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terça-feira, novembro 05, 2013

Filme de David Lynch com os Duran Duran
teve ontem estreia em sala no MoMA

Os Duran Duran estiveram esta noite no MoMA, em Nova Iorque, para assinalar aquela que foi a primeira exibição pública de Unstaged, o filme-concerto que os tem como protagonistas e que, na verdade, acaba assim por ser o novo filme de David Lynch a ter estreia em sala. O grupo esteve presente na sala para um debate com o curador de cinema do museu que teve lugar depois da exibição do filme. O filme abriu o ciclo Contenders, que todos os anos apresenta as escolhas do departamento do MoMA. Unstaged já tinha antes conhecido uma exibição, mas apenas para profissionais da indústria, no Festival de Cannes. Resta ainda saber se terá estreia no circuito comercial antes do lançamento em suportes de home video.

Nick Rhodes recordou os dias em que, adolescente, viu Eraserhead com John Taylor. Quando começaram a fazer telediscos os primeiros foram muito artesanais... Nem mesmo os rodados em Sri Lanka foram assim tão caros, confessou o teclista. Eram mais um espaço para trabalhar ideias. E ontem, ao ver Unstaged no MoMA, Nick Rhodes reparou quão artesanal também este filme acaba por ser. São as ideias o que, no fundo, o entusiasma mais no cinema e ao trabalhar em vídeo, rematou. E daí, uma vez mais, a referência a David Lynch. Simon Le Bon falou no entendimento que se estabeleceu com David Lynch, referindo que o realizador não quis dirigir o grupo em palco, mas sim o seu filme. Nick Rhodes falou em salas em paralelo onde aconteciam situações, algumas com atores dirigidos, que Lynch podia juntar às imagens do que sucedia no palco. A sessão de Q&A recordou também alguns dos telediscos que o grupo rodou ao longo da sua carreira.

Podem ver aqui a sessão de Q&A.

terça-feira, outubro 01, 2013

Um novo olhar sobre 'The Chauffeur'

A propósito do décimo aniversário da editora Arts & Crafts os The Hidden Cameras juntaram-se aos Snowblink para gravar uma versão de The Chauffeur, canção que em 1982 encerrava o alinhamento do clássico Rio, dos Duran Duran. A voz nesta versão fica por conta de Joel Gibb, dos Hidden Cameras.




quinta-feira, maio 16, 2013

Duran Duran e David Lynch: filme em Cannes

Pensado originalmente como um momento para transmissão online – integrado na mesma série com expressão anual que há poucas semanas uniu os Vampire Weekend a Steve Buscemi – o concerto Unstaged dos Duran Duran vai ter agora segunda vida em cinema. Foi ontem revelada em Cannes a aquisição, pela Arclight Films de Duran Duran Unstaged, filme de David Lynch aprsentado com o subtítulo “a filmic feast for the senses”. Recordando a ideia recentemente revelada por Nick Rhodes em entrevista que aqui reproduzimos, os Duran Duran esperam agora assegurar uma estreia em sala para o filme, ao que se seguirá a sua distribuição em formatos de home video.

David Lynch já descreveu as suas ideias nesta experiência como tentativas de permear imagens entre a presença em palco dos Duran Duran. “um mundo de experimentação e alguns acidentes felizes”, explicou em palavras que o comunicado da Arclight Films agora apresenta. Entre o que foi visto na transmissão online de há dois anos e aquilo que agora chegará aos ecrãs houve um processo de pós-produção cujos resultados serão vistos na estreia do filme que decorrerá numa sessão do mercado do filme, a decorrer em Cannes.

sábado, abril 20, 2013

Duran Duran, 1983
(no Record Store Day de 2013)

Celebra-se hoje a edição 2013 do Record Store Day. Entre nós com um programa de “dieta” face a edições anteriores, a verdade é que há ainda uma lista vasta de lançamentos em vinil a chegar hoje aos escaparates das muitas pequenas lojas de discos (que voltam a conhecer algum protagonismo em várias latitudes). Entre os novos lançamentos podemos apontar uma edição limitada, em vinil azul, do clássico Is There Something I Should Know?, single dos Duran Duran, que há precisamente 30 anos, era presença destacada nas tabelas de venda e nas estações de rádio pelo mundo fora. Aqui fica a memória do teledisco que então acompanhou o lançamento original deste single.

terça-feira, abril 09, 2013

Novas edições:
TV Mania, Bored With Prozac and The Internet?

