterradas por uma gigantesca erupção do Vesúvio no ano 79 da nossa era.
Vikings: Life and Legend é a primeira grande exposição sobre os vikings que o British Museum apresenta em mais de 30 anos e nasce de uma parceria entre o National Museum of Denmark and the Staatliche Museen zu Berlin, em conjunto as três instituições propondo-nos um olhar sobre a idade viking (que se define num intervalo entre os séculos VIII e XI). A exposição, adverte o catálogo, não procura ser um olhar panorâmico sobre o tempo dos vikings, mas antes um reflexo do que têm sido as mais recentes descobertas arqueológicas sobre a sua presença e o seu tempo, assim como traduz o conhecimento revelado por alguns dos últimos trabalhos académicos nesta área do conhecimento. O achado recente em Weymouth (Dorset, Reino Unido) de uma vala com corpos de homens executados (1) abriu, por exemplo, novas luzes sobre os “vikings reais” (como descreve um dos press releases da exposição). O espólio achado no vale de York (com a ajuda de detetores de metais), e que corresponde ao maior achado viking desde 1840, está ali representado na íntegra, este conjunto de moedas, pulseiras e pratas sendo um exemplo da abordagem aos mais recentes trabalhos de arqueologia que a exposição traduz. Tematicamente arrumada numa sucessão de salas, a mostra tem como principais focos de atenção precisamente os achados arqueológicos, recorrendo a mapas, reconstituições e novas tecnologias ao serviço da imagem e da informação para, das peças, fazer nascer um discurso narrativo. A joia da coroa de Vikings: Life and Legend é um navio de guerra, o maior alguma vez encontrado, que domina a sala final do percurso expositivo
(1) Uma vala com 54 corpos decapitados (e 51 cabeças) foi encontrada em junho de 2009 no Ridgeway Hill em Dorset (Reino Unido), região costeira junto ao Canal da Mancha. Crê-se que sejam vikings, ali executados por anglo-saxões entre os anos 910 e 1030, depois de uma tentativa falhada de assalto por mar. Os indivíduos tinham na sua maioria idades inferiores ou à volta dos 25 anos, salvo um ou outro mais velho.
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quarta-feira, abril 02, 2014
O fascínio pelas ruínas
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sexta-feira, março 07, 2014
Há vikings em Londres!
O British Museum inaugurou esta semana uma grande exposição sobre a vida e a arte dos vikings, centrando atenções no quotidiano e nos artefactos criados por este povo do Norte da Europa num período entre os séculos VIII e XI, evocando um tempo em que a expansão do seu domínio chegou mesmo às costas do Canadá.
Vickings: Life and Legend, patente até 22 de junho numa nova ala criada para exposições temporárias, surge um ano depois de uma outra exposição sobre Pompeia e Herculano e reafirma o esforço do museu londrino em apresentar ideias que, além da contemplação de peças, propõem olhares sobre a vida quotidiana de outros tempos e outros povos.
A exposição junta peças do acervo do museu (essencialmente provenientes de escavações arqueológicas em Inglaterra e Irlanda) e nasce de um esforço conjunto com outros museus de Copenhaga e Berlim.
Entre as peças apresentadas estão 20% das madeiras de um antigo navio de guerra datado de aproximadamente 1025. Estas madeiras, agora montadas numa estrutura metálica, foram encontradas em 1997 em estavações no fjord de Roskilde, na Dinamarca.
Vickings: Life and Legend, patente até 22 de junho numa nova ala criada para exposições temporárias, surge um ano depois de uma outra exposição sobre Pompeia e Herculano e reafirma o esforço do museu londrino em apresentar ideias que, além da contemplação de peças, propõem olhares sobre a vida quotidiana de outros tempos e outros povos.
A exposição junta peças do acervo do museu (essencialmente provenientes de escavações arqueológicas em Inglaterra e Irlanda) e nasce de um esforço conjunto com outros museus de Copenhaga e Berlim.
Entre as peças apresentadas estão 20% das madeiras de um antigo navio de guerra datado de aproximadamente 1025. Estas madeiras, agora montadas numa estrutura metálica, foram encontradas em 1997 em estavações no fjord de Roskilde, na Dinamarca.
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sábado, janeiro 04, 2014
Para redescobrir Steichen
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| Campainhas de dedaleira (1925) |
Para redescobrir o génio de Edward Steichen (1879-1973) — em Nova Iorque, no Whitney Museum, está patente uma exposição dedicada aos seus trabalhos das décadas de 20/30, mostrando como a sua nobreza visual lidava com o mesmo empenho com os elementos naturais ou as encomendas publicitárias, sem esquecer os rostos de Hollywood.
![]() |
| Marlene Dietrich, 1931 |
![]() |
| Publicidade para bâton Coty, c. 1930 |
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sexta-feira, janeiro 03, 2014
Robert Capa a cores
Mestre da reportagem fotográfica a preto e branco, lendário observador de cenários de conflito, incluindo a Guerra Civil de Espanha e a Segunda Guerra Mundial, co-fundador da agência Magnum, Robert Capa tem sido objecto de várias homenagens motivadas pelo centenário do seu nascimento, a 22 de Outubro de 1913 (faleceu a 25 de Maio de 1954). Este mês, em Nova Iorque, o International Center of Photography anuncia uma exposição de alguns dos seus trabalhos menos conhecidos. Porque, muitos deles, são imagens de lazer em diversas estâncias de ski (Suíça, Áustria, etc.) e, sobretudo, porque são a cores — antecipação no site do ICP e divulgação na Vanity Fair.
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sábado, dezembro 28, 2013
As imagens de 2013: 30 anos do CAM
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| Foto: N.G. |
Os 30 anos do Centro de Arte Moderna Madalena Azeredo Perdigão foram assinalados por uma exposição que não só procurou representar a sua coleção e atividade como soube encontrar em Amadeo de Souza Cardoso um importante ponto de partida e fio condutor. Foi uma das grandes exposições de um ano em que deve também ser assinalada a magnífica ‘Encomenda Prodigiosa’, que se materializou entre o Museu Nacional de Arte Antiga e a Igreja de S. Roque, dando-nos uma mostra com capacidade para integrar a agenda internacional que hoje faz do turismo cultural um importante foco de atenções.
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quinta-feira, dezembro 26, 2013
As imagens de 2013: Lichtenstein na Tate
Uma das grandes exposições internacionais de 2013 tomou parte de um dos pisos da Tate Modern (Londres) nos primeiros meses do ano. Uma retrospetiva de Roy Lichtenstein cronológica e tematicamente organizada, permitindo não só um contacto direto com algumas obras maiores de sua assinatura como a compreensão dos rumos criativos que o seu percurso tomou. Houve mesmo espaço para a surpresa perante algumas das etapas menos mediatizadas do seu trabalho.
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