TV Mania 
“Bored With Prozac And The Internet?” 
Tape Modern 
4 / 5 

Gravado na segunda metade dos anos 90, na mesma altura em que os Duran Duran trabalhavam em Medazzaland (editado em 1997, foi o melhores dos seus álbuns entre os anos 80 e o recente All You Need Is Now), o primeiro dos três discos idealizados para um projeto paralelo do teclista Nick Rhodes e do guitarrista Warren Cuccurullo acabou literalmente perdido. Até que, há bem pouco tempo, o teclista descobriu (por puro acaso) o DAT com a mistura final das gravações, representando o disco que agora podemos escutar uma verdadeira hipótese de viagem no tempo aos sons, técnicas e ideias que então ali registaram. Apresentando-se como TV Mania, a dupla de músicos trabalhara então numa música que tinha a televisão como principal matéria prima para o material vocal (como de resto já os Duran Duran haviam feito em dois temas do álbum Liberty), de certa forma procurando Nick Rhodes uma variação de um processo de recolha de elementos a partir do pequeno ecrã como o havia feito com as polaroids que tirou no auge da fama global dos Duran Duran e editou, em 1984, no livro Interference. Os samples “colhidos” de emissões televisivas são aqui parte protagonista de um corpo que depois junta essencialmente um trabalho musical que convocava ainda a presença de electrónicas e guitarras, seguindo uma lógica de construção atenta à linha da invenção no seu tempo (recorde-se que este disco é criação contemporânea à edição do visionário Entroducing..., de DJ Shadow, lançado em 1996). Materialização em disco de um projeto de musical de palco entretanto abandonado, Bored With Prozac And The Internet? traduz ainda um percurso narrativo, contando-nos a história de uma família ultra-disfuncional que cativa a atenção de cientistas que a resolvem “vigiar” 24 horas por dia (através do auxílio de câmaras de televisão), entrando depois em cena uma estação de TV que propõe a exibição dessas imagens em direto, ininterruptamente. Estávamos em meados dos noventas, antes da chegada do Big Brother e do filme Truman Show, de Pete Weir, a ideia que sustentava o conceito narrativo resultando assim de uma atenção pelos sinais dos tempos (a consciência do peso da Internet num futuro próximo, a proliferação de novos sistemas de vigilância e o consumo de novos medicamentos) e as naturais ressonâncias do 1984 de Orwell. Tomados de surpresa pela estreia de Truman Show, Nick e Warren abandonaram o musical, concentrando atenções na criação de um álbum que, mantendo estas premissas narrativas, procurou assim uma forma diferente e desafiante de criar canções. Estamos sonicamente em ambientes com alguma familiaridade com momentos da fase Medazzaland dos Duran Duran, o diálogo entre vozes, electrónicas e guitarras não procurando contudo no melodismo pop clássico que serve a escrita do grupo a sua linha condutora. Os temas procuram antes a sugestão de ambientes, a presença vocal “samplada” definindo soluções na verdade mais próximas de uma lógica cinematográfica que de um perfil pop, cabendo a Euphoria (que ecoa memórias de um Love Voodoo dos Duran Duran), uma aproximação mais evidente a terreno pop mais convencional, contando aí com a colaboração vocal de Madeleine Farley. Pedido e (felizmente) achado, Bored With Prozac And The Internet? representa um dos mais interessantes e desafiantes dos vários projetos paralelos alguma vez nascidos entre músicos dos Duran Duran. E merece morar entre os discos que, em meados dos noventas, experimentaram, com bons resultados, novas formas de pensar modelos e práticas de escrita pop.

sexta-feira, abril 05, 2013

Em conversa: Nick Rhodes (3)

Continuamos a publicação da versão integral de uma entrevista com Nick Rhodes, teclista dos Duran Duran e um dos dois elementos do projeto TV Mania, que serviu de base ao artigo publicado na edição de 27 de março do DN com o título ‘Quando a televisão serve de inspiração para fazer música’.

Nos últimos anos, com o “ciclo” All You Need Is Now, os Duran Duran viveram um dos períodos mais felizes da sua vida... 
Foi um tempo muito feliz para a banda, sim. Foi mesmo um momento alto da nossa carreira. Houve o filme que fizemos com David Lynch. E o outro, que fizemos em Manchester, o Diamond In The Mind... A própria digressão em si. Sinto que tudo isto levou os Duran Duran a outro lugar. Fomos a Coachella, demos o concerto em Hyde Park por alturas dos Jogos Olímpicos, tocámos num festival enorme na Sérvia... Foi um período que nos deu renovada energia e abriu novas perspetivas.

Mark Ronson foi um importante catalisador para o que se passou nesta fase? 
O Mark foi um elemento importante. Como produtor foi a escolha perfeita. Tem um conhecimento profundo da banda, do que queremos alcançar musicalmente e na sonoridade que buscamos. E por isso estamos novamente a trabalhar com ele. 

Falou há pouco do concerto que deram e que David Lynch filmou para transmissão online. Pensam editar esse registo em DVD e Blu-ray? 
Estamos a pensar, sim. Foi uma transmissão em direto, teve os seus pequenos problemas técnicos. Mas tudo foi já “arranjado”... Gostava de pensar numa pequena distribuição em salas de cinema, até porque as imagens são belíssimas. E depois numa edição em DVD, sim.

O disco que os Duran Duran deixaram na gaveta antes de gravarem Red Carpet Massacre conhecerá algum dia edição? 
Nunca direi nada de definitivo sobre coisas que deixemos na gaveta... Veja-se o disco de TV Mania, que esperou 17 anos. Esse era um álbum que tinha como titulo provisório Reportage. E temos muito material feito. Não está terminado. Das 12 canções apenas oito estão terminadas, acho... Mas gostava de o ver editado um dia...

Como grande admirador de Bowie (que é sabido ser uma das suas referencias), o que diz deste seu regresso em 2013? 
Ter David Bowie na minha vida foi uma coisa importante para mim. Foi a maior influencia que tive nos anos 70, a um nível que nenhum outro artista atingiu. Esteve ausente e o regresso foi uma bela surpresa. Já tenho o disco. E, já agora, recomendo a retrospetiva que está patente no Victoria & Albert Museum. Que não é apenas interessante para admiradores de Bowie, mas da cultura pop em geral.

quarta-feira, abril 03, 2013

Em conversa: Nick Rhodes (2)

Continuamos a publicação da versão integral de uma entrevista com Nick Rhodes, teclista dos Duran Duran e um dos dois elementos do projeto TV Mania, que serviu de base ao artigo publicado na edição de 27 de março do DN com o título ‘Quando a televisão serve de inspiração para fazer música’. 

Diferente dos Arcadia e The Devils, acha que o projeto TV Mania foi, das suas aventuras em paralelo, a que mais teve reflexos na música dos Duran Duran? Na produção teve. Por alturas do Medazzaland e do Pop Trash movemo-nos para esses espaços. E esses foram álbuns que produzimos. Creio que os TV Mania propuseram uma música única e diferente de tudo o que tínhamos feito antes. Já tínhamos usado samples de televisão no Liberty. Há um sample no Hothead (de George Bush) e um no First Impressions. Ou seja, já tínhamos trabalhado com samples de televisão. Mas isto é diferente. Era a ideia de fazer canções apenas com samples. Recordo-me do impacto que teve o Fear of a Black Planet, dos Public Enemy, que era um álbum bem à frente no seu tempo na forma como usava samples, não de televisão mas de outros discos, numa miscelânea de temas.

Bored With Prozac and The Internet? conta uma história. Como definiram o conceito? É que falam de uma família cuja vida é vigiada por câmaras que captam imagens que depois são transmitidas pela televisão. Ainda não se falava de reality TV nessa altura... Havia apenas o Real World, na MTV... E não era um programa que acompanhássemos, nem estávamos cientes da sua existência. O que nos motivou foi mais a tecnologia que se estava a desenvolver naquela altura. A Internet era algo ainda incipiente, mas começava a estar disponível... Ainda não havia Napseter, nem partilha de ficheiros e o email era uma coisa relativamente nova. Mas era claro que o futuro passava por ali. Depois havia as noticias que chegavam da industria farmacêutica, com as pessoas a falar sobre o prozac. E ainda os novos sistemas de vigilância, que começavam a estar progressivamente mais sofisticados, com pessoas a instalar câmaras. Londres é uma cidade muito vigiada por câmaras. Quase podemos ver os passos que damos... Estávamos, assim atentos a tudo isto... Depois havia aquela comparação orwelliana ao seu 1984. Mas ao mesmo tempo havia algo de novo ali... Eu e o Warren tivemos então a ideia de criar um musical. E eu lembrei-me de criar esta família completamente disfuncional. São pessoas que, no fundo, refletem partes do que é a sociedade. Uma família disfuncional interessante... E por isso alguém a podia estudar. Assim surgiram os cientistas, que os colocaram num espaço fechado e assim os monitorizavam com câmaras 24 horas por dia. Uma televisão saberia então do que se passava, e mostraria interesse em garantir a transmissão dessas imagens... Isto foi aí um ano antes do Truman Show, antes do Survivor e do Big Brother... Mas havia outras pessoas a pensar o mesmo que nós. Porque era o que estava no ar, era para aí que as coisas iam avançar... O culto da celebridade estava em franco desenvolvimento... E então desenvolvemos um argumento para um show para a Broadway. Mas então estreia o Truman Show... O conceito era semelhante, embora ali fosse a história de um homem que cresce num estúdio... Mas acabámos por arquivar a ideia. Mesmo assim continuámos a trabalhar na música. Era um grande conceito, mas o que entretanto acontecera não afetaria a música.

Ao editarem agora o disco optaram por fazê-lo apenas por download digital e em vinil... 
São os formatos em que hoje consumo música. E é tão poético ver este ressurgimento do vinil, até porque é ainda o melhor formato para ouvir música. O som é o melhor! E depois há o regresso ao packaging glorioso que o vinil permite ter. Pegar na caixa em vinil, ou na edição gatefold... É um formato fantástico. Não é que seja pessoalmente contra o CD, mas esse é um formato que está a morrer.

(continua)

segunda-feira, abril 01, 2013

Em conversa: Nick Rhodes (1)

Iniciamos hoje a publicação da versão integral de uma entrevista com Nick Rhodes, teclista dos Duran Duran e um dos dois elementos do projeto TV Mania, que serviu de base ao artigo publicado na edição de 27 de março do DN com o título ‘Quando a televisão serve de inspiração para fazer música’. 
Durante anos pensou que o álbum que tinha gravado com Warren Cuccurullo para o projeto TV Mania era um disco perdido. Mas recentemente as gravações apareceram. Como foi que as redescobriu? Foi completamente por acaso. Estava à procura de gravações dos Duran Duran do período do Medazzaland e fui à caixa respetiva procurar. E lá estava, como que a olhar para mim, um DAT onde se lia ‘TV Mania album master’... Tive depois de procurar um leitor de DAT para a poder tocar. Tinha um, mas estava guardado e tive de o procurar... Fiquei emocionado.

Em 1984 editou ‘Interference’, um livro de polaroids tiradas de ecrãs de televisão. O álbum de TV Mania volta a ter a televisão como ponto de partida. É uma matéria prima interessante de trabalhar? As televisões que usava nos anos 80, quando estava a tirar polaroids, eram aqueles grandes ecrãs de raios catódicos. E eram precisas umas duas pessoas para as carregar... Hoje temos os ecrãs de LEDs, até mesmo televisores 3D. Mas a maneira como vemos televisão mão mudou tanto quanto eu pensava que iria mudar. Ainda temos televisores nas nossas salas ou nos nossos quartos. A televisão é um elemento importante da nossa sociedade. E foi certamente um elemento importante para este projeto. O disco foi inspirado por vozes que vinham de programas de televisão a que assistíamos e de que gostávamos, como o Fashion Show, com entrevistas feitas nos bastidores. Eu disse ao Warren: “estas pessoas falam com títulos de canções!”... Beautiful, Beautiful Clothes... I Wanna Make Films... Senti que não precisávamos de procurar mais noutros lugares...

O lançamento do disco, tantos anos depois de gravado, fê-lo reencontrar-se com Warren Cuccurullo, que saiu dos Duran Duran no início do século... Gosto muito do Warren e acho mesmo que é um dos músicos maiores e mais criativos que andam por aí. Trouxe muito aos Duran Duran quando integrou a banda. E quando trabalhámos no Bored With Prozac And The Internet? foi o meu parceiro ao longo de todo o processo. Quando chegou a reunião dos Duran Duran afastámo-nos... Mas mantivemos o contacto um com o outro. E agora foi bom podermos fazer de novo um projeto juntos, mesmo com um disco gravado há 17 anos. Tivemos uma festa de lançamento e uma inauguração de uma exposição de fotografias minhas e foi muito bom.

O álbum que agora editam é, na verdade, apenas parte do que se propunham fazer como TV Mania. O resto do material em que trabalharam verá também um dia a luz do dia? Há mesmo muito material, sim. Era um projeto muito ambicioso. Foi originalmente concebido como um musical e o álbum que agora editamos era um elemento de um conjunto de três. Mas este foi também o único álbum que concluímos. Temos muito material inacabado... E há algumas canções lindas ali à espera. Foram coisas em que fomos trabalhando em compassos de espera enquanto estávamos a terminar o álbum [Medazzaland] dos Duran Duran. Talvez um dia apresentemos as misturas dos instrumentais... Ou chamemos alguém para concluir as canções connosco...

(continua)

quarta-feira, março 27, 2013

Duran Duran, segundo David Lynch, em sala?

O filme-concerto dos Duran Duran realizado por David Lynch poderá ter uma expressão em sala e em suporte home video nos próximos tempos. Quem o admitiu foi o próprio Nick Rhodes, o teclista do grupo, no decurso de uma entrevista concedida ao DN a propósito do lançamento do álbum do projeto TV Mania (e que pode ser lida na edição impressa de hoje do jornal). Nick Rhodes explicou que o projeto, tendo nascido como uma transmissão em direto para a Internet, enfrentou os naturais pequenos precalços tão característicos a esta forma de trabalhar. Estão “resolvidos”, confirmou. E disse que gostava de pensar na eventualidade de um pequeno lançamento do filme em sala, antes mesmo de uma edição em suportes de home vídeo... Note-se que este é, por enquanto, apenas um desejo expresso pelo músico e não ainda uma estreia marcada.

O filme-concerto, registado em 2011, nasceu integrado na série ‘Unstaged’ que anualmente une um nome da música a um realizador, tendo os Duran Duran escolhido David Lynch como seu colaborador. A parceria entre ambos transcendeu depois o espaço deste concerto, tendo o realizador assinado uma remistura para o tema Girl Panic! lançada no sete polegadas em vinil que a banda editou por ocasião do Record Store Day em 2012.

Podem recordar aqui o momento em que, na companhia de Kelis, os Duran Duran interpretaram The Man Who Stole a Leopard neste filme-concerto de David Lynch. As imagens correspondem à transmissão feita em direto em 2011.

terça-feira, março 26, 2013

Euforia (com televisão ligada...)

O projeto esteve até dado como perdido, até que Nick Rhodes reencontrou as gravações. Falamos de TV Mania, um projeto paralelo aos Duran Duran protagonizado pelo teclista Nick Rhodes e pelo então guitarrista da banda, Warren Cuccurullo. Com o nome TV Mania apresentaram finalmente o álbum Bored With Prozac And The Internet. E como cartão de visita propõem Euphoria, que editam no formato de single. Aqui fica o teledisco, realizado por Dutch Rall e Jean Renard e com a participação de Miss Mosh.

quarta-feira, janeiro 16, 2013

TV Mania: álbum chega em março

À espera de ver a luz do dia desde os anos 90, o disco do projeto TV Mania – ou seja, Nick Rhodes e Warren Cuccurullo – vai finalmente conhecer edição em março. Esta notícia foi originalmente publicada no DN online.

Foi gravado nos anos 90, mas só agora verá a luz do dia. Com o título Bored With Prozac and The Internet?, o álbum do projeto TV Mania (com edição agendada para 11 de março) é um novo projeto paralelo dos Duran Duran, resultando de um trabalho conjunto do teclista (e fundador do grupo) Nick Rhodes, com o guitarrista Warren Cuccurullo, que integrou o grupo entre 1986 e a viragem do milénio. O álbum terá edição digital e no formato de vinil.

O disco foi criado usando samples de sons captados na televisão e loops rítmicos, procurando com estes elementos a criação de uma música que servisse se banda sonora ao estilo de vida frenético da idade digital em que vivemos. Depois de sucessivos adiamentos, as gravações originais trabalhadas por Nick Rhodes e Warren Cuccurullo chegaram a ser dadas como desaparecidas (afinal estavam apenas mal arquivadas). E foram recentemente reencontradas pelo teclista por ocasião de uma consulta a um arquivo onde procurava registos originais dos Duran Duran para digitalizar.

Agora o disco tem uma data de lançamento agendada e dentro de poucas semanas poderemos descobrir o que é, afinal, esta "telenovela bizarra" (como descrevem no site oficial dos Duran Duran) que acompanha a história de uma família que cede a sua liberdade a cientistas em troca de um estilo de vida moderno, apoiado por tecnologia e fama conquistada ao jeito de um reality show. Recorde-se que, na altura em que esta música foi criada, o conceito de Reality TV tinha como expressão maior o programa The Real World, da MTV. "Imaginámos um mundo onde toda uma família abdicava da sua privacidade quotidiana e permitia que a sua existência fosse acompanhada pelas massas através da televisão. E isto foi dois anos antes do filme The Truman Show e quatro antes de Survivor", diz o guitarrista Warren Cuccurullo em declarações que podemos ler no site da sua antiga banda. "Agora toda a gente revela os detalhes mais íntimos das suas vidas via online ou pela reality TV", acrescenta.

Além deste foco temático, o álbum explora ainda temas como a vigilância, o comércio virtual, moda, o cinema, a fama e a fé. Ao reencontrar as gravações Nick Rhodes explica que foi como quando se tira a poeira de cima de uma pintura. "Os tempos mudaram desde que fizemos o disco, mas o tema que o inspirou está na linha da frente das atenções do mundo contemporâneo, por isso as canções passaram o teste do tempo de uma forma estranha, mas bela", explica o teclista.

O álbum, com temas com títulos como What About God?, Paramount, What's In The Future?, Yoghurt and Fake Tan ou People Know Your Name, é constituído por um alinhamento de 11 temas, aos quais se junta um disco extra com seis remisturas de Beautiful Clothes, Euphoria e I Wanna Make Films. As edições em vinil - a editar pela Vinyl Factory - surgirão numa versão gatefold (capa desdobrável) e numa outra, numa caixa, com uma série de extras, entre os quais uma polaroid autografada por Nick Rhodes, um desenho autografado por Warren Cuccurullo e um booklet.


Os TV Mania já tiveram uma existência concreta em disco quando os dois músicos assinaram sob este nome os créditos de produção do single Electric Barbarella (1997) dos Duran Duran. O projeto é assim o terceiro que Rhodes desenvolve em paralelo ao grupo que fundou em 1978, antes tendo já militado nos Arcadia (com Simon Le Bon e Roger Taylor) com os quais lançou o álbum So Red The Rose (1985) e cinco singles entre 1985 e 86 e os The Devils (com Stephen Duffy, o vocalista da formação original dos Duran Duran) através dos quais editou em 2002 o álbum Dark Circles no qual deu vida às composições dos primeiros tempos de vida dos Duran Duran e que nunca tinham chegado a disco. Por seu lado, e depois de um início de carreira na banda de Frank Zappa, e além da sua passagem pelos Duran Duran entre 1986 e 2000, Warren Cuccurullo desenvolveu uma carreira paralela a solo a partir de 1994, tendo já editado seis álbuns em nome próprio. Os Missing Persons, a que pertenceu no início dos anos 80, regressaram por breves instantes em inícios do presente século, tendo o músico embarcado na reunião do seu velho grupo, ao mesmo tempo que os Duran Duran regressavam à sua formação "clássica", com a qual voltaram aos discos com Astronaut, em 2004.

segunda-feira, novembro 12, 2012

Xavier... anyways

Somos um pouco aquilo que vemos, ouvimos e lemos. E o que fazemos traduz por isso aqueles que admiramos, mas também a forma como os integramos em nós, o que deles assimilamos e o modo como os reinventamos. De geração espontânea, convenhamos, o mundo tem pouco, muito pouco... Xavier Dolan é por isso, e naturalmente, espelho dos modelos e das referencias que o entusiasmam. Nada de mal nisso, antes pelo contrário... Depois de um surpreendente J’ai Tué Ma Mère (2009) sobretudo autobiográfico e de uns falhados Amantes Imaginários (2010) talvez demasiado próximos da soma Godard + Kar Wai + Almodóvar que então juntava, o novo Laurence Anyways, que ontem teve antestreia nacional ao passar na secção competitiva do LEFF, representa não o seu grito do Ipiranga face às suas referências (porque não mostra vontade em romper com aqueles que o inspiram), mas o momento em que o mesmo “eu” que dominava as personagens e clima do filme de estreia aprende a dominar as citações e figuras que quer levar ao seu cinema.

Com dimensões de alguma ambição épica (são 169 minutos de filme) Laurence Anyways em nada rompe com o que Dolan já nos mostrou. Barroco nas formas, ocasionalmente histriónico nos diálogos e com alma de grande teledisco, o filme acompanha retalhos da vida de um professor que vive um dia a dia arrumado. Trabalho, uma relação estável... Mas que desde sempre sentiu que nascera com o corpo errado. O processo de transição, a forma como a mulher com que vive, a família e colegas reagem evoluem entre saltos no tempo, porém sob uma condução narrativa que partilha um permanente diálogo com uma demanda de sons e imagens que faz afinal do filme um corpo que se afirma essencialmente como uma experiência estética (o que não significa, note-se, um abafar do tema, antes juntando esse texto ao contexto, um diluindo-se no outro).

Se a personalidade compósita que é expressão natural de uma linguagem em formação na era da informação – onde tantos dados circulam e podem ser assimilados – tem aqui a sua mais evidente expressão de um “eu” ainda em construção, as citações continuam a morar sem receio no cinema de Xavier Dolan. Das folhas que caem do céu como no Written In the Wind de Douglas Sirk ao desfile de rostos e poses como na versão do teledisco de Fade To Grey dos Visage que está disponível no DVD antológico da banda, Laurence Anyways herda elementos de uma genética que, afinal, é o DNA que constrói este olhar. Junta-se ainda a música de uns Fever Ray, Depeche Mode, Tindersticks, Kim Carnes, Beethoven ou Duran Duran (dando maior visibilidade que nunca ao brilhante The Chauffeur, a canção do álbum Rio que nunca foi single – e devia ter sido), somam-se olhares que por vezes abandonam a medula da narrativa para observar gentes e lugares ao seu redor e uma espantosa composição do protagonista por Melvil Poupaud, e encontramos em Laurence Anyways uma das melhores supresas deste ano. É que, depois do passo em falso de Amores Imaginários, a ambição evidente deste projeto poderia ter acabado num verdadeiro tropeção. Pelo contrário, e mais que nunca, mostra porque em Xavier Dolan podemos encontrar uma das vozes mais interessantes da sua geração.


Três imagens para “escutar” sons que integram a espantosa banda sonora de Laurence Anyways. Memórias pop que passam pelos Visage, Duran Duran e Depeche Mode.


Lisbon & Estoril Film Festival (dia 3)

Hoje o LEFF apresenta , pelas 19.00, no Cinema Monumental, Holy Motors, o muito esperado novo filme de Leos Carax. Ali perto, no Nimas, pelas 20.00, inicia-se o ciclo dedicado ao cinema de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, hoje com duas sessões entre as quais passam Parabéns, Esta é A Minha Casa, O Pastor, O Fantasma e China China. Pelas 22.00, no Monumental, Winter Go Away, de vários realizadores, é um retrato de espaços de oposição a Putin na Rússia dos nossos dias.
 

E a melhor 'Bond song' é...


... A View To a Kill, dos Duran Duran. Os leitores do Sound + Vision pronunciaram-se durante uma semana e a votação esteve renhida, sobretudo disputada pelo Goldfinger de Shirley Bassey. Madonna, com Die Another Day, a canção mais distante do cânone Bond, terminou em terceiro. Aqui fica a tabela final da votação.

1º ‘A View To a Kill’, Duran Duran (1985) – 16%
2º ‘Goldfinger’, Shirley Bassey (1964) – 14%
3º ‘Die Another Day’, Madonna (2002) – 9%
4º ‘Diamonds Are Forever’, Shirley Bassey (1971) – 7%
5º ‘You Only Live Twice’, Nancy Sinatra e ‘We Have All The Time In The World’, Louis Armstrong (1969) – 7% (*)
6º ‘Goldeneye’, Tina Turner (1995) – 6%
7º ‘Nobody Does It Better’, Carly Simon (1977) – 5%
8º ‘Live and Let Die’, Paul McCartney (1973) – 5% (*)
9º ‘Another Way To Die’, Jack White + Alicia Keys (2008) – 4%
10º ‘Skyfall’, Adele (2012) – 2%
11º ‘Tomorrow Never Dies’, Sheryl Crow (1997) e ‘The World Is Not Enough’ (1999), Garbage – 2% (*)
12º ‘The Living Daylighs’, A-ha (1987) e ‘You Know My Name’, Chris Cornell (2006) – 1%
13º ‘Moonraker’, Shirley Bassey (1979) – 1% (*)
14º ‘From Russia With Love’, Matt Munro (1963) e ‘All Time High’, Rita Coolidge (1983) – 0% (**)
15º ‘Thunderball’, Tom Jones (1965), ‘The Man With The Golden Gun’, Lulu (1974) e ‘Licence To Kill’, Gladys Knight (1989) – 0%

(*) Apesar de valores idênticos no arredondamento à unidade, a diferença entre as votações permite a hierarquização dos resultados. 
(**) Apesar dos 0%, houve votos expressos.

(as votações sobre James Bond vão voltar...)

segunda-feira, outubro 29, 2012

Os Duran Duran, e não só...

John Taylor, baixista dos Duran Duran, assina as suas memórias “so far” num volume a que dá o título In The Pleasure Groove. Num registo confessional fala de música. Mas também de problemas que enfrentou fora dos palcos.

A narrativa propõe um era-uma-vez cronologicamente arrumado, franco e honesto, recuando aos dia de escola (quando ainda usava óculos e usava o seu nome Nigel), a descoberta da música , os concertos a que assistiu com o colega de escola Nicholas Bates (que hoje conhecemos como Nick Rhodes) e os momentos de estreia como músico quando integrou os Shock Treatment. O livro é particularmente rico em informações sobre o período da criação dos Duran Duran e da progressiva busca de um rumo e de uma formação definitiva (num período de dois anos, entre 1978 e 1980). É igualmente atenta a descrição das memórias da etapa inicial da vida do grupo, sobretudo os acontecimentos de 1981 (da edição do primeiro single e gravação do álbum de estreia até à primeira viagem aos EUA), 1982 (com a criação de Rio, a rodagem dos telediscos que fizeram história e os incidentes na Alemanha que o impediram de tocar em Lisboa) e 1983 (com claros sinais de algum desnorte durante a criação de Seven and The Ragged Tiger). John Taylor explica ainda com cuidado a génese dos Power Station e a necessidade de uma pausa, sem esquecer contudo o momento da criação de A View To A Kill, para o filme de James Bond com o mesmo nome que representou a derradeira ação da formação do grupo antes da sua reunião, longos anos depois.
John dá-nos a noção de como viveu com entusiasmo o reencontro que os conduziu a Notorious (e como então o quinteto foi reduzido a um trio), não perde muito tempo com Big Thing, reconhece os erros na altura de Liberty, lembra o Wedding Album e depois quase secundariza a música para se focar nos problemas pessoais que viveu nos anos 90 (drogas, álcool e questões familiares).
Apesar de retomar algum foco musical na aventura com os Neurotic Outsiders e no reencontro que gerou o álbum Astronaut, o livro deixa muito por contar sobre a sua carreira a solo, a segunda vida dos Power Station, a gravação do álbum Reportage (nunca editado) e até mesmo a criação de Red Carpet Massacre (que dá a entender ter gerado valentes dores de cabeça, sobretudo pela falta de interesse dos media na banda) e até mesmo de All You Need Is Now. Leitura interessante no período 1978/86, que desafie agora o músico (pelo evidente sucesso que o livro está a gerar) a um volume dois que, uma vez “resolvidas” as memórias mais difíceis da sua vida pessoal, nos possa depois contar o era-uma-vez pós-Notorious com a mesma precisão. Se bem que, se algum dia houver uma memória escrita por Nick Rhodes (o único elemento do grupo omnipresente desde a formação da banda, em 1978), esse será certamente o livro a ler...

sexta-feira, outubro 19, 2012

50 anos de James Bond:
Duran Duran, 1985

A história, ao que parece, nasceu de uma provocação feita quase por brincadeira. Numa festa, John Taylor (baixista dos Duran Duran) conhece e fala com Albert Broccoli, o produtor da série de filmes James Bond e, reza a mitologia, pergunta-lhe quando é que chama alguém decente para cantar uma canção num filme novo... Apesar dos resultados interessantes de For Your Eyes Only (1981), as mais recentes Bond songs tinham sido verdadeiros tiros ao lado. Broccoli não perde pela demora e desafia os Duran Duran, que então viviam um estatuto de popularidade de primeiro plano à escala global, a gravar o tema para o novo filme. Trabalharam em conjunto com John Barry, que ajudou a dar forma à canção e juntou uma secção de cordas que lhe confere um tom elegante vintage fundamental ao cânone Bond. E assim surgiu A View To A Kill que ainda hoje representa a única Bond song a ter atingido o número um nos EUA (foi número dois no Reino Unido).

Podem recordar aqui o teledisco (na sua versão longa), que coloca os Duran Duran na Torre Eiffel, onde decorre uma sequência importante do filme.


Estas são capas alternativas do single, disponíveis em outras edições.

sexta-feira, setembro 14, 2012

Baralhar e voltar a dar...

Duas novas antologias para os Duran Duran em regime baralha-e-volta-a-dar... Uma bem pensada, a outra nem por isso. Enfim... A primeira, com o título The Bigger and Best. Em 34 temas recuperam-se algumas das canções que fizeram a obra dos Duran Duran nos anos 80. A antologia tem o cuidado de incluir, de fio a pavio, todos os singles da discografia “canónica” editados nos anos 80, incluindo mesmo a colagem Burning The Ground, lançado por alturas de Decade, o primeiro best of do grupo. Estão representados todos os álbuns editados nos oitentas e há mesmo um lado B (Faith in This Colour). A preço económico, acaba por ser um bom panorama dos Duran Duran nos anos 80.


A segunda, integrada numa coleção com títulos (e fórmulas) semelhantes para outros nomes, dos Culture Club aos Marillion ou Human League, é um dois em um. Um CD e um DVD. O CD recupera, sem uma lógica coerente, faixas dos dois primeiros álbuns, alguns singles e lados B, concentrando a seleção entre 1981 e 82, de 1983 estando apenas presentes Is There Something I Should Know? e New Moon on Monday. O DVD é uma montra (incompleta) de telediscos rodados entre 1981 e 85. Quem encontrar alguma coerência nestas escolhas, avise, OK? Ah, também é baratinha...

terça-feira, julho 10, 2012

Novas edições:
Duran Duran, A Diamond in the Mind


Duran Duran
“A Diamond In The Mind”
Eagle Rock
2 / 5

Uma oportunidade perdida. É o que podemos dizer do novo disco (e também Blu-Ray e DVD) ao vivo dos Duran Duran. Com o seu mais entusiasmante álbum editado desde os dias de Rio como ponto de partida e com evidentes afinidades entre as sonoridades trabalhadas em All You Need Is Now e as memórias da sua música entre 1981 e 82, na hora de levar as novas canções ao palco, em vez de juntarem aos novos temas algumas canções com as quais estas pudessem estabelecer pontes e criar um alinhamento feito de jogos de afinidade, optam antes pelo piloto-automático da chuva de êxitos, repetindo, uma vez mais (como o têm feito em quase todas as últimas digressões) uma entediante repetição de mais do mesmo. Não que sejam más canções, pelo contrário. Mas porque vou querer escutar outra vez gravações ao vivo, sem substanciais alterações nos arranjos, de A View To a Kill ou Ordinary World? Até mesmo de Planet Earth ou Hungry Like The Wolf, da etapa que comunica diretamente com os temas do álbum de 2010?... A verdade é que, e olhando para o alinhamento, A Diamond In The Mind não é mais senão “mais” um best of, todavia tocado ao vivo e com quatro canções novas num alinhamento de 14 (falamos da versão CD e download digital). Valerá a pena para quem já tem uma mão cheia de discos ao vivo dos Duran Duran? Certamente que não... E a banalização em formato de rádio nostalgia da memória do grupo é coisa séria quando promovida pelo próprio. Não faria mais sentido juntar a All You Need Is Now, Before The Rain, Blame The Machines e Girl Panic! temas como um Sound of Thunder, Anyone Out There, Hold Back The Rain ou The Chauffeur? Ou até mesmo “lados B” da época como Faster Than Light ou Late Bar? Com espaço depois para outras revisitações de alguns pontuais êxitos de outras etapas... Ou até mesmo de pérolas esquecidas como o são Do You Believe in Shame, Skin Trade ou Electric Barbarella?... Na verdade o acervo de canções dos Duran Duran é tão vasto e rico que não se compreende a sucessiva limitação do grosso dos seus alinhamentos a revisitações incessantes dos singles “clássicos”... Tirando a expressão de dieta de temas do álbum mais recente (o Blu-Ray e o DVD registam mais temas) ou o cruzamento de Wild Boys com Relax dos Frankie Goes To Hollywood, o novo álbum ao vivo dos Duran Duran é, na sua versão áudio, uma peça inconsequente.

terça-feira, maio 29, 2012

Nos 30 anos de 'Rio' (20)


Entre as várias versões criadas para o tema The Chauffeur, conta-se uma leitura que teve honras de edição em single. Integrada no alinhamento do álbum The Dawnseeker, disco de 2006 do projeto Sleepthief (do norte-americano Justin Elswick, a versão conta com a voz da inglesa Kirsty Hawkshaw (Opus III). Tal como o álbum, o single foi lançado em 2006.

segunda-feira, maio 28, 2012

Nos 30 anos de 'Rio' (19)


Depois de um olhar panorâmico sobre o álbum Rio, as suas canções e edições ao seu redor, escutamos agora algumas versões entretanto recriadas por outras vozes. Começamos com Hungry Like The Wolf, revisto pelas Hole. Gravada ao vivo, a versão surge num dos lados B do single de Doll Parts, de 1995. A canção foi também integrada no Unplugged que as Hole gravaram para a MTV.

Podem ver aqui imagens da atuação no Unplugged da MTV

domingo, maio 27, 2012

'Rio', dos Duran Duran
segundo Paulo Scavullo

Vocalista dos Post Hit e designer gráfico, Paulo Scavullo partilha com o Sound + Vision a sua visão sobre Rio, o álbum de 1982 dos Duran Duran.


Existem coisas às quais nos ligamos de uma forma tão inexplicável que passam a fazer parte de nós, do nosso interior mais indecifrável, muitas vezes sem nos apercebermos porquê. Rio, o album icónico dos anos 80, a obra maior dos Duran Duran, é uma dessas coisas que intimamente faz parte de mim. Vou tentar explicar porquê.

Tive sempre um grande fascínio por capas de discos e achava inicialmente que um disco deveria ser consumido do exterior para o interior. Quando me interessei por música, nos anos 80, a década da “imagem pop” na música pop, fui inúmeras vezes seduzido por essa espécie de efeito de “camada superficial”, que em inúmeros casos foi inevitavelmente efémera, mas que em diversos outros me foi permitindo penetrar no seu interior. Era uma época de descoberta, quer pela minha idade, quer pela década em si. Numa época em que a diferença e a diversidade eram bem mais extensas do que são hoje e onde os formatos tinham outro sabor, os discos de vinil preenchiam os desejos mais vorazes de quem esperava pela ultima novidade. Foram muitas as vezes que comprei um disco pela sua capa, mas rapidamente percebi que esse fascínio pelo "exterior" nem sempre tinha continuidade no “interior”. Em Rio, dos Duran Duran, detentor da mais emblemática capa dessa década, da autoria do artista Patrick Nagel (já desaparecido, habitual ilustrador da Playboy), descobri a estranheza de uma capa improvável para o grupo em questão, e um interior (leia-se 9 músicas), que eram também a sonoridade menos esperada de um grupo que na altura se transformava na maior banda planetária, ídolo de adolescentes, logo suspeita aos olhos da crítica mais elitista. Já no seu anterior álbum (Duran Duran, 1981) se poderia sentir que este não seria um grupo condenado ao efeito rápido da música descartável de consumo sazonal ou, se quisermos, uma espécie de one hit makers. Rio afirmou-se um album soberbo de espinha dorsal, com todas as ligações, texturas e disseminações perfeitas num corpo bem articulado, eficaz e à imagem da sua época, mas sem ser frágil. Um disco, afinal, que não ficou datado porque não cristalizava a mortalidade das coisas próprias de um tempo, antes disposto a ultrapassar o seu tempo, morrendo, ressuscitando e ascendendo a um lugar perpétuo que lhe confere ainda hoje em dia o lugar de álbum de referência. Este é um disco que soube tão bem citar-se a si próprio nas suas referências que hoje é citado por tantos nomes que ali vão dissecar o detalhe - esses detalhes que fazem com que este disco se torne quase um disco carregado de aura "pop", muito embora tenha levado alguns anos a atingir o estatuto de referência que hoje possui, já que anos 80, apesar do seu sucesso mundial, foi subestimado pela crítica. Hoje, faz parte daquelas listas cliché, do género "1oo discos que deve ouvir antes de morrer". Mas este não é tanto um desses discos, porque tendo nascido em cada um de nós morrerá connosco também.

Se existem discos que continuo a gostar apenas pela capa, este é daqueles que de imediato aprendi a gostar na sua totalidade e se tornou o disco perfeito. Assim, este fascínio contemplativo pelas capas dos discos, por onde comecei a descobrir a música, esteve sempre relacionada com o meu interesse pelas áreas do design, sobretudo o design gráfico, e que foi ainda mais estimulada pela magia dos discos de vinil. Este é um disco que só se imagina enquanto disco de vinil, e por isso os anos 80 foram a década em que percebi tudo isto. Rio possui uma magia que muda constantemente, e "olhar" de novo para um disco que se redescobre em cada audição permite-nos quase compará-lo ao que Oscar Wilde escreveu em Dorian Gray. Aqui os Duran Duran manter-se-ão sempre jovens naquele que é o seu retrato perfeito e inimitável.

Não poderia terminar este meu olhar sem referir alguns dos temas que imortalizaram este disco, também ele tão associado a outro fenómeno inteligentemente explorado pelos Duran Duran: o vídeo clip. Temas de referência: Rio, Hungry Like the Wolf, Save a Prayer e The Chauffeur.